Random Gods

Random Gods

19 Outubro
@Damas

Lisboa

21:00h

Inês Barrau

Após três anos da estreia em disco, Random Gods edita agora o EP Kipple pela portuguesa Zabra. O lançamento está agendado para dia 19 de Outubro, com festa de apresentação no clube DAMAS, em Lisboa. A noite contará ainda com os portuenses Conferência Inferno e dj-set de Mr. Herbert Quain, um dos nomes a comandar a editora Zabra. “Kipple” estará disponível nas plataformas online (Bandcamp e Soundcloud) e terá uma versão limitadíssima em vinil.

Foi com Genezon.avi, saído em 2016 pela editora suíça Danse Noire (ao lado de nomes como Aisha DeviVaghe Stelle e IVVVO), que o produtor Timóteo de Azevedo se deu a conhecer enquanto Random Gods, num disco forasteiro na cena electrónica portuguesa. Com um ethos que teima em não se deixar capturar em géneros ou catalogações, a electrónica ritualista do primeiro EP dá lugar agora em Kipple a ritmos e texturas mais definidas, ocupando um espaço algures na amálgama IDM, industrial e techno.

Numa referência explícita ao livro mor de Philip K. Dick, “Do Androids Dream of Electric Sheep”, onde ficou definido o conceito de “kipple” como entulho e detrito que se multiplica pelo mundo, Random Gods traz com este EP uma aproximação da música concreta à música de dança, sem esconder um certo fascínio por sons inusitados de baixa fidelidade.

Nas palavras do próprio: «Num processo mais ou menos intuitivo, foi com o conceito de kipple em mente que comecei cada uma das faixas que compõem o EP. Nesse acto de colectar sons concretos, vi-me embrenhado a vasculhar os confins da internet e a captar o som de objectos digamos que ‘descartáveis’ com o objectivo de encontrar fontes sonoras que tivessem alguma característica surpreendente, quer por qualidades rítmicas quer por complexidade tonal. Através deste exercício cada faixa foi aparecendo, partindo de uma certa entropia para acabar em algo mais harmonioso e melódico. O uso recorrente de vozes manipuladas serve como um balanço, surge como o último reduto na restauração de um mundo com menos kipple e mais humanidade.»