5 seconds of summer c rita costa
(c) Rita Costa @ritacosta.fotos

5 Seconds of Summer na MEO Arena: One Boy Band To Rule Them All!

05/05/2026

Review

5 Seconds of Summer
9/10
South Arcade
8/10
Master Peace
8/10
Som
8/10
Ambiente
7/10
Overall
8.0/10
NOT OK
No. 1 Obsession
Teeth
Easier
More
istillfeelthesame
No Shame
She's Kinda Hot
Boyband
Telephone Busy
Evolve
Bad Omens
Ghost of You
I’m Scared I’ll Never Sleep Again
Starting Line (Luke Hemmings Song)
Have U Found What Ur Looking For? (Ashton Irwin Song)
Don’t Forget You Love Me (Calum Hood Song)
enough (Michael Clifford Song)
Amnesia
Don't Stop (Secret Song)
English Love Affair
Voodoo Doll
Waste the Night
Jet Black Heart
She Looks So Perfect
Everyone's a Star!
Youngblood

Autoproclamados jocosamente de “melhor boy band de sempre”, os australianos 5 Seconds of Summer regressaram a Portugal para um concerto conceptual bem regado de hinos pop rock. Na bagagem trouxeram o seu mais recente álbum “Everyone’s a Star!” (2025).

Quando estamos perante uma banda que em Portugal ainda só teve o gostinho de pisar arenas surge sempre aquela curiosidade em perceber como é que a banda em causa pode vir a superar-se numa próxima visita. Isto porque tocar em salas de dimensão como a do Sagres Campo Pequeno ou da MEO Arena já exige a apresentação de um espetáculo com alguma profundidade visual e conceptual. Muitas vezes, as músicas por si só não chegam, principalmente quando estamos a navegar no universo do pop rock. Neste espectro, exige-se uma experiência visual dinâmica onde alguma teatralidade pode, e deve, ser conjugada com a performance musical

Cientes da tarefa que tinham pela frente, os 5 Seconds of Summer (5SOS) contrataram a empresa Cassius Creative para desenvolver o design da produção, do palco e das luzes. Resultado: um palco circular com uma limousine encastrada e um snakepit, ao estilo do original criado pelos Metallica, destinado aos fãs que adquiriram os pacotes VIP sobressaíram na estrutura principal. Já na retaguarda, uma gigante tela LED curvilínea, desenvolvida pela LED Creative, contribuiu e muito para a dinâmica visual do espetáculo. Por sua vez, o conceito por detrás da narrativa do espetáculo, esse veio das temáticas satíricas e irónicas presentes no álbum “Everyone’s a Star!”. Os seus temas deram material para que a banda desenvolvesse uma espécie de mockumentary da sua carreira, com pequenos excertos a serem exibidos em momentos chave da performance.

Mas, ainda antes de tudo isto prender a nossa atenção fomos brindados com um autêntico tratado de como se aquece uma plateia para uma banda como os 5SOS.

Master Peace

Proveniente de Londres, Peace Okezie, mais conhecido pelo nome artístico de Master Peace teve a honra de abrir as hostilidades. Bem sabemos que o primeiro artista a subir ao palco é aquele que tem a tarefa mais árdua, não só porque muitas vezes tem que atuar para uma sala despida, mas também porque tem que cativar minimamente os fãs do headliner. Neste aspeto, Master Peace beneficiou do facto deste ter sido um concerto pop rock, tipologia de espectáculo que geralmente atrai um público mais novo que gosta de “acampar” à porta da sala largas horas antes das portas abrirem. Desta forma, quando Master Peace subiu ao palco já a MEO Arena estava praticamente “cheia”, um termo que surge aqui como um paradoxo visto que a área utilizada para este concerto foi de cerca de 1/3 da área da Arena, o que equivale, segundo as contas de Luke Hemmings, vocalista dos 5SOS, a 6000 pessoas.

