Fomos ao Talkfest’16. [dia 3]

Fomos ao Talkfest’16. [dia 3]

Pedro Raimundo

Nos dias 3 e 4 de Março, realizou-se na FIL o Talk Fest, integrado na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa. Já na sua 5ª edição, como parte integrante estão representados promotoras, agentes, empresas e marcas, assim como representantes de alguns dos mais importantes festivais ibéricos, jornalistas e músicos. Darão o seu contributo neste que pretende ser um pólo de encontro e partilha de conhecimento direccionados para a indústria de festivais de música.

Integra ainda o Iberian Festival Awards, que distingue em variadas categorias alguns dos festivais e entidades parceiras Ibéricas (melhor festival de grande, média ou pequena dimensões, melhor media partner ou melhor performance entre outras) e um concerto de encerramento no MusicBox (Sexta, 4 de Março) com Pista, Tó Trips e Benjamim.

O espaço é repartido em 3 auditórios, onde se pretende dar a conhecer as experiências e know-how de alguns dos intervenientes da indústria promotora e empresarial ligada aos festivais. No auditório principal com formato de conferência, nos restantes auditórios apresentações individuais (profissionais e científicas). Ainda uma sala de reuniões para seminários de cariz mais técnico (som de espetáculos, gestão de redes sociais, financiamento e incentivos, branding ou soluções de vídeo).

No espaço lounge algumas empresas apresentam as suas soluções amigas do ambiente para grandes eventos, como a Bio Poli, com uma gama de copos reutilizáveis com possibilidade de branding, a Ecoality apresentando a Biatakí, um eco-cinzeiro para minimizar os resíduos das beatas de tabaco nos recintos e o eco-kopo, também uma gama de copos reutilizáveis. A Cooperativa ProNobis apresenta uma alternativa aos recibos verdes dirigida a todos os profissionais do sector artístico, e ainda uma área dedicada a ofertas de trabalho na área do espectáculo e eventos.

No primeiro dia do festival um painel de convidados bastante diversificado deu o mote de partida com a temática “Dependência dos Festivais – Taxas, Licenças Vs. Financiamento Público, Patrocínios e Receita Própria”. Bernardo Seco, director do festival Jazz Madrid, começou por indicar que via os festivais como dinamizadores e motores das economias locais, como reforço da marca das cidades ou vilas onde se inserem. Neste aspecto considera muito importante o apoio das autarquias e entidades locais, sendo que é possível também quantificar o impacto positivo destes mesmos eventos nas economia e turismo.

Raul Duro, director do festival de música electrónica Neopop, em Viana do Castelo, explicou de seguida como este festival consegue ter um carácter diferenciador muito forte por se situar fora das grandes metrópoles, tendo ao longo da sua existência dado fortes provas de ser uma grande mais-valia para a região, em termos de incremento de receitas no turismo e visitas à cidade durante a duração do mesmo.

Ouvimos também Paulo Silva, do festival MED em Loulé, que nos indicou como o continuado apoio da autarquia é extremamente importante para a construção e concepção do festival. Realizando-se em pleno Verão, no mês de Junho, tem o Turismo como o seu principal motor, servindo também de revitalizante da zona histórica da cidade.

Por seu lado Miguel Fernandes do Lisb/On, explicou que a parceria com a Câmara Municipal de Lisboa é fulcral para a realização do mesmo, uma vez que se realiza num local central e histórico como o parque Eduardo VII. Escolheram também como aspecto diferenciador a realização do evento no mês de Setembro, bem como a apresentação de um cartaz eclético e variado, tentando assim se estabelecer como uma alternativa ao panorama festivaleiro da capital.

Foi referido ainda pelo painel a necessidade de maior entendimento conjunto das diversas entidades na calendarização dos grandes eventos e festivais, uma vez que em Portugal existe uma competição muito forte, sendo que no espaço de poucas semanas poderão ser programados eventos de cariz muito semelhante com grande proximidade geográfica.

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Fotos: Pedro Silva

De seguida o tópico “Notoriedade de uma marca através dos Festivais de Música”.
As marcas representadas referiram o aspecto de se identificarem e terem definido como target os festivais e eventos ao qual dão nome ou patrocinam directamente. A Vodafone com três festivais de características bastante distintas, o Rock in Rio, como patrocinadora principal, no qual têm a competência e escolha de programação do palco Vodafone. Também marcam presença através de naming do Paredes de Coura e ainda o Mexe Fest, num contexto mais urbano. A Sumol+Compal com o Sumol Summer Fest Ericeira, a RFM com o RFM Somnii na Figueira da Foz e a Heineken com a presença no palco Heineken do NOS Alive e também no Lisb/On.

