Moog Acusada de Discriminação, Abuso Verbal, Agressão Física e Misoginia

Moog Acusada de Discriminação, Abuso Verbal, Agressão Física e Misoginia

Redacção

A Moog Music, a famosa empresa de sintetizadores com sede em Asheville, Carolina do Norte, foi acusada de discriminação no local de trabalho, abuso verbal, agressão física e misoginia num novo processo federal de direitos civis. A Moog Music alega que as reivindicações são falsas.

Segundo o The Asheville Blade, a antiga assistente de vendas Hannah Green está a processar a empresa em mais de 1 milhão de dólares para «garantir que a Moog Music nunca mais faça isto a mais ninguém».

Hannah Green terá sido contratada como assistente de vendas em 2018 e como assistente pessoal do chefe de vendas e diz ter sido nomeada funcionária a tempo inteiro para gerir 20 contas, mas alega que o seu cargo nunca foi actualizado para reflectir as tarefas adicionais que lhe foram atribuídas para além da sua descrição de funções. Linda Lafferty, a então chefe do departamento de vendas da Moog, prometeu a Green uma mudança oficial de título.

Pouco depois de entrar para a empresa, Green diz ter concluído que a Moog Music é um «clube de rapazes». Afirma que o humor impróprio era comum, incluindo «piadas sobre pilas, piadas sobre golden showers e ainda sobre matar uma mulher numa reunião da equipa de vendas». Alegadamente, a administração não tomou qualquer medida quando Green denunciou tais condutas.

Em 2018, Linda Lafferty, então chefe do departamento de vendas da Moog, aparentemente mudou de funções para liderar o recém-formado Departamento de Experiência no Local de Trabalho, alegadamente o ramo de recursos humanos da Moog. Green afirma que os novos chefes do departamento de vendas a despojaram «imediatamente» da sua «presença previamente planeada e orçamentada na NAMM», o certame de instrumentos musicais em Anaheim, onde representaria o departamento de vendas da Moog, e em vez disso deram-na a Scott Brandon, o «mais recente empregado masculino que partilhava um título semelhante», mas que não geria quaisquer contas de vendas.

Quando Green verbalizou a sua insatisfação com as mudanças junto de Andrew Stryffeler, um dos seus novos supervisores, este terá dito: «Pensámos que gostarias de ser a mãe do departamento de vendas». Green relatou isto a Lafferty, do departamento de RH, que alegadamente respondeu: «Uau, isso é sexista!». No entanto, Green afirma que nada foi feito em relação a estes comentários. Depois disso, Stryffeler alegadamente despojou Green das «funções e tarefas atribuídas e [deu-as] a outros membros masculinos da equipa menos qualificados».

No mês seguinte, Hannah Green afirma que Scott Brandon foi promovido a um cargo de gestor de conta internacional. Refira-se que o regulamento interno da Moog afirma que um posto de trabalho deve ser partilhado internamente antes de se contratar um candidato. Após a promoção, Brandon terá começado a supervisionar Green, a verificar o seu cartão de ponto para a vigiar e a intimidá-la fisicamente, olhando por cima do ombro enquanto ela trabalhava, tecendo ainda comentários «sobre como ela conduzia os seus deveres e tarefas», apesar de não ser o seu supervisor, relata Blade.

Green também acusa Brandon de fazer comentários misóginos, tais como: «Consegues sequer viajar? Quer dizer, tens filhos e uma família. Alguma vez pensaste nisso?». Green diz ter relatado estas declarações pessoalmente e por escrito ao Departamento de Experiência no Local de Trabalho, mas, mais uma vez, não foi tomada qualquer medida.

DESPEDIMENTO POR RETALIAÇÃO

O processo judicial também alega que Scott Brandon agrediu verbal e fisicamente Hannah Green num evento de trabalho chamado MOOG Pro. O caso é descrito como uma situação violenta, com a duração de quase uma hora, em que Brandon gritou a Green, chamando-a de «mentirosa de merda» e afirmando que ela «nunca subiria no departamento de vendas». Green afirma que, durante esse episódio, Brandon lhe pôs as mãos. No processo é também alegado que quando Green falou disto ao supervisor na manhã seguinte foi-lhe negado o acesso a um evento de trabalho planeado para mais tarde nesse dia.

