Vamos todos p’ra rua – Guia de concertos e festivais 2021

Vamos todos p’ra rua – Guia de concertos e festivais 2021

Davide Pinheiro

De todos os sectores, aquele a que foi sujeito a uma travagem mais brusca foi o da música ao vivo. Se algum vidente lesse nas cartas, no início de Março de 2020, que a maioria dos festivais e digressões internacionais só voltariam dois anos depois, nem o promotor mais pessimista acreditaria. Alguém seria capaz de imaginar um verão sem festivais, concertos ou festas populares? E no entanto… Eis o guia de concertos e festivais 2021.

Agora que a maioria da população portuguesa está vacinada, e que também em outros países se começa a voltar à vida, a luz começa a surgir no fundo do túnel. Resta saber se estamos de facto perto de uma retoma definitiva. Ainda há alguma contenção da parte dos promotores e salas, mas se a generalidade das programações tem sido preenchida pelo produto interno, quer pelo cancelamento de digressões internacionais, quer por motivos económicos, quer ainda pelo apego cada vez maior de Portugal à sua música, a verdade é que o último terço do ano reserva algumas reaproximações à normalidade. Para bem da sobrevivência de um sector, e da saúde de todos nós.

Setembro traz de volta os festivais. Primeiro, o Lisboa Nossa, dedicado à diáspora, com nomes como Paulo Flores, Mayra Andrade, Bonga, Luca Argel, Ana Moura, Nelson Freitas, Valete ou Selma Uamusse, nos dias 10 e 11 de setembro na Altice Arena. No mesmo fim de semana, o Festival Manta leva Silvia Perez Cruz e Mallu Magalhães ao Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.

A 11 e 12 de setembro, Valada (Cartaxo) recebe o Soundflower Fest com uma novidade: a programação internacional. Sports Team e os Hercules and Love Affair, ou seja Andy Butler como DJ. Juntam-se Capitão Fausto, Cláudia Pascoal, Pongo, D’Alva, Filipe Karlsson, Luís Trigacheiro e Sean Riley and the Slowriders. [CANCELADO/ADIADO]

Mallu Magalhães vive em Lisboa mas passa uma boa parte do ano no Brasil. A digressão nacional, para já, de quatro noites em Guimarães (11 de setembro), Setúbal (8 de outubro), Ílhavo (19 de novembro) e Castelo Branco (20 de novembro), é dos pontos quentes deste guia e tem como pretexto a apresentação do novo álbum “Esperança”.

De todos os cartazes já anunciados, talvez o mais ambicioso seja o do North Music Festival, que se realiza de 30 de setembro a 2 de outubro na Alfândega do Porto. O reencontro dos Ornatos Violeta na primeira noite para celebrar 30 anos é o cume de uma noite com Linda Martini, Zen, Paus, Paraguaii e o DJ e produtor Pedro da Linha a fechar. Além dos muitos amigos do Monstro, o festival assume a aposta em nomes internacionais. OneRepublic no dia 1 de outubro; The Script e Waterboys a 2 de outubro são cabeças de um cartaz de um festival com David Fonseca, Capicua, Domingues, T-Rex e Throes + The Shine (dia 1); GNR, Keep Razors Sharp, Cassete Pirata, Moullinex e Xinobi (dia 2).

Ainda a Norte, há dois dias de Douro Rock no Auditório da Régua. A 11 de setembro, data fatídica, com The Gift, Samuel Úria e Cassete Pirata; e na noite seguinte com GNR, Três Tristes Tigres e NEEV. É inevitável referir a feira Womex onde se irão apresentar Pongo, O Gajo, Scúru Fitchádu, Rastronaut, Lina e Raul Refree, Lucas Santtana e Bandé Gamboa, entre vários outros, e o décimo aniversário do festival de música experimental Semibreve, de 28 a 31 de outubro em Braga com Laurel Halo, Oliver Coates, Nik Void, Rafael Toral, Angélica Salvi e Supersilent, para citar os mais reconhecidos.

Em Lisboa, o Iminente estreia-se na zona oriental da cidade. De 7 a 10 de outubro no Cais da Matinha, o festival encabeçado por Vhils anuncia Julinho KSD, Branko, Pedro Mafama e Scúru Fitchádu. Para já… Em sala, o LX Folk Fest leva Esteves, Monday e PS Lucas ao Estúdio Time Out no Mercado da Ribeira no dia 8 de outubro. Os concertos irão acontecer num palco 360, montado para o efeito.