Não obstante, Master Peace soube tirar proveito da moldura humana presente à sua frente ao apresentar um set multi-género que percorreu os caminhos do indie pop, do pop punk e ainda de alguma música de dança. Temas orelhudos, curtos e com uma dinâmica rítmica pulsante como “One of One”, “LOS NARCOS” e “Save Me”  entusiasmaram todos aqueles que estavam a descobrir a música do britânico pela primeira vez. Contudo, foi com uma surpreendente cover de “What Do You Mean?” de Justin Bieber que Master Peace convenceu tudo e todos. O músico tem vindo a guardar um espaço no seu set para uma cover surpresa em todos os concertos e Lisboa foi presenteada com um tema da popstar canadiana. Num ápice todos os que estavam nos balcões levantaram-se das cadeiras para cantar e dançar. A cover de Justin Bieber acabou por revelar-se assim como a ponte perfeita para “Home”, um daqueles bangers que fica imediatamente colado ao ouvido. Ao fim do primeiro refrão já a MEO Arena inteira cantava em uníssono «I don’t wanna go home/Don’t wanna go home/Unless it’s with you/’Less it’s with you». Poucas vezes vimos um artista de abertura agarrar uma plateia desta forma. O mérito vai naturalmente para Master Peace que em 30 minutos conseguiu dar-se a conhecer ao público português, pô-lo a cantar e saltar e ainda arrecadar várias centenas, senão milhares, de fãs.

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South Arcade 

Os South Arcade chegaram a este concerto com um estatuto um pouco diferente face a Master Peace. Posicionados como convidados especiais, a emergente banda de Oxford, veio a Lisboa para afirmar-se como o próximo grande nome a sair da cena alternativa inglesa. Donos de uma pegada digital invejável, os South Arcade têm trilhado o seu caminho não só nos palcos dos clubes, mas também através dos muitos reels e tik toks que produziram para as suas redes sociais ao longo dos últimos dois anos. Aliás, qualquer fã de música alternativa que tenha o seu algoritmo infestado de música emo, pop punk e nu metal certamente que já se cruzou com algum conteúdo criado por esta banda que também traz para cima do palco todo um revivalismo Y2K.

As influências presentes nos seus dois EPs “2005” (2024) e “Play!” (2025) são variadas. Do pop punk de Avril Lavigne ao nu metal dos Limp Bizkit, passando ainda pelo rock alternativo dos No Doubt e o metal alternativo dos Bring Me The Horizon, os South Arcade conseguiram criar um cocktail sonoro que doseia peso e melodias bem orelhudas. Depois há toda uma panóplia de elementos que vêm da sua visão criativa como o uso de auto-tune e de um sampling rate mais baixo nas misturas/masterizações como ferramenta artística precisamente para ir ao encontro dessa estética 2000s.

Apesar de a sua média de idades rondar os 22 anos, os South Arcade demonstram uma maturidade em palco muito acima da média. A vocalista Harmony Cavelle lidera o grupo com um carisma muito próprio, promovendo interações constantes com o público e com os colegas de banda. Já o guitarrista Harry Winks, com a sua Fender Stratocaster HH, saca riffs repletos de groove, com um tone do passado adaptado ao presente. O baixista Ollie Green traz para o palco uma postura punk inata, herdada de nomes como Mark Hoppus e Sid Vicious, enquanto o baterista Cody Jones apresenta uma noção de pocket que eleva a música da banda para outro patamar de coolness.

Alternando entre os dois EPs, os South Arcade fizeram o público da MEO Arena vibrar ao som de malhas pegajosas como “HOW 2 GET AWAY WITH MURDER”, “Supermodels”, “2005” e “stone cold summer” e ainda levantaram um pouco o véu do seu muito aguardado álbum de estreia com a performance de “SUPERMAN” e “Deadmeat”. É verdade que nem tudo o que ouvimos no PA está a ser tocado pelos quatro músicos. Repleta de camadas, a sua música está cheia de elementos que ao vivo só são possíveis de serem reproduzidos através de backing tracks. Mas isto não tem que ser visto como batota, mas sim como uma forma de aproximar a experiência ao vivo da gravação de estúdio.

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5 Seconds of Summer   

Após uma intro digna de um estúdio de cinema de Hollywood fomos introduzidos à primeira parte do mockumentary que os 5SOS preparam como fio condutor do concerto. Começámos no pico com a banda a entrar em palco dentro da sua limousine e já com a bandeira portuguesa em punho. Querem melhor forma de levar um público pop à loucura? 

Seguiu-se uma trilogia de músicas: “NOT OK”, “No. 1 Obsession” e “Teeth”. Um som avassalador apoderou-se da MEO Arena com as vozes dos fãs a não descolarem das de Luke Hemmings, Michael Clifford, Calum Hood e Ashton Irwin. Sem tempo a perder com grandes discursos seguimos para a segunda parte do mockumentary. A voar alto e a alimentarem-se do sucesso, os 5SOS surgem num momento de reflexão onde discutem a sua visão perante o facto de serem a maior boy band do mundo. Mas, como todas as coisas boas têm um fim, o segundo acto do concerto surgiu como a queda após a ascensão. Curiosamente, os 5SOS ainda não experienciaram qualquer tipo de quebra de popularidade desde que se juntaram em 2011.

