No passado dia 11 de Maio, Lisboa foi palco de uma celebração punk histórica e caótica com Crim, Belvedere, Trinta & Um, Strung Out, Agnostic Front e os cabeças de cartaz Bad Religion.
Os Bad Religion trouxeram a digressão de comemoração dos seus 45 anos à Sala Tejo da MEO Arena, acompanhados por um alinhamento de respeito: Crim, Belvedere, Trinta & Um, Strung Out e Agnostic Front. Foi praticamente um festival, com direito às intempéries que este tipo de evento inevitavelmente traz.
Foram mais de seis horas de som alto, suor e refrões que resistem ao tempo. Mas, como em qualquer festival, houve momentos de som mal equilibrados, cerveja nos copos e no chão, e filas intermináveis nos bares.
Os vagões.
Há hora marcada, a banda punk-rock formada em 2011, originária de Tarragona, os Crim, abriram o evento entregando o seu punk melódico catalão com energia.
Belvedere vieram a seguir, mostrando porque são uma referência no skate punk técnico: velocidade, precisão e melodias afiadas.
Os nossos Trinta & Um foram a terceira banda a subir ao palco, com um concerto sólido e potente. Uma boa escolha por parte da organização. Com muitos anos de estrada, entre desentendimentos e contribuições importantes para o punk, os portugueses mostraram que estão prontos novamente para levar o nome do punk lusófono além-fronteiras.
De seguida, os Strung Out incendiaram o público com a sua fusão técnica de punk e metal, um dos pontos altos da noite para quem aprecia peso e virtuosismo. Uma banda que representa um punk mais moderno, com bons riffs e execuções afiadas.
“Também tenho 45 anos!”
Os Agnostic Front, também a celebrar 45 anos de uma história cheia de altos e baixos, subiram ao palco e elevaram a energia da sala. Com clássicos como “Gotta Go” e “For My Family”, apresentaram um alinhamento directo, intenso e cheio de entrega, com grande ligação ao público. O concerto passou por quase todas as fases da banda, desde o hardcore mais cru até ao crossover. Mostraram porque são lendas do punk nova-iorquino. Stigma continua a ser uma das grandes figuras da banda, irrequieto, simpático e a dada altura salta para o meio do moshpit!
Entre riffs pesados e aplausos calorosos, houve também espaço para a ternura. Foi impossível não sorrir quando a Clara, uma miúda que esteve sempre a curtir no meio da multidão, foi chamada ao palco. A família hardcore foi ao rubro!
Quando o nível atinge o topo!
Mas foi com a entrada dos Bad Religion, às 22h02, que se sentiu a diferença. Não por uma questão de competição, mas como quem assiste à grandeza de um nome que moldou o punk old school, e que continua firme, relevante e com uma discografia impressionante.
Tocaram uma boa mistura de clássicos e temas mais recentes, conseguindo encaixar 25 músicas em cerca de 75 minutos. Os Bad Religion são tão consistentes que é fácil esquecer o quão grandiosos realmente são. Faixa após faixa, fazem tudo parecer simples, sempre com um som impressionantemente próximo das versões de estúdio.
Greg Graffin, já com 60 anos, demonstrou alguma fadiga, mas aguentou bem o alinhamento, com intervenções pontuais e inteligentes. Em vários momentos, parecia reger o público com as mãos. A sua voz continua a ser uma referência no género. E é verdade que, por vezes, parece mais talhado para dar aulas na universidade do que para estar num palco punk — e talvez seja isso que o torna tão singular.
Mike Dimkich continua discreto, mas exímio na guitarra. Brian Baker mantém o título de elemento mais carismático da banda, com riffs e solos na medida certa. Jamie Miller, o “mais novo” do grupo, foi um dos destaques: enérgico, com uma boa pegada e excelente nos backing vocals. Já Jay Bentley é um verdadeiro showman: competente no baixo, participativo e comunicativo.
A banda saiu do palco após cerca de uma hora e regressou para um encore com os clássicos “Sorrow” e “American Jesus”.
O alinhamento percorreu grande parte dos álbuns da banda, incluindo faixas mais recentes como “My Sanity” (actualmente a minha favorita) e hinos eternos como “Do What You Want”, “No Control”, “We’re Only Gonna Die” e “Infected”.
Foi uma noite em que o punk não teve idade, nem descanso. A Sala Tejo estava cheia (mas não esgotada, deve ter faltado muito pouco) e o público respondeu com entusiasmo, dos punks veteranos aos novos adeptos. Apesar dos problemas habituais de festivais com um único palco, o sentimento geral foi de gratidão e satisfação.
Gratidão por uma banda que, mesmo após 45 anos, continua afiada, politizada e essencial. Satisfação por ver que o punk continua a renovar-se com bandas tão importantes como Bad Religion, funcionando como uma locomotiva e levando consigo os seus sucessores para públicos mais jovens.

























































































































































































