Faith No More, Bill Gould e o Enorme Orgulho em “Sol Invictus”

Faith No More, Bill Gould e o Enorme Orgulho em “Sol Invictus”

Redacção

Com os Faith No More cada vez mais perto de regressar aos palcos, Bill Gould deteve-se a recordar o extraordinário “Sol Invictus”, álbum que, em 2015, quebrou um silêncio discográfico de mais de dez anos.

O baixista dos Faith No More, Bill Gould, falou recentemente com Darren Paltrowitz – apresentador do “Paltrocast With Darren Paltrowitz” – sobre vários assuntos, com destaque para os planos futuros dos Faith No More e também do álbum “Sol Invictus” que, em 2015, marcou o regresso da banda aos álbuns, após um liongo silêncio editorial, desde “Album Of The Year”, de 1997.

Sobre “Sol Invictus”, disse Gould: «Fomos muito ambiciosos. Gravámos o álbum na nossa sala de ensaios sem dizer a ninguém. Portanto, havia algumas limitações, obviamente; não era um verdadeiro estúdio. Por isso, para que soasse bem, foi necessário um grande esforço. E acabei esgotado; não sei se o faria dessa forma novamente. Mas estou muito contente com o que fizemos e como o fizemos. Era um objectivo realmente ambicioso, e penso que o fizemos funcionar. Penso que se fizermos algo no futuro, será diferente, como todos eles são; todos os álbuns são diferentes. Mas fiquei muito resolvido com este».

A exaustão de Gould é fácil de perceber, pois o baixista assumiu também a produção do disco, liderando a banda nesse processo. Na nossa review a “Sol Invictus” pode ler-se: «Diz-se que a vida, que são dois dias, passa a correr e “Sol Invictus” parece provar isso mesmo. Entre “Album Of The Year” e o novo disco existe um intervalo de quase 20 anos, mas a sensação é que não foi mais que dois dias o espaço entre os álbuns, tal a continuidade entre ambos e o sentido omnipresente de que os Faith No More não procuraram fazer um disco tipo “o som que faríamos actualmente”, mas partir de onde haviam parado e até recuar. Mais, este álbum chega mesmo a saltar por cima de “King For A Day…”, indo até às atmosferas de “Angel Dust”. Talvez por isso as sintetizações e pianos de Roddy Bottum estejam tão presentes nas canções e tão destacadas na produção do próprio baixista da banda, Billy Gould (Matt Wallace tornou a trabalhar com a banda, mas apenas na mistura)».

No podcast, Gould falou também dos próximos espectáculos dos Faith No More, com System Of A Down e Korn, no Estádio Banc Of California em Los Angeles, em Outubro. As datas estavam inicialmente previstas para Maio de 2020, e foram adiadas para 21 e 22 de Maio de 2021. As datas foram mais uma vez adiadas recentemente devido à COVID-19. Vale a pena recordar que essas datas estão integradas numa digressão mundial que prevê a passagem dos Faith No More em Portugal, como headliners do NOS Alive.

E para Gould, é gratificante tornar a tocar em estádios e grandes arenas, mais de quatro décadas após o início da banda: «É realmente fantástico. E também é óptimo que ainda sejamos quem somos; não mudámos realmente a nossa própria maneira de fazer as coisas. Sempre fomos uma espécie de ovelha negra no mundo da música e sempre me senti um pouco frustrado por nunca termos conseguido ultrapassar a meta – com esta coisa que pensávamos ser tão boa. E agora estamos a ser aceites pelo que somos e penso que isso é absolutamente espantoso».

A AS acompanhou em exclusivo uma das últimas digressões dos Faith No More, através de um diário de estrada de Nuno Cruz, que foi tour manager da banda numa leg sul-americana. Um artigão apaixonante que podes ler aqui.

Depois de “Sol Invictus”, o catálogo da banda tem sido alvo de reedições. E essa tem sido a única actividade os FNM nos últimos tempos. No entanto, em 2017 Mike Patton afirmava que a banda não se tinha separado, apenas esta num longo intervalo e não fechava qualquer porta no futuro. Ao contrário da banda, Patton tem estado über ocupado. Só no último ano, o vocalista anunciou o regresso dos Mr. Bungle e editou “Corpse Flower”, trabalho conjunto com Jean-Claude Vannier. Já em 2018, havia editado novamente com Dead Cross, depois do primeiro álbum ter chegado em 2017, ano em que também havia reunido os Fantômas.

Nesse mesmo ano, a banda viu falecer Chuck Mosley, o frontman que antecedeu Patton. Os FNM deixaram um comunicado, na sua página oficial no Facebook, dedicado à morte do seu antigo vocalista: «É com um peso enorme no coração que comunicamos a morte do nosso amigo e colega de banda, Chuck Mosley. Era uma fonte de energia destemida e felina de grande convicção e ajudou a colocar-nos numa vereda de singularidade e originalidade que não se teria desenvolvido da mesma forma se ele não a tivesse trilhado. Sentimo-nos afortunados por ter podido actuar com ele o ano passado, em jeito de reunião após a reedição do nosso primeiro álbum. O seu entusiasmo, o seu sentido de humor e a sua postura deixará saudades a muitos. Éramos uma família, estranha e disfuncional e estaremos sempre gratos pelo tempo que passámos com o Chuck».

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EGITANA