Jamaica, Tokyo e Europa deixam o Cais do Sodré e mudam-se para o Cais do Gás

Jamaica, Tokyo e Europa deixam o Cais do Sodré e mudam-se para o Cais do Gás

Redacção

Em 2021, os três clubes históricos da Rua Nova do Carvalho (a Rua Cor-de-Rosa) – Jamaica, Tokyo e Europa – mudam-se para o Cais do Gás, o quarteirão atrás da Estação de Comboios do Cais do Sodré e ao lado da estação fluvial.

Jamaica, Tokyo e Europa voltam a revolucionar Lisboa: deixam o Cais do Sodré e mudam-se em simultâneo para o Cais do Gás. Os novos espaços recuperam armazéns frente ao Tejo, reactivando o universo noctívago de Lisboa. A era do Cais do Gás sucede à do Sodré.

O perfil dos clubes continuará sólido: os clássicos da pop-rock no Jamaica, concertos no Tokyo e a música electrónica no Europa. A inauguração é no final do ano. Até lá toda a mudança e um programa musical e cultural podem ser acompanhados em caisdogas.com e nas redes sociais.

A evolução resulta de um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa (CML), proprietária dos armazéns (em terreno da Administração do Porto de Lisboa). Os projectos de arquitectura e as obras são custeados exclusivamente pelos três clubes. A este investimento na recuperação de propriedade camarária acresce o pagamento à CML de uma renda. A autarquia beneficia, em valor patrimonial e em verba, de uma cifra de €2,3 milhões de euros. As obras arrancam em meados de Março e terminam em Novembro. A área bruta é de 675 metros quadrados, dividida em partes iguais (225) pelos clubes. As lotações máximas permitem 309 clientes no Jamaica, 235 no Tokyo e 322 no Europa. A inauguração está prevista para os últimos dois meses do ano, em data dependente das regras de salvaguarda da saúde pública.

Distantes de zonas habitacionais, justapostos a parques de estacionamento já existentes e a um minuto de todos os transportes, sem interferir na circulação rodoviária e sem descaracterizar a frente ribeirinha – não se aumenta a altura dos armazéns e, aliás, eliminam-se áreas que ocupavam indevidamente o espaço público –, os novos Jamaica, Tokyo e Europa no Cais do Gás respeitam os ritmos e hábitos da cidade. A própria saída da Rua Nova do Carvalho devolve tranquilidade à artéria onde funcionaram durante décadas.

Fernando Neto Pereira, sócio das estruturas donas do Tokyo e Jamaica, é o arquitecto que assina os projectos, e realça: «Tudo isto é positivo: coloca-nos na área designada pela câmara para a animação nocturna. Temos pena de deixar aqueles outros espaços, porque fazem parte da história de Lisboa, mas a história vai continuar no Cais do Gás e estamos contentes por isso».

Pedro Vieira, co-proprietário do Europa com Paulo do Carmo, sublinha a outra vantagem da nova localização – «Aproxima mais as pessoas do rio e isso é uma coisa boa» – e a mudança simultânea: «Os três clubes completam-se bem: conseguimos ser um todo que é muito mais que a soma das partes. Somos uma oferta consistente e forte».

Os espaços enriquecem o Cais do Gás, onde já existem o B.Leza desde 2012 e o Titanic Sur Mer desde 2015 (não esquecendo o pioneiro Bar do Rio, na década de 90). No Cais do Gás tudo foi pensado para expandir o carácter único de cada clube, mantendo a relação de equilíbrio. Isso reflecte-se também nos acessos (todos com controlo de segurança e múltiplas saídas de emergência). Tokyo e Jamaica têm entrada pela Rua da Cintura do Porto de Lisboa através de um pátio murado ao ar livre. Esta área dá admissão separada aos espaços interiores. O pátio funciona também como lounge e serve iniciativas várias, culturais e promocionais. O acesso ao Europa faz-se pela via ao lado do parque de estacionamento da estação fluvial; na fachada frente ao Tejo funcionará, em períodos específicos, uma esplanada.

OS CLUBS
O mítico Jamaica, que em 2021 celebra 50 anos, continua a ser o lugar por excelência para dançar ao som dos grandes temas da pop, do rock e do reggae. Todos os nomes fortes da música das décadas de 60-90 (e não só) passam pelos DJs deste clube. O acréscimo da lotação é significativo, mas a área acessível é adaptável para que, nos dias de semana com menor afluência, continue a ser o espaço acolhedor a que todos estão habituados. A programação passa a contar com períodos dedicados às artes plásticas: em colaboração com galerias da cidade serão convidados artistas para intervirem com obras de desenho e pintura mural concebidas especificamente para o Jamaica.

O palco do Tokyo, maior, expansível e tecnicamente dotado do melhor equipamento de som e luz, garante um dos mais impecáveis espaços de música ao vivo em Lisboa. A plataforma pouco elevada e a acústica cuidadosamente estudada conservam a intimidade do antigo palco com que público e bandas vibravam. A programação continuará a destacar músicos jovens, oferecendo uma base única para se lançarem junto da audiência da cidade, e as condições físicas e técnicas permitem um cartaz de referência com nomes nacionais e internacionais, consagrados e emergentes, cobrindo géneros musicais distintos. A pista de dança abre após os concertos.

O Europa segue a missão de diversidade enquanto um dos clubes underground mais respeitados do continente. A pista de dança aumenta, bem como o lounge. Na esplanada acontecerão as sessões Europa Sunset (que alternarão noutros pontos da cidade). O projecto internacional Trans Europa Express continua, consolidando o fluxo de DJs, músicos e produtores entre Portugal e outros países, nos dois sentidos. As sessões matinais Europa Sunrise regressam igualmente, na extensão do Europa no Bairro de Santos, no clube do n.º 26 do Pátio do Pinzaleiro.

O website caisdogas.com é a plataforma comum do Jamaica, Tokyo e Europa. Aqui e nas redes sociais pode-se acompanhar todo o processo até à abertura oficial e assistir à transmissão de DJ sets (Jamaica e Europa) e concertos (Tokyo) organizados nos espaços em obras.

EGITANA