O segundo grande bloco de músicas teve então início com “Easier”, que revelou um dos primeiros momentos de maior expressividade ao nível das guitarras quando Luke e Michael dividiram o protagonismo num solo harmonizado. Seguiram-se depois momentos de puro dance pop com pitadas de new wave com “More” “istillfeelthesame” e “No Shame”. «Já estivemos cá várias vezes!», disse Luke numa das suas poucas intervenções mais alongadas. «Nas outras vezes viemos tocar umas músicas, mas desta vez quisemos ser mais profissionais», disse em tom de brincadeira numa clara referência à grandeza da produção da Everyone’s a Star! World Tour.

No segmento seguinte, a banda tirou um momento para dar aos fãs uma experiência mais personalizada. É fácil os artistas terem um discurso pré-formatado que se repete noite após noite, mas para os 5SOS é importante estabelecer um ponto de contacto mais próximo com cada país por onde passam. Foi com esse objetivo que a banda criou o segmento do power point onde de forma descontraída e meio cómica tentaram aventurar-se com o português. Mas, como se isso não bastasse ainda detalharam com bastante pormenor um dia de passeio da banda pela cidade de Lisboa. Desde o avistamento de pássaros na Praça do Comércio à hidratação com vinte ginjinhas, passando por uma caminhada pelas ruas de Alfama e uma visita gastronómica ao Time Out Market, este foi um momento de gargalhadas, mas também de reconhecimento da dedicação que os 5SOS têm para com os fãs de cada país onde tocam.      

“She’s Kinda Hot” antecipou o momento da eleição dos 5SOS como “Melhor Boy Band”. Mas, para tornar o concerto ainda mais imersivo o prémio foi entregue por uma fã antes da banda partir para “Boyband”. Seguiram-se “Telephone Busy” e “Evolve” que fizeram a ponte para o segmento da saudade. O concerto que vinha até então numa trajetória em crescendo, acabou por resfriar um pouco com o bloco de músicas seguinte composto por “Bad Omens”, “Ghost of You” e “I’m Scared I’ll Never Sleep Again”. Já no segmento seguinte, da separação, a energia voltou a subir com uma espécie de medley vocal destinado a enaltecer a voz dos quatro músicos. Luke foi o primeiro com a sua interpretação de “Starting Line”, seguiu-se Ashton com “Have U Found What Ur Looking For?”, depois Calum com “Don’t Forget You Love Me” e, por último, Michael que rendeu todos os presentes a “enough”.

É como se o tempo parasse durante aquela 1h45m de concerto e nos deixasse em suspenso nos anos da nossa adolescência. É caso para dizer que este é um Portuguese-Australian Love Affair que irá durar para sempre.

De volta ao mockumentary, o momento era agora de retrospetiva com particular enfoque no período de ascensão da banda. Para tal, os 5SOS até invocaram num jeito satírico um dos mais icónicos programas da televisão norte-americana, o 60 Minutos. Para muitos fãs, este era o segmento mais aguardado pois era aquele em que seria revelada a música secreta que os fãs tinham escolhido. Primeiro ouviu-se “Amnesia” e só depois é que um fã foi convocado para abrir uma mala que continha as palavras “Don’t Stop” escritas lá dentro. Estava assim revelada a música secreta da noite. A banda inicialmente mostrou-se surpresa, mas poucos segundos depois já estava pronta para soltar este hino do pop punk australiano.

No último capitulo do filme, a banda revisitou as suas origens, e que melhor forma de arrancar este segmento do que com “English Love Affair”. Focados apenas nos dois primeiros álbuns: o homónimo (2014) e “Sounds Good Feels Good” (2015) os 5SOS fizeram desfilar clássicos como “Voodoo Doll”, “Waste the Night”, “Jet Black Heart” e “She Looks So Perfect”.

Para o encore, a banda decidiu entrar de rompante pela MEO Arena a dentro fazendo o percurso até ao palco por entre os fãs. Sendo este o último concerto da tour europeia os 5SOS fizeram-se ainda acompanhar dos South Arcade e de Master Peace, que também subiram ao palco para celebrar “Everyone’s a Star!”, o hino que melhor ilustra esta fase contemporânea da banda. Mas, a fechar a noite, “Youngblood” foi mesmo a música que encapsulou essa cápsula do tempo (passando a redundância) que é um concerto dos 5SOS. É como se o tempo parasse durante aquela 1h45m de concerto e nos deixasse em suspenso nos anos da nossa adolescência. É caso para dizer que este é um Portuguese-Australian Love Affair que irá durar para sempre.

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