Cultura Sai À Rua Dia 30 De Janeiro

Cultura Sai À Rua Dia 30 De Janeiro

Nuno Sarafa
CENA-STE

Trabalhadores da Cultura fartos da precariedade laboral, do esgotamento financeiro, da falta de direitos e protecção social. Protesto nacional marcado para dia 30 de Janeiro.

Aí está a primeira manifestação do ano. O sector da Cultura vai endurecer a luta para obter respostas concretas e eficazes por parte do Governo para fazer face à grave crise que atravessa por causa da pandemia. Por isso, sai à rua em massa, no dia 30 de Janeiro, numa manifestação que os organizadores pretendem nacional e abrangente.

«Estamos há dez meses a sofrer de forma brutal as consequências da precariedade laboral, da falta de direitos e de protecção social, agravadas pelas consequências devastadoras da pandemia, que nos conduzem, sem alternativa, à carência económica, a situações de endividamento e informalidade». As palavras são de Teresa Coutinho, da Acção Cooperativista, em conferência de imprensa online que serviu de convocatória para o protesto agendado para dia 30 de Janeiro.

«É muito importante que o Governo português perceba a força da Cultura, porque não a compreenderam completamente. Continuamos a sentir muitas dificuldades em que compreendam a dimensão destes trabalhadores e de todas as áreas que envolvem», considerou, por sua vez, Rui Galveias, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), em declarações proferidas na mesma conferência de imprensa e replicadas por diversos órgãos de comunicação social.

Segundo Amarílis Felizes, da Plateia, este protesto nacional surge como «resposta à não resposta» que as estruturas receberam da tutela da Cultura, na última reunião, em Dezembro. «Achamos que estar na rua é importante para chamar a atenção e queremos respostas concretas».

Esta ‘nova’ manifestação dá pelo nome de “Na Rua Pelo Futuro da Cultura” e pretende ser alargada a um âmbito nacional, sendo por isso mesmo promovida por várias estruturas, entre as quais a Acção Cooperativista, o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), a Plateia – Associação dos Profissionais das Artes Cénicas, a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), o Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ) e a Rede – Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea.

Todas estas estruturas representativas do sector dizem-se indignadas pelo facto de, «já a partir de Janeiro de 2021, os apoios para quem trabalha a recibos verdes sejam ainda menores e tenham um acesso mais condicionado (com condição de recursos) do que os que existiram em 2020».

Exigências dos trabalhadores

Entre as exigências está uma «efectiva protecção social para os trabalhadores da Cultura, pela perda total ou parcial dos seus rendimentos por causa da pandemia e que essa protecção social seja acima da linha da pobreza, que não deixe ninguém de fora e que se prolongue até ao levantamento de todas as normas de condicionamento da actividade profissional».

Estes profissionais querem ainda que «as autarquias e instituições culturais paguem os eventos, espectáculos, trabalhos e actividades que são cancelados ou adiados e que haja enquadramento legal e fiscalização que permita garantir esses pagamentos».

Na conferência de imprensa, a actriz Sara Barros Leitão alertou também para o facto de que «sempre que há um caso de covid-19 numa equipa e o espectáculo é cancelado, a maioria desses espectáculos não são pagos e são simplesmente cancelados e isso é altamente dramático».

Defendendo a tese de que houve uma «falsa retoma» da actividade cultural, Rui Galveias enumerou casos de trabalhadores em «situação verdadeiramente dramática, de esgotamento financeiro, de incapacidade para pagar a renda de casa, para pagar o gás, para manter a casa quente», concluindo: «Estamos a falar de uma dimensão humana muito grave. A falsa retoma criou a ideia de que estamos a trabalhar. Muitas destas pessoas estão a trabalhar numa dimensão completamente diferente. A retoma não é fazer espectáculos em condições limite. A retoma é retomar o trabalho de uma forma normal».

EGITANA