Mísia presta homenagem a Amália

Mísia presta homenagem a Amália

Nuno Ribeiro

“Para Amália” é o novo álbum duplo de Mísia, que será editado em Outubro, em homenagem à “Rainha do Fado”. Vai incluir 4 inéditos e a participação especial do ator Rogério Samora e da cantora espanhola, Martirio.

A ideia do álbum surgiu em junho de 2014, quando Mísia (nome artístico de Susana Maria Alfonso de Aguiar) apresentou no Festival de Fado de Madrid, o espetáculo “Tributo a Amália”, e em dezembro desse mesmo ano entrou em estúdio em Lisboa, acompanhada pelos mesmos músicos com que atuou em Madrid, Luís Guerreiro na guitarra portuguesa, Daniel Pinto, na viola e viola baixo, e Fabrizio Romano, ao piano.

A fadista do Porto disse que o novo álbum é «uma prenda a Amália Rodrigues», e salientou que para si, «foi importante ter mais de 20 de anos de trabalho num reportório próprio», antes de abordar o de Amália, apesar de já ter cantado temas da fadista, como “Lágrima” (Amália Rodrigues/Carlos Gonçalves).

«Fiz um trajeto meu, muito meu, com os meus poetas, os meus músicos, com a minha pesquisa, criando o meu próprio repertório e agora, depois de fazer o meu caminho, de mais de 20 anos, quis fazer algo inspirado no repertório de Amália», sentenciou a fadista.

O duplo álbum é constituído por um CD em que Mísia interpreta, acompanhada ao piano, as composições de Alain Oulman, e de alguns poetas eruditos que Amália gravou, e no outro CD, acompanhada à guitarra e à viola, o repertório mais tradicional da fadista, nomeadamente “À janela do meu peito”, “Flor de lua” e “Rosinha da serra de Arga”, do folclore minhoto.

Os temas novos são “Amália, sempre e agora”, de Amélia Muge, com música de Mário Pacheco, “Uma lágrima por engano”, de autoria da própria Mísia, com música de Fabrizio Romano, “Amália que não existo”, de Tiago Torres da Silva, na música de Carlos Gonçalves para “Que fazes aí Lisboa”, um poema que Amália gravou no seu último álbum de inéditos, “Obsessão” (1989), e “Madrinha de nossas horas”, de Mário Cláudio, na melodia tradicional do Fado Idanha, de Ricardo Borges de Sousa. O álbum inclui ainda o tema “María la portuguesa”, de Carlos Cano, que compôs para Amália, e com a qual gravou, e que Mísia interpreta com Martirio.

Amália Rodrigues aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX, faleceu em Outubro de 1999, com 79 anos. Encontra-se sepultada no Panteão Nacional, entre portugueses ilustres. Para Mísia «o papel de Amália não foi ainda suficientemente reconhecido e referenciado» na proclamação do Fado como património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO.

EGITANA