Festival Sudoeste: 3º dia: reportagem
Orelha Negra, Thievery e Xutos com grandes actuações, na noite em que Gorillaz Sound System foi a desilusão.
Esta noite não teve um concerto bom, teve muitos. Teria sido uma noite ainda melhor se certas bandas não estivessem na Groovebox mas sim no palco principal.
CALLE 13
Os porto-riquenhos sofreram do mal de todos os que abriram o palco TMN, pouca assistência. A banda impôs-se e surgiram mais espectadores, mas não muitos. Residente e Visitante são contagiantes e as músicas controversas ao jeito de crítica social tão característica da formação também seguem este registo. Calle 13 mostrou bem o porquê dos prémios ganhos.
ORELHA NEGRA
Bandas num palco secundário não são bandas de segunda e aqui em particular [na Groovebox] Orelha Negra foi de primeiríssima classe. Se considerámos que no Rock in Rio a actuação desiludiu, medos dissipados, este foi um dos concertos da noite - e dizê-lo de uma banda portuguesa sabe ainda melhor. Com tenda cheia e muita energia, os "cinco magníficos" começaram com as músicas do mais recente trabalho mas foram os êxitos do primeiro que levaram ao rubro a audiência. Mãos no ar e palmas a acompanhar o ritmo foram uma constante, a que também não faltaram cabeças a abanar e corpos sempre a balançar. Positivamente imprevisíveis, os Orelha debitaram samples de Beastie Boys, Nneka, Kanye West, Jackson 5, Busta Rhymes, Chullage e Mind The Gap e o público retribuiu estas sobremesas com assobios de satisfação. O que é bom acaba depressa e fica a impressão que podiam ter continuado muito mais tempo.
THE TING TINGS
Com uma diferença de horário de 10 minutos para Orelha Negra, apesar de palco principal foram prejudicados com a concorrência. A dupla esteve incansável, o público é que esteve inerte. Juntou-se um pouco mais de pessoas do que em Calle 13 mas nem por isso melhorou. Katie tentou de tudo e deu mesmo tudo em palco, numa óptima performance, que encerrou com "That´s not my name".
THIEVERY CORPORATION
Mais uma banda a nível de palco principal mas numa Groovebox a rebentar! Orelha elevou a fasquia mas Thievery já cá andam há algum tempo e experiência é algo que joga sempre a favor - eles sabem o que fazem. Com a assistência sempre a responder à interacção da banda e dos convidados, Dinâmica e entusiasmo verdadeiro foi o que se assistiu no palco. Mais um grande concerto da noite! A banda saiu e toda a gente pediu "bis"... inúteis, é verdade, mas completa e totalmente compreensíveis.
XUTOS & PONTAPÉS
Um festival em Portugal parece já não ser um festival se não contar com a presença dos Xutos & Pontapés. O estatuto da banda portuguesa é de destacar e o público português abraça-os como abraça a bandeira nacional - não é exagero, há clássicos da banda que são como hinos cantados pelo público. E contaram com mais uma actuação digna dessa responsabilidade que "tubarões" com mais de 30 anos de palco já nada temem. Braços em X, pulmões cheios e mais uma vez os Xutos e Pontapés foram reis e senhores de um público que os traz sempre no coração.
THE ROOTS
Hip Hop em formato banda. Estes senhores são da velha guarda, [ainda?] não são mainstream e essa é uma razão provável para não ter "casa cheia". Arrependam-se os que não foram! Black Thought é o M.C. de serviço mas envolve-se com toda a banda. O hip hop soou elegante e requintado e com direito a explosão quando tocaram "Sweet Child of Mine". A partir daqui Captain Kirk Douglas dominou o palco e surgiram mais versões, como por exemplo "Bad to the Bone". Foi delirante a prestação deste fantástico guitarrista - aliás, todos os músicos são notáveis! Quando ameaçaram acabar, arrancaram ainda mais "noise" do público e não deu, era impossível parar. O concerto acabou com "The Seed", o tema mais conhecido. Bom demais!!!
GORILLAZ SOUND SYSTEM
Visualmente atractivo mas com o som demasiado alto e distorcido. Teve power mas não encantou e isso reflectiu-se no público, que respondeu principalmente ao som de "Feel Good Inc."e "Clint Eastwood" da banda e do clássico "I Want you Back" dos Jackson 5. Quem gosta de Gorillaz, saiu desapontado.







