NEOPOP 2019: Underworld, Amelie Lens e Richie Hawtin entre as primeiras confirmações

NEOPOP 2019: Underworld, Amelie Lens e Richie Hawtin entre as primeiras confirmações

Redacção

De 7 a 10 de Agosto, o maior festival de música electrónica do país regressa, a Viana do Castelo, para a sua 14ª edição, fazendo novamente da cidade minhota a capital nacional do techno.

São 4 dias ao longo dos quais desfilarão, por entre 4 palcos, (Neostage, Antistage, Teatro Sá de Mirada e Parque Campismo), alguns dos nomes mais importantes da música de dança da actualidade: Underworld (live), 2Jack4U (live), Amelie Lens, Ben Klock, DVS1, John Digweed, Lokier, Maceo Plex, Rebekah (live), Richie Hawtin, Surgeon (live) e The Advent live 90’s set. 

Desde cedo na vanguarda da cena techno underground dos anos 90, os Underworld despontaram definitivamente em 96 quando o hino intemporal “Born Slippy (Nuxx)” se tornou a banda sonora de uma geração, após ter corrido mundo nas telas de Trainspotting. O sucesso deste single colocou-os no coração do mainstream, e nas duas décadas que se seguiram vimos-lhos reforçar o estatuto de banda incontornável de uma sonoridade que atingia então uma escala global: milhões de álbuns vendidos, concertos esgotados, criação de temas para realizadores premiados pela Academia de Hollywood (Anthony Minghella e Danny Boyle), exposições em galerias de arte, ou a composição musical para a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

Com largas dezenas de registos, entre álbuns, EPs ou gravações ao vivo, os Underworld regressam à sua melhor forma em 2016, com o álbum “Barbara Barbara, we face a shining future” – nomeado para os Grammy e a dupla a figurar como cabeça de cartaz no Coachela, Glastonbury ou Summer Sonic – e, mais recentemente, com “Drift EP 1 & 2” a embarcam numa viagem sem destino marcado. Chegou agora a vez de recebermos a banda que apaixona gerações!

Coleccionadores ávidos de máquinas analógicas e exploradores sónicos por natureza, André e Rubina (2Jack4U) são uma locomotiva capaz de puxar para o centro da pista até o mais empedernido dos dançarinos. Têm a acid-house como força motriz para criar música que parece capaz de chegar a qualquer lado num piscar de olhos – basta que assim lhes apeteça. E desengane-se quem acha que um só género os define: no âmago da dupla, sobressai o espírito aventureiro muito próximo de um rocker para quem dançar é vital.

São poucos os nomes que conhecemos cuja ascensão aos altos patamares da cena electrónica se tenha dado de forma tão meteórica como o de AMELIE LENS. No início esteve o EP “Exhale”, que chegado aos ouvidos de Pan-Pot os levou a recrutar a artista belga para a sua Second State. Desde então, Amelie Lens tem vindo a figurar nos maiores eventos internacionais, impressionando pela forma como conjuga um techno de passado distante com as últimas tendências, com baixos pesados e batidas despojadas, sem nunca ser duro, e levando-nos a ser contagiados pela sua imensa energia em palco. Amelie Lens estreia-se no Neopop Festival.

Longe vão os anos em que falávamos da cena underground berlinense, das caves sombrias e das centenas de adeptos em redor dessa cultura musical. Hoje, Berlim é referenciada como a Meca do techno, o Berghain como seu templo, e são centenas de milhar que acorrem todos os anos à cidade em busca do hedonismo prometido. Como residente do Berghain, desde a sua abertura em 2004, BEN KLOCK ajudou a definir a linha musical do clube, assim como a da cidade, com longos sets de um techno hipnótico e arrebatador, capaz de agrilhoar o seu público da primeira à última batida, criando momentos de tensão e outros efusivos, contando histórias como poucos se podem gabar de o fazer. Esperemos que nunca mude.

Imbuído no espírito acid que, no início da década de 90, assolava a Big Apple, foi em Minneapolis que Zak Khutoretsky, mais conhecido por DVS1, se veio a estabelecer e definir a sua sonoridade. Queria abalar as estruturas da cidade, com o próprio sistema de som e com o techno que, em meados dos anos 90 o inspirava. As festas Hush tornaram-se célebres e um movimento undeground em torno delas começava a formar-se. Hush acompanha-o até hoje, dando nome ao estúdio por si fundado e que abriga uma série de jovens artistas, à empresa de som já encerrada, e à própria editora que desde 2013 funciona a par com a Mistress Recordings.

