BLACK SABBATH

Black Sabbath: O adeus definitivo aos palcos em concerto histórico no Villa Park [STREAMING]

06/07/2025

Mais de 40 mil fãs reuniram-se a 5 de Julho de 2025, no estádio Villa Park, em Birmingham, para testemunhar um momento histórico da música mundial: a despedida dos palcos de Black Sabbath.

Em 1970, os Black Sabbath tornaram-se gigantes através das sirenes bélicas de “War Pigs”, o imediatismo do tema-título, o peso das pegadas de “Iron Man”, o experimentalismo de “Planet Caravan” e “Rat Salad”, a expansão do doom metal com “Hand Of Doom”, precisamente, e “Electric Funeral”.

Tal como sucede com os Led Zeppelin, há marcadamente um antes e depois dos Black Sabbath na música. A própria banda foi, sendo grande sucesso, outras bandas: The Polka Tulk Blues Band, Polka Tulk e Earth.

Até que a mistura dum clássico de horror da 7ª Arte [“Black Sabbath”, de Mario Bava e com o ícone Boris Karloff] com os escritos do ocultista Dennis Wheatley e um delírio de Geezer Butler, no qual viu uma silhueta negra a olhá-lo dos pés da sua cama, deram origem ao tema “Black Sabbath”, ao álbum do mesmo nome e à maior e mais influente banda de heavy metal de sempre.

Como convém a um álbum lendário, “Black Sabbath” foi arrasado pela crítica mainstream da época.

Como convém a um álbum lendário, “Black Sabbath” foi arrasado pela crítica mainstream da época. O uso do Trítono, a “Nota do Diabo” era pouco recorrente na música popular, sendo mais famoso nas peças clássicas de tensão saturada – a mais famosa será, provavelmente, o 1º Movimento da 5ª Sinfonia de Beethoven. Contudo, essa harmonização negra tornou-se a pedra angular a partir da qual se erigiu todo um género musical. Nunca um guitarrista no rock havia baixado a sua afinação a Eb, D ou C#.

Ainda no mesmo ano, em 1970, tornaram-se gigantes com “Paranoid” a ecoar com a mesma força das sirenes bélicas de “War Pigs”, o imediatismo do tema-título, o peso das pegadas de “Iron Man”, o experimentalismo de “Planet Caravan” e “Rat Salad”, a expansão do doom metal com “Hand Of Doom”, precisamente, e “Electric Funeral”. E, claro, o groove inimitável de “Fairies Wear Boots”.

Mas, por extraordinários que sejam o álbum homónimo e “Paranoid” (e são verdadeiramente extraordinários), os Black Sabbath haveriam de ser ainda mais decisivos com “Master of Reality”, tendo aí cimentado para a eternidade as fundações do doom, stoner e sludge…

Avançamos rapidamente no tempo até Julho de 2025, ano em que se assistiu à despedida de Ozzy Osbourne dos palcos e da formação original dos Black Sabbath. Sob o simbólico mote Back to the Beginning, o evento marcou o último concerto ao vivo do lendário vocalista e da banda que, há mais de 50 anos, criou as bases do heavy metal.

Avançamos rapidamente no tempo até Julho de 2025, ano em que se assistiu à despedida de Ozzy Osbourne dos palcos e da formação original dos Black Sabbath. Sob o simbólico mote “Back to the Beginning, o evento na cidade natal da banda marcou o último concerto ao vivo do lendário vocalista e da banda que, há mais de 50 anos, criou as bases do heavy metal.

Aos 76 anos e debilitado pela doença de Parkinson, Ozzy surgiu em palco num trono negro com asas, que se ergueu do subsolo da estrutura cénica, arrancando aplausos emocionados da multidão. «Não fazem ideia do que sinto. Obrigado do fundo do coração», disse visivelmente comovido. «Estive de cama durante seis anos. É tão bom estar neste palco, vocês não têm mesmo noção.»

O concerto dividiu-se em dois momentos distintos. Primeiro, Ozzy apresentou-se com Zakk Wylde (guitarra), Mike Inez (baixo), Adam Wakeman (teclados) e Tommy Clufetos (bateria), num alinhamento curto, mas poderoso que incluiu clássicos como “I Don’t Know”, “Mr. Crowley”, “Suicide Solution” e “Crazy Train”, além da comovente balada “Mama, I’m Coming Home”.

No entanto, o clímax emocional da noite chegou com o reencontro dos membros fundadores dos Black Sabbath: Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward subiram ao palco para se juntar a Ozzy naquela que foi a primeira atuação dos quatro juntos em 20 anos e, segundo tudo indica, a última de sempre. O público foi brindado com versões arrebatadoras de “War Pigs”, “N.I.B.”, “Iron Man” e, como encerramento inevitável, “Paranoid”.

O evento contou ainda com atuações de peso ao longo de 10 horas, com nomes como Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Anthrax, Lamb of God, Alice in Chains e Gojira. A direção musical esteve a cargo de Tom Morello (Rage Against the Machine, Audioslave) e a apresentação ficou por conta do ator Jason Momoa.

Durante o espetáculo, foram exibidas mensagens de homenagem enviadas por figuras como Jack Black, Dolly Parton e Elton John, que afirmou: «Tu és um dos cantores mais notáveis do nosso tempo. És o rei, és a lenda.»  Um dos momentos mais comoventes da noite surgiu durante a atuação de Yungblud, que chamou ao palco o “nosso” Nuno Bettencourt, dos Extreme. Vestindo a camisola 20 do Liverpool com o nome “Jota” nas costas, Bettencourt prestou homenagem ao futebolista português Diogo Jota, falecido num trágico acidente de viação em Espanha, aos 28 anos, juntamente com o irmão, André Silva. A dupla interpretou o tema “Changes” em memória do avançado, num tributo sentido.

Formados em 1968 em Birmingham, os Black Sabbath tornaram-se pioneiros do metal com o seu som sombrio e inconfundível, influenciando gerações. Esta despedida, carregada de simbolismo, encerra um dos capítulos mais importantes da história da música pesada, com um último rugido vindo da cidade onde tudo começou.

Obrigado, Ozzy! Obrigado Sabbath!

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