Maior Transparência, Spotify Lança Loud & Clear Para Evitar Mais Protestos

Maior Transparência, Spotify Lança Loud & Clear Para Evitar Mais Protestos

Redacção

A iniciativa Loud & Clear promete mais transparência e surge na sequência dos protestos mundiais contra a política de pagamento de royalties do Spotify.

O Spotify anunciou a “Loud & Clear”, uma nova iniciativa que visa mais transparência no pagamento de royalties, apenas alguns dias depois da campanha “Justice at Spotify”, organizada em todo o mundo, com protestos à porta dos escritórios da empresa exigindo um cêntimo por stream, contratos transparentes, um modelo de pagamento centrado no utilizador e o fim dos processos judiciais contra os artistas.

A boa notícia é que o website da Loud & Clear fornece uma visão geral sobre a forma como os pagamentos são distribuídos. No novo site da plataforma, que paga cerca de 2/3 dos seus ganhos aos titulares de direitos, há também algumas estatísticas concebidas para contextualizar os números de streaming.

Por exemplo, em 2020, cerca de 13.400 catálogos de artistas geraram pelo menos 50.000 dólares em direitos de autor. Destes, aproximadamente 7.800 catálogos ganharam mais de $100.000 e 870 ultrapassaram $1 milhão de dólares.

Sobre a questão do pagamento de um cêntimo por stream (o Spotify paga actualmente a alguns artistas algo como $0,0038 por stream, colocando-se entre as taxas mais baixas de qualquer plataforma), no site Loud & Clear é explicado que «na era do streaming, os fãs não pagam por canção, por isso não acreditamos que uma taxa “por stream” seja um número significativo a analisar».

Em vez disso, a empresa aponta para os 5 mil milhões de dólares que pagou aos titulares de direitos em 2020 como prova de que o «Spotify gera mais dinheiro para os titulares de direitos do que qualquer outro serviço de streaming». Quanto às outras exigências plasmadas na campanha “Justice at Spotify”, Loud & Clear é silenciosamente opaco.

Desde o lançamento da campanha “Justice at Spotify” no Outono passado, a plataforma correu rapidamente na direcção oposta e até anunciou um novo tipo de pagamento em Novembro, oferecendo-se para impulsionar a colocação do algoritmo dos artistas em troca de royalties reduzidos.

A empresa também obteve uma patente para monitorizar o discurso dos utilizadores, e anunciou um novo nível de alta fidelidade e expansão para 80 novos mercados. Entretanto, os concorrentes da Spotify estão a elevar a fasquia para o consumo ético de música.

No início deste mês, o SoundCloud anunciou um modelo de pagamento de royalties “movido a fãs”, que foi concebido para satisfazer as necessidades dos artistas independentes.

Enfrentamos tempos de incerteza e a imprensa não é excepção. Ainda mais a imprensa musical que, como tantos outros, vê o seu sector sofrer com a paralisação imposta pelas medidas de combate à pandemia. Uns são filhos e outros enteados. A AS não vai ter direito a um tostão dos infames 15 milhões de publicidade institucional. Também não nos sentimos confortáveis em pedir doações a quem nos lê. A forma de nos ajudarem é considerarem desbloquear os inibidores de publicidade no nosso website e, se gostam dos nossos conteúdos, comprarem um dos nossos exemplares impressos, através da nossa LOJA.

EGITANA