É unanimemente considerado o grande pioneiro na divulgação do house progressivo. Com Nick Muir, construiu uma parceria de estúdio que deu origem ao projecto editorial Bedrock Records responsável por algumas das mais relevantes edições da cena house. Os dj mixes“Transitions” elevaram o género a um culto mundial reflectido no programa radiofónico semanal homónimo com uma audiência de 14 milhões de ouvintes em 45 países. Os 20 anos de uma sólida carreira, as dezenas de produções, remixes e dj  mixes, a forma como gere a Bedrock, e um calendário constantemente repleto de actuações, fazem de JOHN DIGWEED um dos mais respeitados nomes da música de dança dos nossos tempos.

LOKIER é uma jovem produtora e DJ mexicana que paulatinamente tem percorrido o caminho que a leva de promessa a certeza no seio da música de dança internacional. Juntando várias correntes da electrónica num mesmo set, Lokier passeia-se entre o pós-industrial, EBM, electro ou italo disco, com uma desenvoltura ao alcance de poucos artistas, deixando-nos pregados à pista e rendidos à sua mestria. Estreia-se no Neopop Festival.

O artista americano, a viver em Barcelona, tem vindo a expor o seu universo sonoro multifacetado através de uma série de personagens que nos transportam para o lado mais negro e complexo do techno(Maetrik), os ritmos lentos e quebrados do IDM e electro (Mariel Ito) ou o house groovie, pop e profundo de MACEO PLEX. Não é, pois, de estranhar que o evento que criou  em Ibiza – Mosaic by Maceo – lhe tenha valido a distinção Ibiza Party Of The Year 2016 nos DJ Awards. É esta sua capacidade de esbater géneros e agregar diferentes nichos que o torna um dos nomes maiores do djing mundial, com sets onde o techno e o deep house, o synth-pop ou o electro, convivem de forma harmoniosa para agrado das assistências.

REBEKAH entrou nos catálogos de referências com a CLR ou Soma onde editou o revigorante “Fear Paralysis”. Concebe autênticas experiências imersivas em redor do techno onde, para além do sistema de som, o desenho de luzes e toda a componente visual assumem um papel fulcral na construção de um todo singular. Uma artista na verdadeira acepção da palavra que, este ano, nos presenteia com um live actpossante, intenso e, sem dúvida, inovador.

É hoje impossível falarmos de música electrónica, e da sua evolução ao longo das últimas três décadas, sem referir RICHIE HAWTIN. Foi fundamental na revolução minimalista do techno de Detroit quando os pioneiros do género encontravam na Europa terreno fértil para propagação do género. Na motor city organizou as primeiras festas, criou a Plus 8 com John Aquaviva e desdobrou-se em projectos como F.U.S.E., Concept 1 ou Plastikman. O recente espectáculo “Richie Hawtin Close – Spontaneity & Synchronicity“, estão aí para nos mostrar, uma vez mais, o porquê de de se considerar um dos mais vanguardistas e visionários artistas do nosso tempo.

É a partir de Birmingham que Anthony Child dissemina um techno robusto, obscuro e industrial, mas pleno de funk, swing e um sofisticado dub espacial, bebido dos seus contemporâneos berlinenses da Chain Reaction, e que viria a influenciar o que hoje denominamos de Ostgut/ Berghain sound. Encontramos esses registos em casas como a TresorSoma ou Downwords, mas também nas suas Counterbalance e Dynamic Tension. Em palco, SURGEON privilegia a experimentação recorrendo a hardware de forma criativa e baseada na intuição, onde o techno surge como veículo para transmitir o seu pensamento artístico, num todo coerente e intenso, tanto do nosso agrado.

Meados dos anos 80, Londres. A explosão acid house moldava a cena electrónica na capital britânica e o português Cisco Ferreira iniciava, então, o trajecto que nos anos seguintes o levaria ao reconhecimento mundial enquanto precursor de um techno cru e enérgico, a solo como THE ADVENT ou ao lado de Colin McBean aka Mr. G., apresentando live acts maquinais não tão comuns à época. The Advent viu-se, recentemente, recrutado para a Klockworks de Ben Klock, tendo sido catapultado para junto de um público pouco ou nada familiarizado com a sua obra. Porque, com lemos algures, The Advent representa tudo o que aprendemos a amar no techno, sem o circo que aprendemos a aceitar. Em estreia absoluta no Neopop 2019!

Os passes para os 4 dias têm um preço de 85€.