R.I.P. Florian Schneider [ex-Kraftwerk]

R.I.P. Florian Schneider [ex-Kraftwerk]

Redacção

Fundador do grupo alemão faleceu aos 73 anos.

A informação foi confirmada pela revista Billboard, no entanto a causa da morte não foi ainda revelada. Em 1970, Florian Schneider fundou os lendários Kraftwerk com Ralf Hütter. Schneider abandonou o projecto em 2008, mas fez parte da formação que gravou os álbuns como “Autobahn” (1974), “Trans-Europe Express” (1977) ou “The Man-Machine” (1978).

Pioneiros, se não mesmo os inventores, do que se pode comummente designar como música electrónica (o que hoje em dia abrange um largo espectro, desde do EDM plástico e preguiçoso de um David Guetta até ao funk robotizado de uns Daft Punk ou Justice, passando por todo o experimentalismo de uns Radiohead), os Kraftwerk sempre foram aquela coisa estranha que emergia das cinzas de uma Europa central destroçada e espartilhada e nos mostra a imagem do futuro.

São os verdadeiros ubermenschen alemães, homos pós Auschwitz, despojados de partes orgânicas, e abraçando a implantação cibernética. Quatro rapazes imaculadamente teutónicos, desde os fatos e gravatas clean cut até ao cabelo à Ken. Que fazem músicas sobre modelos e auto estradas. Há ali muito humor, mas é completamente implícito, subentendido e desprendido. Germânico portanto.

Vindos de uma terra que não tinha ou tem muita tradição de pop rock (na Europa esse lugar está reservado ao Reino Unido), puderam no entanto beber de uma herança rica de vanguardismo, experimentação e polifonia. Devendo assim mais a Stockhausen do que à tradição folk, os Kraftwerk inventaram o futuro e este era agora. De certa forma a influência deles está mais entranhada no tecido musical actual do que a do quarteto de Liverpool.