Fausto Bordalo Dias

Fausto Bordalo Dias

12 Março
@Centro Cultural de Belém

Lisboa

19:00h

Inês Barrau

PREÇO
Entre 18€ e 30€

“Atrás dos Tempos Vêm Tempos” é uma canção que Fausto primeiro cantou na “Madrugada dos Trapeiros”, corria o ano de 1977, com o aroma dos cravos ainda fresco na memória de todos. Quase 20 anos depois, esse título haveria de servir para uma antologia da sua obra. Agora, volta a recuperar-se para nomear um espectáculo raro. Não é apenas raro porque Fausto é parcimonioso a pisar as tábuas dos palcos, ele que sempre preferiu a reserva à exposição, a ausência à luz da ribalta. É raro porque quase sempre que Fausto levou as suas criações para o palco o fez com a ideia de que o presente, e não a memória, é que lhe merecia a atenção. Normalmente, um concerto significava a exploração do último trabalho, a oportunidade de expor ao vivo aquilo que se tinha tão minuciosamente criado em estúdio. A ideia de “grandes êxitos” nunca encontrou grande eco no espírito do senhor Bordalo Dias. E, no entanto, é inegável que nas suas 5 décadas de aplaudida carreira, o homem que subiu um rio, saltou para lá das cordilheiras, pisou terra ardente e escalou montanhas, deixou muitos marcos no seu caminho. Será desses marcos que este novo espectáculo se fará, a 12 de Março vindouro, no Grande Auditório do CCB, em Lisboa, num mundo que já se espera diferente.

A viagem passará por etapas importantes da carreira de Fausto: de “Pró Que Der e Vier”, trabalho lançado logo em 1974, e “Madrugada dos Trapeiros”, disco de 1977, ao inevitável “Por Este Rio Acima” de 1982, “O Despertar dos Alquimistas” de 1985, “Para Além das Cordilheiras” de 1987 e ainda “Crónicas da Terra Ardente” de 1994, “A Ópera Mágica do Cantor Maldito” de 2003 ou “Em Busca das Montanhas Azuis”, o trabalho de 2011 que continua a ser o seu registo de originais mais recente. Desses marcos escutar-se-ão temas eternos como “Ao Som do Mar e do Vento”, “Todo este Céu”, “Lembra-me Um Sonho Lindo”, “Navegar Navegar”, “Rosalinda”, “Porque Me Olhas assim”, “Carta de Paris”, “A Guerra é a Guerra” ou, entre muitas outras, a canção que dá o mote ao espectáculo, “Atrás dos Tempos Vêm Tempos”, numa viagem com duas dezenas de canções que já se libertaram do tempo para se tornarem matéria omnipresente nas nossas memórias e identidades.

Rodeado de músicos e amigos com quem se cruzou em diferentes momentos da sua frutuosa carreira, Fausto irá navegar por uma memória feita de grandes descobertas. Viriato Teles escreveu, não há muito tempo, sobre Fausto e Por este Rio Acima no livro Cento e Onze Discos Portugueses com que a Antena 3 celebrou oito décadas de rádio pública. Aí sublinhava a relevância de um trabalho que não sendo necessariamente o “melhor”, era um claro marco distinto e nobre num percurso a todos os títulos singular. “É isso, e apenas isso, que faz de Por Este Rio Acima um disco a todos os títulos histórico”, referia o veterano jornalista, “já que antes de depois dessa obra Fausto criou alguns dos mais belos temas da música portuguesa de todos os tempos – de “Rosalinda” a “Atrás dos Tempos”, passando por todo O Despertar dos Alquimistas, pela revisitação da infância de A Preto e Branco, pelo reencontro com a Europa de Para Além das Cordilheiras, ou pelo resto da viagem contada e cantada em Crónicas da Terra Ardente e Em Busca das Montanhas Azuis, os dois outros títulos da trilogia de Fausto sobre a diáspora portuguesa”. É essa obra que todos iremos agora poder aplaudir. Porque atrás dos tempos vêm tempos, e outros tempos hão-de vir.