Green alega que a «única preocupação» de Lafferty como chefe do departamento de RH era se algum cliente tinha visto ou não o episódio e afirma que Brandon seria «despedido imediatamente» se fosse esse o caso. Ao invés, Brandon foi designado para trabalhar em casa durante uma semana, a sua secretária foi afastada da dela, foi-lhe ordenado que não exibisse um comportamento violento ou controlador em relação a Green, e foi-lhe dito que não mostrasse qualquer autoridade para com Green no local de trabalho.

Durante os seus últimos meses na Moog, Hannah Green afirma que os seus deveres foram baralhados de forma absurda, novos cargos foram-lhe prometidos mas nunca cumpridos, e acabou por ser despedida por retaliação por afirmar os seus direitos. «Penso que as mulheres sempre tiveram de lidar com um certo nível de misoginia no local de trabalho, parte dela era sempre esperada, por isso ficamos entorpecidas com esta ideia de que podemos e devemos ser tratadas de forma justa pelos nossos empregadores», disse Green. «Depois de ver toda a documentação empilhada à minha frente, percebi que tinha de fazer algo para garantir que a Moog Music nunca mais fizesse isto a ninguém».

Hannah Green apresentou queixa no tribunal federal em Março deste ano. O documento sustenta que a Moog Music violou repetidamente os seus direitos civis e cita múltiplas instâncias como prova, incluindo duas discriminações diferentes com base no sexo. Alega também violação de contrato, angústia emocional, retaliação e rescisão injusta. «Como resultado destes actos discriminatórios, violação de contrato e aflição negligente de angústia emocional, a Sra. Green procura uma quantia superior a $1,1 milhões de dólares em danos compensatórios e punitivos mais os honorários e custos do advogado», sublinha o advogado de Green, Sean Soboleski.

O caso chegou, entretanto, à Moog Music, que emitiu uma declaração como resposta. A empresa «nega categoricamente estas alegações, que são falsas» e diz que só pode comentar «alguns dos factos», notando ainda que Green apresentou uma acusação de discriminação à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos EUA, que posteriormente investigou e indeferiu a queixa.

COMUNICADO DA MOOG

«Esta declaração diz respeito a alegações não fundamentadas feitas no âmbito de um artigo online que apareceu recentemente no Asheville Blade. O artigo detalha supostos incidentes de uma ex-funcionária da Moog Music que apresentou uma queixa contra a empresa alegando discriminação e retaliação. A Moog nega categoricamente estas alegações, que são falsas. O autor do artigo da Asheville Blade não contactou a Moog Music nem nos deu a oportunidade de comentar, responder ou refutar qualquer uma destas falsas alegações.

Dado que o assunto está sujeito a litígio pendente, só podemos comentar alguns dos factos. Primeiro, esta antiga funcionária apresentou uma acusação de discriminação à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos EUA (EEOC), e a EEOC investigou e indeferiu posteriormente a queixa. Em segundo lugar, a Moog Music conduziu a sua própria investigação interna e concluiu que as alegações relativamente à discriminação e retaliação não tinham fundamento.

Reconhecemos que a discriminação e os abusos são demasiado comuns nos locais de trabalho em todo o mundo e somos aliados daqueles que experimentaram estes comportamentos indesculpáveis. Confiamos que as pessoas que conhecem a nossa organização, estiveram nas nossas instalações e interagiram com os nossos funcionários, sabem que são pessoas amorosas e respeitosas. A nossa liderança executiva (50% de mulheres/média de ocupação feminina ~9 anos) continuará a concentrar-se em proporcionar um ambiente seguro e nutritivo aos nossos funcionários e não terá mais nada a dizer sobre este assunto até que o litígio esteja finalizado».

Enfrentamos tempos de incerteza e a imprensa não é excepção. Ainda mais a imprensa musical que, como tantos outros, vê o seu sector sofrer com a paralisação imposta pelas medidas de combate à pandemia. Uns são filhos e outros enteados. A AS não vai ter direito a um tostão dos infames 15 milhões de publicidade institucional. Também não nos sentimos confortáveis em pedir doações a quem nos lê. A forma de nos ajudarem é considerarem desbloquear os inibidores de publicidade no nosso website e, se gostam dos nossos conteúdos, comprarem um dos nossos exemplares impressos, através da nossa LOJA.
EGITANA