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(c) Inês Barrau

Avatar no LAV: Um Espetáculo de Aberrações Com Casa Cheia

Review

Avatar
9/10
Alien Weaponry
8/10
Witch Club Satan
7/10
Som
8/10
Ambiente
9/10
Overall
8.2/10
Captain Goat
Silence in the Age of Apes
The Eagle Has Landed
In the Airwaves
Bloody Angel
Death and Glitz
Blod
The Dirt I'm Buried In
Colossus
Torn Apart
Howling at the Waves
Legend of the King
Let It Burn
Tonight We Must Be Warriors
Don’t Go in the Forest
Smells Like a Freakshow
Hail the Apocalypse

Passados três anos, os Avatar regressaram ao LAV – Lisboa Ao Vivo para vingar a sua estreia em nome próprio em Portugal. Com uma casa muito melhor composta, a banda de Gotemburgo foi recebida de forma gloriosa por uma legião de fãs que continua a vibrar com o circo disruptivo dos suecos. A abrir a noite tivemos o black metal inquietante das Witch Club Satan e o groove metal Māori dos Alien Weaponry.

Quem esteve no concerto dos Avatar no LAV em 2023 lembra-se certamente da fraca afluência que o espetáculo teve. Sala a meio gás, com o balcão fechado, foi assim que a banda foi recebida naquele que foi o seu primeiro concerto em nome próprio no nosso país e apenas o segundo após uma ausência prolongada de dez anos. Posto isto, um regresso seria quase impossível. Afinal de contas, um concerto dos Avatar conta com uma produção considerável, e não se justifica todo o trabalho em termos de logística para depois se tocar  para “meia dúzia” de pessoas.

Ainda assim, a banda de Gotemburgo decidiu dar uma segunda oportunidade ao público português. Após uma passagem em 2025 pela MEO Arena como convidados dos Iron Maiden, os Avatar regressaram agora a Portugal para finalmente serem recebidos com a pompa e circunstância que o seu circo merece.

Witch Club Satan 

Foi com uma sessão de bruxaria que as Witch Club Satan abriram as hostilidades. Equilibrando uma teatralidade por vezes perturbadora com a sonoridade pura do black metal norueguês, o power trio feminino soube levar o conceito de shock metal à letra. Visivelmente desconfortável, mas ao mesmo tempo maravilhado, o público deixou-se levar pelos feitiços sonoros e poéticos destas três bruxas que se apresentaram em palco com figurinos impróprios para menores de dezoito anos.

Da “Intro (Witch Craft Techno)” a “Solace Sisters”, o concerto desenrolou-se num misto entre uma performance teatral e uma descarga sonora demoníaca cujo ponto alto foi uma chamada de atenção para o genocídio em Gaza e para a desumanização de figuras como Benjamin Netanyahu e Jeffrey Epstein.

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Alien Weaponry

Para desempenhar o papel de convidados especiais da tour, os Avatar trouxeram os neozelandeses Alien Weaponry, uma das principais bandas da atualidade no campo do metal étnico. Ausentes dos palcos portugueses desde 2022, ano em que se apresentaram no VOA Heavy Rock Festival, os Alien Weaponry tiveram agora oportunidade de reencontrar os fãs nacionais, ainda que numa atuação demasiado breve de apenas trinta minutos.

Algo deslocados no lineup face à estética teatral das outras duas bandas, os Alien Weaponry focaram-se, naturalmente, no seu elemento diferenciador, as composições escritas em Māori. A setlist foi curta, com apenas cinco músicas, mas desde o haka inicial à épica “Kai Tangata” o público não parou de se mexer. Com pouco tempo para deixar uma boa impressão a quem os estava a ouvir pela primeira vez, Lewis de Jong, voz e guitarra, Henry de Jong , bateria e coros e Tūranga Morgan-Edmonds, baixo e coros, decidiram centrar a setlist no seu álbum de estreia “Tū” (2018) e no seu último trabalho “Te Rā” (2025), deixando então de fora o álbum do meio “Tangaroa” (2021).

Entre os riffs avassaladores e a consistência da secção rítmica, é nos refrões extremamente orelhudos que os Alien Weaponry nos agarram e nos fazem querer mergulhar um pouco mais nessa cultura tão fascinante que é a cultura Māori. A língua pode, por vezes, representar uma barreira interpretativa, mas a emoção está sempre lá na base das linhas melódicas, algo perfeitamente percetível quando damos por nós a entoar temas como “Rū Ana Te Whenua”, “Te Riri o Tāwhirimātea”, “Mau Moko” e “Taniwha”, este último um tema que conta com a participação de Randy Blythe dos Lamb of God

Escusado será dizer que o concerto passou num ápice, deixando ainda mais acesas as memórias da sua saudosa estreia em Portugal, em 2019, quando tocaram no RCA Club. Uma coisa é certa, público para tê-los cá como cabeça de cartaz não falta, e isso ficou provado na receção calorosa com que estes rapazes neozelandeses foram recebidos.