Almudena Heredero, directora do Primavera Sound indicou que são muito cuidadosos com o aspecto de naming e branding no festival, sendo que pretendem dar foco exclusivo à experiência e conteúdo musical.

Ainda em modo conferência uma temática inovadora e interessante, “Novas Formas de Bilhética e Uso de Dinheiro nos Recintos dos Festivais“, que introduziu um conceito novo de comunicação e forma de registar transacções comerciais sem recurso a dinheiro vivo ou pagamento electrónico tradicional (cartões multibanco ou crédito).
Scott Witters, CEO da empresa Glownet, da Nova Zelândia, indica que no seu país, nos últimos anos, se tem vindo a registar uma adopção em larga escala de formas de pagamento cashless, ou seja, um meio de pagamento que não envolva directamente a passagem de dinheiro vivo ou electrónico nas transacções. Indica que em eventos de grande dimensão, a dependência excessiva de redes de dados de terceiros (WIFI/Internet das operadoras móveis) podem causar problemas sérios em caso de falha de rede/comunicação.

Irina Grade, do Festival Forte em Montemor -o-Velho, indicou que na passada edição foi implementada uma solução cashless com a ajuda da Glownet. Em determinados pontos do festival, dentro e fora do recinto (zona envolvente do castelo e campismo), encontram-se pontos de carregamento de cartões, onde é feito pré-pagamento de quantias determinadas (5, 10 eur), ficando assim o mesmo com um saldo atribuído. Todas as transacções comerciais, como a compra de merchandising, bebidas ou comidas, passam a ser efectuadas com esses cartões, bastando nos locais de venda o contacto do mesmo com equipamento de pagamento próprio. Isto permite desmaterializar e simplificar o processo de pagamento, assim como um aumento da segurança pessoal, sem necessidade de transporte de dinheiro / cartões bancários durante a realização do evento.
O festival fica também com um registo mais detalhado dos hábitos e padrões de consumos dos seus clientes, fornecendo assim oportunidade para uma melhor gestão de stocks, optimização de recursos e até mesmo relatórios mais detalhados aos patrocinadores do festival.

Na vertente mais profissional das apresentações, foi-nos apresentado pela Sociedade Advogados MLGTS um guia de “Direitos e Legislação de Eventos”, onde nos foi apresentada a legislação mais recente sobre direitos de autor, direitos conexos, obrigações e licenças dos promotores, classificação etárias dos espectáculos ou obrigatoriedade de informação detalhada nos bilhetes.

A empresa Cision efectuou uma apresentação sobre a “Importância dos Números Para Vender o Meu Festival”, referindo a importância de se efectuar um estudo muito detalhado de todos os factores (internos, externos, directos e indirectos) relacionados com o festival. Este mesmo estudo será um factor determinante na captação de investimento junto de potenciais investidores e sponsors.

Numa parte mais técnica, Suse Ribeiro, engenheira de som freelancer e professora, partilhou um pouco da sua experiência e práticas profissionais. Indica que a profissão de engenheiro / técnico de som não se encontra regulamentada em Portugal, não existindo uma uniformidade de condições, salários oferecidos nos diferentes eventos existentes em Portugal. Refere que é importante uma grande capacidade de adaptação, sendo que pode trabalhar num curto espaço em eventos de dimensões e condições muito diferentes.
Mostrou alguns setups de trabalho, ferramentas e workflow utilizados nos seus trabalhos, tanto em estúdio como ao vivo. Observa também que o nível de técnica e qualidade de profissionais em Portugal cresceu muito nos últimos anos, sendo que estamos ao nível de topo dos outros países (Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos).

Trabalha também muito com música clássica, principalmente no estrangeiro, uma vez que em Portugal existem poucos eventos de grandes dimensões no género, em que seja utilizada amplificação externa (outdoor, festivais). Refere que a aproximação a este estilo tem que ser bastante diferente, tanto a nível de material, técnica ou acústica.

VÊ AQUI COMO FOI O SEGUNDO DIA DO TALKFEST.