SWR 22, O Negrume Lusitano

SWR 22, O Negrume Lusitano

Redacção
Martelo Negro

Do novo álbum dos Martelo Negro à rebaldaria grind dos Serrabulho. Eis os sequazes lusos do Grande Bode que subirão a palco no SWR Barroselas Metalfest.

Contando já com mais de duas décadas de existência, o SWR BARROSELAS METALFEST já se transformou há uma série de anos num ponto de paragem mais que obrigatória para todos os fãs do heavy metal e seus subgéneros mais extremos. A edição deste ano, que decorrerá de 26 a 28 de Abril, promete, como já vem sendo habitual, reunir uma legião de headbangers proveniente dos quatro cantos do mundo na pacata vila minhota, localizada no distrito de Viana do Castelo. Com muita, mesmo muita, oferta no que às sonoridades mais pesadas diz respeito – são mais de 50 bandas distribuídas pelos três palcos localizados no recinto – estão reunidas todas as condições necessárias para mais uma edição daquelas para mais tarde recordar.

Entre o retorno de várias glórias incontornáveis do cenário de peso como SAINT VITUS, GODFLESH, BENEDICTION, THE BLACK DAHLIA MURDER ou VOMITORY e várias estreias há muito desejadas em território nacional, entre elas as dos MIDNIGHT, CRAFT, DEMILICH e DEAFKIDS, entre outros, o SWR BARROSELAS METALFEST continua a crescer como incubadora do que de mais interessante se passa no campo do extremismo sónico e torna inegável o carácter incontornável de um certame que, ano após ano, vai ficando cravado na memória dos fanáticos.

Assim, mais de duas décadas depois de ter visto nascer o fenómeno, a pequena Barroselas vai acolher uma verdadeira mostra do que de melhor se faz nos dias que correm em termos de peso underground em todas as suas vertentes. Estas são as propostas nacionais, nas palavras da SWR Crew…

MARTELO NEGRO

“UGH!” Sentes essa falta de Hellhammer? Ou Celtic Frost? Os representantes locais desse grunhido primordial, os Martelo Negro, estão finalmente de regresso ao SWRBarroselas Metalfest, após um período de relativo silêncio que se seguiu ao lançamento do mui laudado álbum “Equinócio Espectral” e respectivos concertos de promoção, entre os quais a diabólica passagem pelo festival em 2014, onde deram um concerto que a AS destacou como um dos melhores não só dessa edição como da história do SWR. A banda tem estado encerrada na sua masmorra nos últimos meses, a conceber “Parthenogenesis”, o novo álbum que irá ser editado a 17 de Abril.  Preparem-se os incautos, porque a natureza arcaica que define o seu thrash/black permanece intocada, como facilmente podem confirmar nos temas já disponíveis: “Rameira Necromante” e “Orgias Iniciáticas”.

MORTE INCANDESCENTE

Neste projecto criado nos idos de 2002, Nocturnus Horrendus e Vulturius, dois dos mais activos e influentes músicos do underground extremo lusitano, regressam aos tempos antigos do black metal, e a uma altura em que a densidade e a pureza eram ainda uma constante na “cena”. Em álbuns como “Coffin Desecrators”, “…Relembrando Um Túmulo Esquecido” ou “…o Mundo Morreu!”, os Morte Incandescente transportaram o ouvinte para o passado – ainda bem presente na memória dos fanáticos mais puritanos – através de composições que não pretendem romper fronteiras, limites ou seja o que for, mas sim invocar o pensamento intemporal de que o black metal ainda permanece puro na sua forma mais arcaica para um selecto grupo de pessoas que nunca deixaram de acreditar na essência antiga. Música profana e angustiante, odiosa e melancólica em partes iguais, sempre transbordando uma essência ardente, indiferente a definições humanas e convencionais de “paixão”.

ANALEPSY

Uma das jovens bandas de maior sucesso no underground nacional, os ANALEPSY surpreenderam toda a gente ao enveredar por um género muito específico onde há cada vez menos margem de manobra e mostrarem que ainda assim é possível elaborar uma personalidade única. Sem reinventar a roda, o death metal brutal do quarteto lisboeta é refrescante, ágil, e muito diferente de outras tentativas menos criativas, digamos assim, que todos já tivemos que aguentar. Depois de um EP muito promissor em 2015 intitulado “Dehumanization By Supremacy”, o longa-duração de estreia dos Analepsy surgiu finalmente em 2017, rapidamente seguindo por um split com os maníacos noruegueses dos Kraanium, e desde aí a banda tem praticamente vivido em cima do palco, tanto em Portugal como no estrangeiro, atraindo atenções e torcendo pescoços com a sua selvajaria arrebatadora onde quer que vão.

NAMEK

Depois de, nos dez anos que passaram entre 2001 e 2011, se terem afirmado como um dos mais interessantes híbridos de death/grind saídos do underground nacional, estes lunáticos Namek – que foram buscar o nome à série de anime Dragonball Z – desapareceram de cena e, durante seis anos, não se punha sequer a hipótese de os voltarmos a ver em concerto. O impensável acabou mesmo por acontecer, no entanto, em Junho de 2017, com o quinteto a regressar aos palcos para celebrar o 11.º aniversário do icónico “Vaginator”. Agora, voltam a sair da gruta para uma aparição muito especial no SWR Barroselas Metalfest em que prometem revisitar «o lascivo mundo cibernético da degradação porno robótica».

SERRABULHO

Esvaziar o enchimento duma almofada para cima do público, montar uma esplanada, conviver com animais insufláveis diversos… Nunca se sabe bem o que é que vai acontecer em palco num concerto dos Serrabulho, possivelmente a banda mais tresloucada da actualidade em Portugal, e certamente uma das mais imprevisíveis de todo o underground mundial. Com toda uma componente temática porno-transmontana, chamemos-lhe assim, a dar cor ao auto-intitulado “happy grind” que praticam, a única coisa que está mais do que garantida a cada aparição ao vivo do quarteto de Vila Real é a festa amalucada que vão proporcionar sempre, ainda para mais quando já terão vindouro álbum “Porntugal” na bagagem aquando da sua visita ao festival. São a típica “última banda” de Barroselas, a que destapa os últimos limites de inibição que o público ainda possa ter, e não vos revelamos segredo nenhum se vos dissermos que não é difícil imaginar o slot que vão ocupar no horário final do festival.

SWR ARENA

Nos dois primeiros dias, o palco gratuito irá ainda ver as actuações dos Sacred Sin, banda lendária do metal luso, do arrojado cruzamento entre o punk e sonoridades africanas de Scúru Fitchádu, e dos Humanart (projecto de black metal tradicional que se prepara para editar novo álbum nos dias que antecedem o festival). No dia 02 o palco gratuito será totalmente preenchido por projectos nacionais: Archaic Tomb, Summon, Grindead, Greengo e Son Of Cain, com estes a encerrarem uma digressão europeia “em casa”.

Os Diabolical Mental State, os Grog (que também dispensam apresentações aos seguidores do som extremo português) e os Roädscüm são as três bandas que irão disputar a Final Nacional da W:O:A Metal Battle Portugal, que irá decorrer no dia 25 Abril.

A programação por dias e outras informações estão disponíveis em www.swr-fest.com e no Evento Oficial. Bilhetes em swrfest.bigcartel.com, rede Ticketline e nas Lojas Oficiais.