“A Um Passo Da Loucura” conta a história do Punk Rock em Portugal

“A Um Passo Da Loucura” conta a história do Punk Rock em Portugal

Nuno Ribeiro

Já está a ser filmado o documentário, “A Um Passo Da Loucura – Punk em Portugal 78-88”, que conta a história do Punk Rock em Portugal.

Estávamos ainda no rescaldo do 25 de abril quando o punk rock português deu os seus primeiros passos em Portugal. O documentário A Um Passo Da Loucura – Punk em Portugal 78-88″ retrata a primeira década do percurso musical do género.

single “Há Que Violentar O Sistema” de 1978, dos Aqui d`el Rock, serve de referência ao documentário, cuja a filmagem termina este mês.

A realização e produção é de Hugo Conim em conjunto com Miguel Newton, vocalista dos Mata Ratos, que fazem um registo «verdadeiro e muito completo da primeira e segunda geração portuguesa do punk», com entrevistas a músicos, promotores e intervenientes do movimento, segundo Hugo Conim à agência Lusa. Ambos os realizadores esperam ter o filme pronto em Outono, «um documentário de punks para punks, porque – pelo menos que eu saiba – não havia um filme sobre este tempo em Portugal», afirmou ainda Conim.

“A Um Passo Da Loucura” reúne depoimentos de várias figuras ligadas ao punk e ao rock português, como João Pedro Almendra (Ku de Judas), Zé Pedro e Kalu (Xutos & Pontapés), António Manuel Ribeiro (UHF), Jorge Bruto (Capitão Fantasma), José Serra (Aqui d`el Rock), José Vilão (Vómito), Samuel Palitos (Censurados) e Paulo Borges (Minas & Armadilhas). Entre as cerca de 40 entrevistas, há ainda depoimentos de Miguel Almeida, do Instituto de Etnomusicologia, Aristides Duarte, colecionador e autor de obras sobre o rock português, Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Isabel Newton e Branco Oliveira.

Hugo Conim confirma ainda que o filme vai contar também com várias imagens de arquivo e algumas raridades, como atuações dos Ku de Judas, Mata Ratos e Aqui d`el Rocl. «“A um passo da loucura – Punk em Portugal 78-88” é um ato guerrilheiro – cinematográfico feito por amor à camisola (esburacada)», afirmam os realizadores na nota de apresentação, o documentário foi feito sem apoios financeiros. «Ou deixávamos o projeto na prateleira ou avançávamos. Decidimos avançar. Como amantes de punk, gostaríamos muito de ter um documentário testemunho daquele tempo, porque só se fala do boom do rock», explicou Hugo.

O filme abrange sobretudo a cena punk em Lisboa e no Porto, mas também com referências a Braga e Coimbra, com grande parte das bandas mencionadas a serem referenciadas na primeira investigação académica sobre o punk rock português, dos sociólogos Paula Guerra e Augusto Santos Silva, da Universidade do Porto.

Para a curiosidade, a investigação recenseou 496 bandas punk portuguesas desde 1977 até ao primeiro semestre de 2013. «Dessas 496 bandas, 155 (cerca de um terço) estão em atividade e 218 estão extintas ou com a atividade suspensa — restando, portanto, 123 bandas (quase um quarto do total) em relação às quais ainda não conseguimos apurar se permanecem ou não ativas», pode ler-se numa nota na página www.punk.pt, associada à investigação.

O movimento punk surgiu na segunda metade dos anos 1970, nos Estados Unidos e no Reino Unido, no contexto de plena crise económica, nos anos da Guerra Fria, era caracterizado, por exemplo, pelo o princípio de autonomia do faça-você-mesmo, com um estilo baseado na música, roupa e comportamento, sobretudo rebeldia contra o sistema.