Tal como a Womex, o MIL está vocacionado para a indústria, promovendo não apenas concertos de nomes emergentes – este ano, Bia Maria, Cabrita, Fado Bicha, Acácia Maior, Carla Prata ou Marinho – na esperança de serem “caçados” por alguma figura influente da indústria, mas também conferências sobre temas actuais, desde o futuro da música ao vivo, ao direito de autor, streaming ou jornalismo musical. De 15 a 17 de setembro no Hub Criativo do Beato.

Ali perto, mas nos dias 24 e 25 de setembro, decorre o Santa Casa Alfama com algumas das vozes mais sonantes do fado. Camané, Sara Correia, Buba Espinho, Luís Trigacheiro, Maura Airez, Rita Guerra e o concerto “Em Casa d’Amália” com Alexandra, FF, Jorge Fernando, José Gonçalez, Tozé Brito e André Dias são destaques na primeira noite. Na segunda, Camané, Gil do Carmo, Maria da Fé, Marco Rodrigues, Paulo de Carvalho, Ricardo Ribeiro e Sara Correia interpretam uma homenagem a Carlos do Carmo. Fábia Rebordão, Ana Sofia Varela e Teresinha Landeiro salientam-se no último dia.

Após um primeiro adiamento forçado, o Lisboa Connection Fest faz-se no Palácio Baldaya, em Lisboa, com o desejo de “ir ao encontro daquilo que o público de blues e folk anseiam”. Romeu Barios, Frankie Chavez, e Kiko & The Blues Refugees formam o cartaz. A norte, também há lugares aos blues, entre os dias 17 e 19 de setembro. Pelo Auditório Exterior do Fórum da Maia passam The Smokestackers, Jose Luis Pardo & The Mojo Workers, The Ragtime Rumours, Gisele Jackson and the Shu Shu’s e Portuguese Pedro.

E porque já nem só dos dois grandes centros urbanos vivem as programações, os Açores recebem a sétima edição do Tremor, de 7 a 11 de setembro. Ponta Delgada, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo acolhem o festival por onde vão passar Filho da Mãe, Norberto Lobo, Ricardo Martins, Jerry The Cat, Larry Gus, MadMadMad, Vanishing Twin, Lena D’Água, Sensible Soccers, Casper Clausen, Clã, Dirty Coal Train, Ferro Gaita, Samuel Martins Coelho e Kelman Duran, entre outros.

O cardápio de concertos também continua a crescer. Tricky (30 de novembro no Hard Club, e 1 de dezembro na refundada Lisboa ao Vivo), James (Pavilhão Rosa Mota, a 12 de dezembro, e Campo Pequeno a 13 de dezembro), ou os emergentes Black Country New Road (1 de novembro na zdb) dão provas da confiança de promotores e salas no futuro, mas, para já, é a música portuguesa a polarizar atenções.

Os Xutos & Pontapés levam a Orquestra Filarmónica Portuguesa à Altice Arena a 6 de outubro, enquanto Tim se apresenta a solo no Coliseu do Porto a 18 de setembro. Rui Veloso também regressa ao Porto mas à Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota nos dias 13 e 14 de novembro, seguindo-se o Campo Pequeno a 26 e 27 de novembro. E ainda pela Invicta, o compositor JP Coimbra apresenta o neo-clássico Vibra a 12 de setembro na Casa do Roseiral (Jardins do Palácio de Cristal). Na noite seguinte, é a vez de o Teatro Maria Matos receber a apresentação do álbum com edição internacional pela Cognitive Shift.

Em Lisboa, o rapper Tekilla apresenta “Olhos de Vidro” a 22 de setembro no Estúdio Time Out, PZ e desvenda “Selfie-Destruction” a 25 de setembro no palco do Lux. O EP de estreia de Mimi Froes é apresentado no Teatro Tivoli BBVA a 14 de outubro, na mesma sala onde a nova fadista Rita Vian mostra “Caos’a” a 26 de outubro. Chico da Tina dá a conhecer o álbum “E Agora Como é que é”, com saída marcada para o final do ano, a 11 de dezembro na Super Bock Arena do Pavilhão Rosa Mota. Lisboa terá de esperar por 22 de janeiro para ver o rapper de “Ronaldo” na Sala Tejo da Altice Arena.

EGITANA