R.I.P. José Mário Branco

R.I.P. José Mário Branco

Redacção

Morreu José Mário Branco. O músico, cantor, produtor e voz da Revolução tinha 77 anos.

Em 1942, o Porto viu nascer um dos grandes, dos maiores, nomes da música portuguesa, José Mário Monteiro Guedes Branco. Hoje de manhã a sua morte foi confirmada à agência Lusa pelo seu manager, Paulo Salgado.

No entanto, a causa da morte ainda não é conhecida, nem o local onde morreu. Foi necessariamente algo inesperado, já que não lhe era conhecida qualquer doença grave.

Ícone da música portuguesa e um dos seus mais importantes compositores de sempre, foi uma das mais destacadas vozes no período da Revolução de Abril de 1974. No período antes da queda do Antigo Regime, fez-se membro do Partido Comunista Português, foi perseguido pela PIDE e forçado a buscar exílio fora do país, como vários outros. Regressou ao nosso país precisamente em 1974. No bolso trazia um monumento gravado e editado em Paris, em 1971, o seu extraordinário álbum de estreia, “Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades”.

Há quem chame a esse disco o “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” da música portuguesa. Não é um álbum pontuado por psicadelismo, mas o sentido de fusão e experimental que denota – com as miscigenação de estéticas provenientes do fado, do folk (mesmo duma estética medieval) e do blues – tornam-no num marco de composição e som na história da nossa música. A mensagem do disco, pode ter perdido o destinatário original, mas mantém todo o seu vigor e pertinência.

Em 2017, comemorou 50 anos de carreira, tendo sido editados os álbuns “Inéditos”, com material inédito em disco ou fora do catálogo, e “Canções Escolhidas”, uma escolha de 16 temas, organizados cronologicamente, que o próprio José Mário Branco definiu como «um possível primeiro contacto» ou «ao encontro dos “tempos que correm”, das pessoas que desconhecem ou conhecem mal a minha obra e das muitas que nem sabem que eu existo».

Como produtor musical, destaca-se o seu trabalho, por exemplo, com Camané ou Amélia Muge. E, claro, com Zeca Afonso. Mas o seu impacto na cultura portuguesa não foi somente delimitado pela música. José Mário, foi fundador do Grupo de Ação Cultural (GAC), fez parte da companhia de teatro A Comuna, fundou o Teatro do Mundo e a União Portuguesa de Artistas e Variedades.