Uma das melhores assistentes de agentes do mundo é Portuguesa!

Uma das melhores assistentes de agentes do mundo é Portuguesa!

Tiago Varzim

É portuguesa, trabalha com os grandes nomes da música internacional, e pode estar perto de ser considerada uma das melhores assistentes de agentes do mundo. Na verdade, Diana Pereira, agora com cerca de 14 anos de atividade profissional, é Assistente em Agência de Live Booking e vive em Londres, Reino Unido.

Diana Pereira foi nomeada para a categoria “The People’s AssistantArthur Award através da International Live Music Conference (ILMC), uma iniciativa que distingue o trabalho dos ‘heróis’ do negócio internacional dos concertos ao vivo: os promotores, os agentes (e a sua equipa), festivais, equipas de produção, fornecedores e locais dos concertos. A votação está aberta a todos os membros da ILMC até ao dia 20 de fevereiro, uma vez que os resultados saem dia 7 de março. A cerimónia vai realizar-se no London’s Savoy Hotel.

Estudou Teatro em Inglaterra, trabalhou seis meses com Filipe La Féria, e passou pela Música no Coração, promotora musical portuguesa. Atualmente, faz parte da International Talent Booking onde é uma das três Assistentes de Agência de Live Booking do co-Managing Director Rod MacSween, que representa artistas como os Aerosmith, Ben Harper, Black Sabbath, Christina Aguilera, Dave Matthews Band, Eddie Vedder, Guns N’ Roses, Kiss, Kelly Clarkson, Lenny Kravitz, Maroon 5, Megadeth, Pearl Jam, e a lista continua.

Fundada em 1989, a International Live Music Conference (ILMC) desde aí que junta as principais figuras da indústria musical mundial e distingue-os com prémios. Atualmente, é uma das iniciativas mais respeitadas onde os profissionais da indústria se encontram.

Em 2012, na edição #25  da Arte Sonora, Diana Pereira foi protagonista do “Português Internacional” rúbrica da autoria de Nuno Cruz. Lê aqui um excerto dessa entrevista:

Como descreves a tua profissão, como a exerces junto de uma banda/promotor?
Sou assistente de um agente de Live Booking, o que significa ajudo a planear as tournées dos artistas em áreas especificas do Mundo. Simplificando: o Manager fala com o Agente e diz que quer fazer uma tournée pela Europa, América do Sul, Austrália e Ásia ou assim. O Agente indica a melhor altura do ano para o fazer, quais as épocas de Festivais ou a opção de espectáculos em nome próprio (headline Tour). De acordo com período do ano e a definição do que quer fazer, o agente fala com os Promotores com quem trabalha normalmente e confirma disponibilidades das salas, datas dos Festivais e assim começa a construção do puzzle que é uma tournée. Esta é uma das versões, mas existem outras formas de desenvolver este processo, pode partir de uma boa oferta, ou, muito raramente a oferta ser tão boa que o artista pode fazer apenas um espectáculo, o que chamamos um “one-off”. Eu sou a pessoa que trata de toda a comunicação entre o management da banda e o promotor local que contratou a banda desde contratos a todo o processo de anunciar e pôr um espectáculo à venda entre outras funções.

Como aconteceu entrares no circuito internacional?
Já tinha trabalhado no circuito internacional na Música do Coração. Fui educada no Colégio Inglês em Portugal e andei na Universidade em Londres, portanto a língua Inglesa é para mim igual ou até mais fácil que a Portuguesa. Tinha feito vários contactos com os agentes ingleses ao longo dos anos que trabalhei em Portugal, ao chegar a Londres mandei mails a toda gente que conhecia. Mandei, chateie, telefonei e arranjei trabalho. Não estava à procura de trabalho numa agência, estava a procura de trabalho como produtora, mas este trabalho apareceu e já cá estou faz 4 anos…

Recordo me de uma situação onde o rider tinha um pedido de 4 pares de meias brancas de desporto.

Desenvolveste métodos diferentes e uma abordagem específica para cada situação?
Criei especialmente métodos de organização. Tenho um Excel com várias páginas (um Tour Summary) para cada tournée, de cada artista, com todos os detalhes que preciso. Preciso ter estes documentos sempre atualizados, o que dá bastante trabalho. Percebi que a abordagem latina é mais pessoal e ajuda em algumas situações, mas aprendi também a ser anglo-saxónica noutras. A experiência dos dois mundos em conjunto é muito importante – não esquecer as raízes e aprender com o que nos rodeia. Aprendi a gerir o tempo. Um grande problema que temos em Portugal é a falta de gestão de tempo. Não que se trabalhe pouco, antes pelo contrário, trabalha-se muito! Tive que aprender a gerir melhor o meu tempo e a dar prioridade a algumas questões em prol de outras.

Lembras-te de algum capricho ou situação fora do normal que queiras, ou possas, partilhar?
Os caprichos que se falam dos artistas muitas vezes têm a sua razão de ser… Uma banda anda na estrada durante cerca de 1 a 2 anos sem parar. Se não colocarem algumas regras e pedidos acabam por comer galinha todos os dias! Recordo me de uma situação onde o rider tinha um pedido de 4 pares de meias brancas de desporto. Ligamos ao Tour Manager a perguntar para que é que precisava delas e respondeu-nos que apenas coloca o pedido no rider para verificar se o promotor o leu!!! Recordo-me também de haver pedidos de boxers para homem. Na estrada a equipa fica exclusivamente a dormir no autocarro e hotéis, lavar roupa em hotéis é muito caro portanto saia-lhes mais barato irem pedindo boxers novos no rider!!!

EGITANA