Raghad Haddad, Viola Síria

Raghad Haddad, Viola Síria

Nero

«Tocar música é a única coisa que posso fazer. A minha terra está dilacerada e desejo curá-la de qualquer forma possível».

Poucas horas após o anúncio de cessar-fogo “humanitário”, por parte da Rússia, sucederam novos bombardeamentos a este de Ghouta, enclave das forças rebeldes sírias. Esta acção tem lançado dúvidas sobre a real influência de Moscovo sobre Bashar Al-Assad e sobre a sinceridade nas intenções de reduzir a violência sobre um povo fustigado por vários anos de guerra.

Sucedem-se as histórias sobre os atentados aos direitos humanos e sobre as miseráveis condições em que se encontram tantos refugiados. Há também histórias de esperança, caso de Raghad Haddad, música que conseguiu refúgio no Reino Unido, apaixonada pela viola, e que fará parte do concerto que terá lugar a 1 de Março, em St John’s Smith Square, com a London Phoenix Orchestra. As receitas do concerto serão atribuídas ao fundo “Help Refugees”.

Haddad será uma das solistas no concerto. A executante de viola nasceu na Síria e estudou o seu instrumento no Higher Institue of Music em Damasco. Após a conclusão dos estudos, tornou-se professora de viola no mesmo instituto e juntou-se à Syrian National Symphony Orchestra. Em 2016, a orquestra realizou uma digressão europeia, incluindo a presença em Glastonbury, após a qual Raghad Haddad e outros oitos colegas músicos pediram asilo político junto do controlo de fronteiras britânico. Num artigo da Classic FM, Haddad recorda o momento: «Decidi ficar no Reino Unido para sentir mais segurança. Não tínhamos boas condições na Síria, a vida era insegura e, infelizmente, continua insegura. Lamento imenso pelos amigos e a minha família que ainda se encontra lá».

Sobre o concerto, Haddad espera que ajude a despertar mais consciências para a situação dos refugiados e daqueles que ainda vivem na Síria. «É reconfortante evocar o povo sírio e desejar-lhe paz, através da música. Tocar música é a única coisa que posso fazer. Não é fácil sentir cada uma das situações, mas é importante passar a seguinte mensagem: a minha terra está dilacerada e desejo curá-la de qualquer forma possível».

Mais detalhes sobre o concerto (e bilhetes, no caso de estarem por Londres) no link.