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Avatar

Foi com muitos fãs trajados e pintados a rigor que os Avatar foram recebidos novamente no LAV. Este período de ausência em nome próprio dos palcos nacionais, assim como o papel de convidados especiais na última tour europeia dos Iron Maiden trouxe sangue novo para a base de fãs e, desta vez, a sala lisboeta conseguiu proporcionar à banda sueca a moldura humana que mereciam.

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Com o seu décimo álbum “Don´t Go In The Forest” (2025) na bagagem, os Avatar mostram que é possível aliar consistência e inovação, algo que também procuram trazer para as suas produções ao vivo. Nesta tour, a banda pareceu mais contida nos elementos cénicos, com apenas um grande pano de um chapitô a decorar a parte de trás do palco e a criar algum efeito surpresa. Desta vez, não tivemos direito a números de ilusionismo ou a modelação de balões, mas sim a uma performance com um foco ainda mais direcionado para a componente musical.

Desta vez, não tivemos direito a números de ilusionismo ou a modelação de balões, mas sim a uma performance com um foco ainda mais direcionado para a componente musical.

Numa demonstração da aclamação que o novo álbum já tem entre os fãs, “Captain Goat” abriu o espetáculo com coros a ecoar por todos os cantos do LAV. Já com o público na mão desde o primeiro segundo, a banda testou o pulso ao mosh pit com “Silence in the Age of Apes” antes de “The Eagle Has Landed” gerar, como sempre, um dos maiores sing alongs da noite.

Nos concertos em nome próprio dos Avatar, o vocalista Johannes Eckerström gosta sempre de mostrar que não tem pressa nos seus discursos. Entre provocações amigáveis, o carismático frontman procurou sempre tirar algum tempo para enaltecer o fervor dos fãs e até justificar a ausência de Portugal do mapa da banda durante muitos anos.

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Não sendo uma banda cuja sonoridade se centra exclusivamente em malhas pesadas e velozes do início ao fim, os Avatar sabem que também têm essa ferramenta à sua disposição e que ao vivo puxam por ela quando pretendem algumas movimentações. Aliás, foi precisamente esse o intuito com “In the Airwaves”, um dos temas mais rasgados da setlist e que se colou na perfeição à melodia de “Bloody Angel”, que mais uma vez, reuniu um dos coros mais sumptuosos da noite.

Ainda por explorar no cardápio sonoro dos Avatar estava uma malha que tivesse um encadeamento mais dançável. A novidade “Death and Glitz” com o seu four on the floor tratou de incentivar o público a esse passinho de dança, que por vezes é recebido com um nariz torcido, mas que aqui foi alvo de festa. Já após alguns temas menos impactantes, a gótica “Colossus” trouxe para cima do palco uma boa demonstração da versatilidade de Johannes enquanto vocalista, representada pelo seu surpreendente conforto em vários registos.

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Num dos poucos momentos em que o palco foi remexido para trazer algo de novo ao espetáculo, eis que surgiu um piano para dar lugar à balada da noite. Após alguns problemas técnicos colmatados pelo humor de Johannes, a banda prosseguiu com a atuação. Aqui, além do destaque do vocalista, temos também que enaltecer o fraseado solístico de Tim Öhrström, cortesia da sua Ibanez Custom RG Prestige com pickups Dimarzio Air Norton. Já em “Legend of the King” o foco foi todo para a sua alteza real, Jonas “Kungen” Jarlsby, que soube demonstrar toda a sua proficiência na arte do shredding através da sua Ibanez Custom RG Prestige com pickups EMG 81 e 85. Sempre mais discreto, Henrik Sandelin, com o seu Spector Custom, demonstrou uma tremenda coesão rítmica com esse autómato que é o baterista  John Alfredsson.

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Num ato simbólico e bem representativo do espírito de comunidade que se vive num concerto dos Avatar “Tonight We Must Be Warriors” encerrou o set principal. “Don’t Go in the Forest” reatou a performance com um dos melhores coros da noite. Este é daqueles temas que tem tudo para permanecer nas setlists. É épico, tem um andamento que permite ao público mexer-se e um refrão que é assimilado no imediato. Mas, a história deste regresso dos Avatar a Portugal ainda não estava totalmente contada. Como verdadeiro mestre de cerimónias, Johannes atiçou o público numa discussão amigável sobre quantas músicas mais deveriam tocar. Duas, três, quatro, cinco ou dez, ouviu-se um pouco de tudo. Em jeito de brincadeira, Johannes ainda ameaçou sair do palco naquele instante, mas ainda faltava ouvir os hinos “Smells Like a Freakshow” e “Hail the Apocalypse”.

No fim, já ao som do clássico “We’ll Meet Again” de Vera Lynn, a banda desdobrou-se em despedidas demoradas num misto entre contemplação e agradecimento. Afinal, Portugal sempre esteve repleto de aberrações, apenas ainda não tinham dado entrada no país Avatar.

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