Hacker de Madonna, agora preso, é o mesmo de Björk

Tiago Varzim

O hacker responsável pelo leak do novo álbum de Madonna já foi preso e, segundo a investigação em curso, é o mesmo que obrigou Björk a lançar o álbum antecipadamente. “Rebel Heart” e “Vulnicura” não foram as únicas vítimas: a polícia acredita que o hacker invadiu vários computadores de artistas internacionais.

O FBI e a polícia israelita prenderam o homem responsável pelo leak – ocorrido no final do ano passado – do novo álbum de Madonna esta quarta-feira: o anúncio foi feito pela cantora que mostrou gratidão perante todas as entidades que ajudaram na resolução do caso. “Tal como outro cidadão, tenho o direito à privacidade“, argumenta Madonna referindo que este tipo de crime é uma “invasão” à sua vida “criativa, profissional e pessoal“, apelidando esta situação de “devastadora” e “bastante prejudicial“.

Capa de "Rebel Heart".

Capa de “Rebel Heart”.

Para além das músicas terminadas, o hacker teve acesso a informação pessoal e a fotos íntimas da cantora. O material confiscado ainda está a ser analisado pela polícia israelita. Segundo a BBC, o homem de 39 anos terá, desta forma, prejudicado a artista monetariamente num valor que pode ascender aos vários milhões de euros. Depois de o hacker ter divulgado as seis demos, Madonna apressou-se a lançar as versões oficiais digitalmente, meses antes do planeado, tal como explicou Guy Oseary, o manager da cantora.

O lançamento de “Rebel Heart”, o 13º álbum de estúdio de Madonna, foi antecipado para dia 10 de março. Um mês antes, a 8 de fevereiro, Madonna vai atuar nos Grammy’s com o primeiro single: “Living For Life”. Há colaborações de Nicki Minaj, Kanye West, Nas, Chance the Rapper e Mike Tyson e faixas produzidas por Diplo, Kanye West, Billboard, Avicii, DJ Dahi and Blood Diamonds, Ryan Tedder, Toby Gad, eAriel Rechtshald.

Caso Björk

Enquanto as editoras continuam a tentar encontrar a melhor maneira de combater os hackers, os leaks continuam a acontecer e a abalar a indústria musical. O caso mais recente é o de Björk e do seu novo álbum “Vulnicura”. Há editoras que ignoram, mas a resposta, em geral, tem sido antecipar o lançamento oficial do álbum, nem que seja digitalmente, e tornar as músicas disponíveis de forma legal para os fãs que, de outra forma, cedem à tentação de ouvir o leak. Uma das estratégias adotadas é encurtar o tempo entre o anúncio do álbum e o seu lançamento, prevenindo ataques informáticos.

vulnicura

Capa de “Vulnicura”.

Esta última estratégia foi a adotada pela editora de Björk, a One Little Indian: o anúncio de “Vulnicura” foi feito a 13 de janeiro com a data prevista de lançamento para março, mas nem isso preveniu o pior. Cinco dias depois, o álbum já estava online e a editora teve de reagir rapidamente: “A Björk queria que todo o álbum fosse lançado“, explica Derek Birkett, fundador da One Little Indian, à Billboard. Tal não foi possível por causa das licenças internacionais uma vez que um lançamento digital poderia afetar negativamente as vendas nas lojas. “Tivemos de mudar as empresas com quem íamos colaborar. Teve um grande impacto no nosso trabalho“, admite Birkett referindo-se às consequência do leak.

À medida que ia perdendo os acordos iniciais, Birkett ficou sem opções e acabou por disponibilizar o álbum no iTunes de forma exclusiva: “eu disse-lhes para darem destaque ao álbum porque seria um exclusivo deles (…) só depois é que percebi as implicações de ter dado o exclusivo ao iTunes“, termina.

EGITANA