Juszkiewicz, «Queria Tornar a Gibson na Nike da Música»

Juszkiewicz, «Queria Tornar a Gibson na Nike da Música»

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Henry Juszkiewicz, CEO da Gibson, admite que o seu plano para a Gibson falhou. Os vários problemas que a marca enfrenta na sua reestruturação.

Num artigo do Los Angeles Times, Juszkiewicz admitiu que sonhava tornar a Gibson na Nike do estilo de vida musical, confessando, no entanto, que esse plano saiu furado e que neste momento essa ambição foi colocada de lado. No artigo, o LA Times dá força aos rumores de que os investidores da marca exigem a cabeça do CEO, lembrando que a dívida a ser saldada este Verão se situa nos 560 milhões de dólares, o valor máximo se a Gibson falhar o pagamento de 375 milhões e for multada. O problema, a partir daí será que os empréstimos de financiamento e as condições de crédito de fornecedores se tornarão ainda mais exigentes, como reflexo. Há ainda mais restrições que também tornam mais caros materiais como o Rosewood – madeira crucial nos instrumentos de alta gama da marca.

Para as agências financeiras, os problemas de fundo podem ser relacionados com a filosofia da marca. A Gibson expressa bastante orgulho pelo facto de as guitarras serem exclusivamente construídas nos Estados Unidos. As acústicas na fábrica de Bozeman e as eléctricas em Nashville. As hollow body vêm de Memphis. Os modelos custom shop demoram cerca de um mês a serem construídos, com a produção a estar limitada a 60 instrumentos por dia. Juszkiewicz afirma que se trata de preservar a tradição da Gibson. Vale a pena lembrar, no entanto, que Juszkiewicz chegou a culpar a indústria de retalhe e consumidores “puristas”, que não acolheram bem inovações como o sistema G-Force ou a Burstdriver Les Paul, para nem falar na Robot, pelos problemas financeiros da marca.

Contudo, o CEO admitiu ao LA Times que o problema está relacionando com as aquisições falhadas empresa, «Demos por nós com um saco cheio de coisas e algumas delas faziam sentido, mas outras foram bastante desvantajosas». Nesse sentido, a Gibson desfez-se do software musical Cakewalk, que foi comprado pela BandLab, e da sua fábrica de Memphis, vendida por 14 milhões de dólares a empresas privadas, efectuou já despedimentos e está a focar-se em capitalizar os produtos da Philips, dedicados a consumidores áudio. Além das marcas KRK Systems, TASCAM, Cerwin-Vega!, Stanton, Onkyo, Integra, TEAC, TASCAM Professional Software e Esoteric.

A reestruturação financeira da marca é imperativa. Mas o ressurgimento enfrenta ainda um grande obstáculo: o afastamento dos distribuidores da marca. O artigo cita vários agentes da indústria, como George Gruhn, dono da loja de Nashville Gruhn Guitars, por exemplo, que refere: «É preciso suportar tanto lixo para ser um distribuidor Gibson que, simplesmente, não vale a pena». Uma ideia que, sabe a AS, faz eco entre distribuidores e lojistas portugueses. As exigências financeiras da marca, as margens de lucro reduzidas e a forma como tudo isto se reflecte nos preços finais, que afastam o consumidor, têm afastado as guitarras do nosso mercado.