José Afonso, Womex, Abba… Os Acontecimentos Próximos

José Afonso, Womex, Abba… Os Acontecimentos Próximos

Davide Pinheiro

Sob a forma de nuvens, as plataformas digitais vieram agregar um volume infinito de música mas continuam a subsistir alguns catálogos em falta. Um dos casos mais gritantes é o de José Afonso, até agora quase ausente dos serviços de streaming. A partir de 1 de outubro, os álbuns editados entre 1968 e 1981 começam a ser reeditados, quer em formato digital, quer em CD. O primeiro será “Cantares do Andarilho”, seguindo-se “Contos Velhos Rumos Novos”, a 29 de outubro, e “Traz Outro Amigo Também”, a 26 de novembro. Os três LP só estarão disponíveis a 26 de novembro devido aos problemas no fabrico de vinil, que têm afectado o mercado global. Em 2022, o ciclo de reedições continuará.

Já este ano, tinha sido editada digitalmente a canção “Coro da Primavera” e no início de Agosto, a RTP transmitiu um documentário no dia em que José Afonso faria 92 anos. As reedições e consequente chegada aos serviços de streaming podem representar uma aproximação entre uma obra essencial e gerações nascentes habituadas a estas formas de consumo e, porventura, uma recontextualização à luz de valores artísticos e políticos actuais. Por exemplo, na relação com África.

José Afonso defendia que “revolução cultural não é poder tocar em mais sítios”, mas antes “ir aos sítios e encontrar música de lá”. Este pode muito bem ser um dos mandamentos da primeira edição portuguesa do Womex. A feira internacional de exportação de música local realiza-se de 27 a 31 de outubro na Alfândega do Porto e acontece num período fervilhante da portugalidade em que se debate e se celebra uma nova visão da portugalidade, mais abrangente na geografia e inclusiva na identidade.

O evento dirige-se a profissionais como agentes, managers e editores, e chega a Portugal num momento de mudança nos centros de decisão em que culturas como as do centro de África, da América Latina e do Sul tomam proporções globais. Portugal quer entrar nesse comboio e nomes como Nenny, Pongo, Nídia, Dino D’Santiago, Branko, DJ Marfox e Nigga Fox, entre outros, têm construído pontes com o exterior e dessa forma, colocar Portugal no mapa de novos circuitos da globalização. São aguardadas 2800 figuras da indústria para visitar 300 stands. Ao longo de cinco dias e cinco noites, haverá showcases dividos pelo Coliseu do Porto, Rivoli, uma tenda na Praça D. João I, Casa da Música, Hard Club, Cinema Passos Manuel e os teatros São João e Sá da Bandeira.

Um dos produtores da chamada Afro-Lisboa mais ouvidos e requisitados pelo público é Deejay Telio. Impossibilitado de apresentar o álbum “D’Ouro”, decidiu apostar numa experiência online que será transmitida a 25 de setembro. A acompanhá-lo vão estar um grupo de bailarinos, e a produção envolverá cenários relacionados com a biografia do produtor. A Deejay Telio DGTL Experience será acessível de qualquer parte do mundo pelo preço de 3,5 euros.

Efemérides, memórias e imagens

Como já foi antecipado no roteiro de álbuns internacionais do ano, hoje foi editado “The Metallica Blacklist”, a homenagem de um pelotão de diferentes contigentes. Os trinta anos do Black Album dos Metallica justificam o tributo, mas a sua importância está muito para além da vénia. Este foi o álbum que catapultou o heavy metal para uma dimensão popular nunca antes conhecida, deixando portas abertas para contemporâneos como Pantera ou Sepultura gozarem de impacto e atenção inesperados em canais influentes da época como a MTV. 1991 não foi apenas um ano de rock, mas o rock foi determinante para fazer de 1991 um ano histórico e um pilar da década de 90. Black Album não pode ser descolado de um puzzle maior de peças determinantes como “Nevermind” dos Nirvana, “Ten” dos Pearl Jam, ou “Blood Sugar Sex Magik” dos Red Hot Chili Peppers, “Badmotorfinger” dos Soundgarden, “Temple Of The Dog” ou “Use Your Illusion I e II” dos Guns N’Roses.

Parece impossível, mas foram raríssimas as apresentações de “Love Supreme” de John Coltrane em palco. Uma dessas noites incomuns aconteceu em Seattle em 1965, ano seguinte à gravação do álbum histórico do jazz, e vai ser editada a 8 de outubro. “A Love Supreme: Live In Seattle” é um documento captado e guardado até agora pelo saxofonista Joe Brasil. Uma semana depois, a 15 de outubro, chegará à Apple TV + o documentário de Todd Haynes sobre os Velvet Underground. Além de entrevistas, o filme resgata imagens de arquivo, algumas delas inéditas. O trailer já por aí anda.

Um dos grandes acontecimentos deste final de ano é o regresso dos Abba. Don’t Shut Me Down e I Still Have Faith In You, os primeiros singles em quarenta anos, estão cá fora. A caminho, vem o álbum Voyage (5 de novembro) e o espectáculo Abba-Tars, no qual se apresentarão como…avatars, a partir de 27 de maio de 2022 numa arena construída para o efeito em Londres. Números, vendas, bilhetes esgotados e recordes à vista.

A maqueta original de “Riders On The Storm”, que se julgava perdida, é o isco da edição comemorativa do 50º aniversário de L.A. Woman. Além da mistura original, a reedição traz mais de duas horas de gravações inéditas. Para ouvir a partir de 3 de dezembro.

EGITANA