O Último Telefonema de Kurt Cobain Para Pat Smear

O Último Telefonema de Kurt Cobain Para Pat Smear

Redacção

Na semana em que se cumprem 27 anos desde a morte de Kurt Cobain, recuperamos o testemunho emocionado do guitarrista Pat Smear, que o acompanhou na sua última ida ao hospital, em Roma, um mês antes de Kurt ter cometido suicídio.

A morte de Kurt Cobain, o ídolo de uma geração, resultou em autênticas ondas de choque por todo o mundo a 5 de Abril de 1994, quando o líder dos Nirvana perdeu a sua batalha contra a saúde mental e, tragicamente, tirou a sua própria vida.

Na altura, os Nirvana eram a maior banda do mundo e pareciam imparáveis, mas o desaparecimento de Kurt acabaria de repente com a história da banda de “Nevermind”. Sem Cobain, não havia Nirvana, e fazer música era agora a última coisa na mente dos restantes músicos.

Pat Smear só se tinha juntado ao grupo em 1993 como guitarrista ao vivo, mas imediatamente se encaixou na sua formação e tem sido uma figura (quase) sempre presente ao lado de Dave Grohl nos Foo Fighters desde a sua formação, em 1994. Apesar de ter tocado com os Nirvana durante pouco tempo, Smear construiu uma ligação especial com Cobain, e o último telefonema que recebeu do ícone de uma geração continua a ser uma memória viva – e dolorosa – para o guitarrista.

A banda de Pat Smear, The Germs, foi uma espécie de modelo para os Nirvana enquanto estes ‘cresciam’, e foi uma revelação para os músicos quando descobriram que Cobain gostava deles tão fervorosamente. Dada essa ligação, fazia todo o sentido aproveitar a oportunidade para Smear se juntar ao grupo que na altura liderava o rock à escala planetária.

«Foi um telefonema inesperado de Kurt. Eu era um fã, como toda a gente. Tinha lido uma entrevista com eles não muito tempo antes de ele me telefonar, onde disse que os Nirvana estavam sempre destinados a ser quatro pessoas. E pensei: “Uau, eu quero fazer parte. E depois aconteceu», conta Pat Smear.

Contudo, o sonho dos Nirvana era um contraste com a realidade, e o stress de estarem numa banda tão grande pesava-lhes na mente, especialmente na de Cobain. Já não eram apenas uma banda, eram uma instituição, uma empresa que agora precisava de ganhar dinheiro para outras pessoas, algo que nunca agradou a Cobain, que ficava completamente exausto quando estava em digressão.

«Kurt decidiu que queria uma pausa», explica Smear no documentário dos Foo Fighters, Back & Forth. Durante a pausa na última digressão dos Nirvana, do álbum “In Utero” – que passou por Lisboa -, Dave Grohl foi para casa, mas Pat Smear ficou na Europa e estava em Roma quando Cobain sofreu uma overdose apenas um mês antes da sua morte.

«Fui com ele ao hospital», recorda Smear. «Não sabia o que fazer, digo que é o Kurt Cobain e peço para cuidarem dele imediatamente? Ou digo que é apenas um tipo qualquer para não chamarem a imprensa… Finalmente, fiquei-me pela primeira opção». Smear levou Cobain ao hospital naquela noite e garantiu que este recebia tratamento preferencial, o que ajudou a salvá-lo da morte.

Infelizmente, apesar de Smear ter assegurado que Cobain sobrevivia a este susto, apenas um mês depois, o líder dos Nirvana faleceria em Seattle. «Foi realmente triste», recorda Smear. «Tinha uma mensagem de Kurt, mas eu não estava em casa, por isso… não o pude ajudar. Aquela foi a última vez que falei com ele ou o vi», acrescenta Smear, emocionado.

O vídeo que se segue mostra que Smear ainda sente culpa por não estar em casa naquele dia. Toda a experiência em torno da morte de Cobain foi um momento traumático para todos os envolvidos, pois todos questionavam se poderiam ter feito algo mais para o ajudar. Infelizmente, esses pontos de interrogação irão pairar fortemente sobre a cabeça de todos durante muito tempo… Ou talvez para sempre.

EGITANA