imagine dragons 1
(c) Inês Barrau

A Terapia Colectiva com os Imagine Dragons no Estádio da Luz

Review

Banda
8/10
Voz
9/10
Som
6/10
Ambiente
10/10
Overall
8.3/10
Fire in These Hills (Intro)
Thunder
Bones
Take Me to the Beach
Shots (Broiler Remix)
I'm So Sorry
Whatever It Takes
Acústico:
Next to Me
I Bet My Life
Interlude (Bad Liar intro):
Bad Liar
Wake Up
Radioactive
Demons
Natural
Walking the Wire
Sharks
Enemy
In Your Corner
Birds
Believer

Cerca de 60 mil pessoas reuniram-se no Estádio da Luz para cantar e espantar os males da vida e do mundo com Dan e os seus Imagine Dragons.

Durante décadas, nomes como os Rolling Stones, Metallica, Guns N’ Roses, AC/DC ou U2 dominaram os concertos de estádio. Estas bandas não eram, e não são, apenas populares; são forças monumentais, capazes de encher estádios durante anos, com centenas de milhares de fãs, e de criar espetáculos que se tornaram momentos históricos. O conceito de “banda de estádio” tornou-se sinónimo de longevidade, impacto global e uma presença ao vivo brutal.

Numa era marcada pelo streaming, pela fragmentação dos gostos musicais e pela velocidade das redes sociais, muitos questionam: ainda se fazem bandas de estádio? Onde estão os sucessores naturais desses colossos do rock? Será que a indústria mudou, ou será que já não existe espaço para artistas com impacto global e duradouro?

E quando se fala de bandas, não estamos, obviamente, a referir-nos aos grandes nomes da pop, como Beyoncé ou Taylor Swift, ou aos gigantes do hip hop mundial que arrastam multidões, como Post Malone. Estamos a falar de uma banda!

Isto para dizer que os Imagine Dragons são um bom exemplo e confirmam que ainda é possível uma banda formada nos anos 2000 alcançar o estatuto de banda de estádio. Com hits transversais, apelo radiofónico, bons músicos, um frontman carismático e um espetáculo ao vivo de grande dimensão e produção, à semelhança dos Coldplay, os Imagine Dragons têm tudo o que é preciso para se tornarem num fenómeno de massas duradouro. A Portugal trouxeram LOOM World Tour, a primeira grande digressão de estádios Europeia do grupo de Las Vegas com paragens em 16 países.

O concerto no Estádio da Luz, no dia 27 de junho de 2025, foi muito mais do que uma simples atuação ao vivo: foi uma celebração coletiva de emoções, ritmo e espetáculo visual. Desde os primeiros minutos, com uma introdução instrumental, ficou claro que a noite prometia ser memorável (não fosse o péssimo som que chegava aos nossos ouvidos). A banda entrou em palco com “Fire in These Hills”, tema do mais recente álbum,”Loom”, numa performance que combinou melancolia com energia e mensagens importantes.

Qualquer banda de estádio precisa de um bom frontman, e Dan Reynolds não desilude nesse papel.

O alinhamento percorreu as várias fases da banda, dos sucessos antigos aos mais recentes, com temas como “Thunder”, “Bones” e “Take Me to the Beach” a manterem o ritmo acelerado. Qualquer banda de estádio precisa de um bom frontman, e Dan Reynolds não desilude nesse papel. Com boa voz, correu, saltou, desceu ao fosso, cantou junto às primeiras filas. A meio do concerto, os Imagine Dragons usaram a cartada mais intimista, com um pequeno palco no fim da “língua”. Aí ouvimos as versões acústicas de “Next to Me” e “I Bet My Life”.

Visualmente, o espetáculo cumpriu o que se espera: confetis, lança-chamas, bolas gigantes, fumo e conteúdos audiovisuais que conferiram uma dimensão cinematográfica ao concerto. No entanto, temos que ser picuinhas, já assistimos a alguns concertos no Estádio da Luz e na sua maioria apresenta uma boa qualidade sonora, infelizmente não foi o que aconteceu com Imagine Dragons (pelo menos da zona de onde assistimos). O som esteve, por vezes, distorcido, com a guitarra, ocasionalmente, excessivamente alta e momentos de verdadeira cacofonia e eco. Os bilhetes estão cada vez mais caros, e por isso é justo exigir mais. Não se trata de esperar que as canções soem exatamente como no álbum de estúdio, mas sim de assistir a um concerto com boa qualidade sonora.

Os bilhetes estão cada vez mais caros, e por isso é justo exigir mais. Não se trata de esperar que as canções soem exatamente como no álbum de estúdio, mas sim de assistir a um concerto com boa qualidade sonora.

Durante o concerto, houve um momento em que a música deu lugar a algo ainda mais profundo: uma partilha íntima. Antes de interpretar “Walking the Wire”, Dan Reynolds abriu o coração perante milhares de pessoas. Entre palavras de carinho por Lisboa e um agradecimento caloroso pela energia do público, falou sobre aquilo que, para ele, dá sentido à existência da banda: a alegria. «Adoro viver, adoro conhecer pessoas, adoro experimentar o que quer que isto seja.»

Mas a mensagem mais marcante da noite foi, sem dúvida, a que tocou o lado mais vulnerável da experiência humana. Reynolds partilhou com honestidade que, ao longo da sua vida, tem lutado contra a depressão e a ansiedade. «A música é uma grande forma de ligação, mas quero dizer-vos que também conheço o outro lado.» Com emoção, dirigiu-se ao público não como artista, mas como ser humano: «Se estás a passar por dificuldades, por favor, sabe que não estás sozinho. Há pessoas que se preocupam contigo. Fala com os familiares ou amigos. Vai à terapia. Isso não te torna fraco, faz de ti mais sábio.»

Num estádio cheio, criou-se uma espécie de silêncio coletivo, tocado pela empatia. Não era apenas um concerto, era uma terapia coletiva. Uma mensagem de esperança que, vinda de alguém que já enfrentou a escuridão, ganhou ainda mais força. E talvez seja essa a verdadeira essência dos Imagine Dragons: muito para lá dos grandes refrões e da pirotecnia em palco, o que fica é a humanidade. A certeza de que, mesmo nas multidões, ninguém está realmente sozinho. «A vida vale a pena ser vivida!», foi a mensagem que todos levámos para casa.

De regresso à música, o auge chegou, naturalmente com os hinos “Radioactive”, “Demons”, “Natural” e, claro, “Believer”. No final, o sentimento era claro: para os milhares de pessoas presentes, aquela noite provou mais uma vez que a música une, levanta e transforma.

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