Hildur Guðnadóttir, A Compositora de Joker

Hildur Guðnadóttir, A Compositora de Joker

Nero

Hildur Guðnadóttir, a compositora islandesa que criou a música de filme “Joker”, tornou-se na primeira mulher a vencer o Globo de Ouro para melhor banda-sonora. A sua carreira é extraordinária.

A noite dos Globos de Ouro teve lugar no passado Domingo. A 77ª edição tinha a música de Alexandre Desplat para “Little Women”, Thomas Newman para “1917” ou Hildur Guðnadóttir para “Joker”. No final, a violoncelista islandesa venceu o Globo de Ouro de Best Original Score, tornando-se a primeira mulher premiada nessa categoria, enquanto única compositora. Há quase duas décadas que uma mulher compositora não era galardoada.

“Joker” resulta da sua criação das atmosferas musicais densas e perturbadoras, com destaque para enervante parte no WC público ou para a memorável dança nas escadas, serviram na perfeição a queda do personagem para a profundidade da loucura.

Hildur não é uma novata no que respeita a composições cinematográficas. Tendo assinado, entre muitas outras, as bandas-sonoras de “Mary Magdalene” (onde também trabalhou com Joaquim Phoenix), “The Revenant” ou “The Arrival”. Na televisão assinou a música da aclamada série “Chernobyl”. As bandas-sonoras de “Joker” e “Chernobyl” já venceram prémios nos Satellite ou no Festival de Veneza. “Joker” também recebeu a estatueta das Academias (britânica e norte-americana) para melhor banda-sonora. “Chernobyl” venceu os Grammy Awards.

Hildur Guðnadóttir começou a tocar violoncelo ainda em criança, entrando para a Reykjaviík Music Academy. Mais tarde continuou os seus estudos enquanto música e compositora na Academia de Artes da Islândia e, posteriormente, na Universitat der Kunste, em Berlim, na Alemanha. Têm uma carreira intimamente ligada às artes do seu país, com inúmeras composições no teatro e bailado. Icelandic Symphony Orchestra, Icelandic National Theatre, Tate Modern, The British Film Institute, The Royal Swedish Opera in Stockholm e o Gothenburg National Theatre são algumas das instituições que já encomendaram trabalhos à compositora.

Na sua carreira enquanto artista solo, Hildur conta com quatro álbuns: “Mount A”, “Without Sinking”, “Leyfðu Ljósinu” e “Saman”. Tem tido um trabalho prolífico em colaborações com outros músicos islandeses, principalmente, com destaque para as suas recorrentes colaborações com os Mùm.

E, em 2019, ano em que assinou, precisamente, “Joker” e “Chernobyl”, trabalhou com os Sunn o))) no épico díptico “Life Metal” e “Pyroclasts”. Durante as sessões desses álbuns, Stephen O’Malley e Greg Anderson trabalharam extensivamente na moldagem dos seus sons, de forma a criar um espectro de energia mais amplo sobre a potente saturação de som que lhes é habitual. A dupla trabalhou em conjunto com Steve Albini e o resultado final é deveras impressionante. O som respira e oprime, oferece luminosidade e cor, mas também sombras. Sente-se sintético e orgânico.

Hildur, entre outras coisas, empresta a voz ao colossal tema “Between Sleipnir’s Breaths”.