Viriatada Dezembro #2: Mike11, Callaz, Xinobi, Mao-Mao E Misfit Trauma Queen, Entre Outros

Viriatada Dezembro #2: Mike11, Callaz, Xinobi, Mao-Mao E Misfit Trauma Queen, Entre Outros

Redacção

Esta é o espaço da AS dedicado à Viriatada, que reúne alguns dos lançamentos da música portuguesa desta semana.

TIM – “20-20-20” // Já está disponível o novo disco de Tim, faixa a faixa. Chama-se “20-20-20” e fala do Pôr-do-Sol na Zambujeira. «As bases desses temas foram gravadas, estruturadas e cantadas na Zambujeira do Mar. A Costa Vicentina tem essa qualidade de nos colocar diante do efémero e perante aquela grandiosidade, aquelas forças, levar-nos a pensar naquilo que somos, O ambiente musical tem que ver com uma espécie de calma que também existe ali, uma espécie de sorriso interior que sinto quando estou lá. Depois tem um truquezinho lá pelo meio, ao falar das pessoas realmente mais vampirescas que também existem na Zambujeira e só saem à noite. De dia estão numas praias quaisquer, não sabemos bem, e à noite aparecem», lê-se no comunicado que acompanha a apresentação do álbum editado pela Sony e com engenharia de som de José Moz Carrapa (guitarras) e Sebastião Santos (baterias), teclados e voz de apoio de Vicente Santos, baixo de Nuno Espírito Santo, mistura de Carlos Vales e masterização de Rui Dias. Basta carregares neste player que se segue e tens acesso ao disco na íntegra:

GABRIEL PEPE – “Pela Terra A Navegar” // O cantor, multi-instrumentista e escritor lisboeta, que se encontra neste momento a trabalhar num álbum de estúdio, decidiu gravar o seu primeiro EP durante este verão. «As músicas são como ter filhos, quando atingem alguma maturidade, surge uma força maior que nos aconselha a deixá-las encontrar o seu caminho», explica Gabriel Pepe. “Pela Terra A Navegar” é o nome deste primeiro trabalho e está à venda em formato físico e digital através do Bandcamp do artista. Música de intervenção portuguesa, música popular brasileira e algum psicadelismo são influência que se notam no disco que teve participação de João Miguel Carvalho na bateria (Farra Fanfarra, Muri Muri) e que também captou, misturou e masterizou o EP.

BEAUTIFY JUNKYARDS – “Dupla Exposição” // É o primeiro single do novo disco “Cosmorama”, o quarto longa duração do sexteto, que sairá no dia 15 de Janeiro com o selo da Ghost Box – editora de culto Britânica que já editou discos de nomes como Broadcast, John Foxx e, mais recentemente, Paul Weller, entre muitos outros – e que está disponível para pré-compra, através do site da editora. O vídeo deste primeiro single, realizado por João Pedro Moreira (guitarrista e teclista da banda) resulta de uma parceria com a dupla Season of Witch (Bunny O´Williams e Marija Reikalas) e com a produtora de vídeo Maus da Fita. Trata-se de uma ficção distópica contada sobre diferentes ângulos que vê assim materializado o primeiro capítulo com este vídeo para a música “Dupla Exposição”, música essa que faz a abertura do novo álbum. Os Beautify Junkyards são: João Branco Kyron (vozes, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo, flauta e guitarra acústica), João Moreira (guitarra acústica e sintetizadores), Sergue Ra (baixo), António Watts (bateria e percussão) e Martinez (vozes).

BATIDA – “Nôs Tabanka” REMIX // O artista luso-angolano Pedro Coquenão (Batida) transporta a tradição cabo-verdiana até Lisboa, numa remistura da faixa “Nôs Tabanka”, de Bandé-Gamboa, que une o digital e o tropical num cocktail explosivo idealmente servido nas pistas de dança e que é apresentado assim. «Não é por acaso que o “som de Lisboa” é actualmente uma sonoridade tão apreciada mundialmente e nos leva numa viagem além-fronteiras até ao continente Africano sem precisarmos de sair da capital, ou mesmo da nossa sala. Essa sonoridade, tão bem representada por tantos artistas, não deixa de todo Batida de lado, sendo um dos principais produtores a mostrar-nos o que de melhor há nesta mistura de ritmos com a música electrónica».

MAO-MAO – “Filho” // Aqui está o vídeo de “Filho”, tema de apresentação dos Mao-Mao, projecto spokenword de Valério Romão (voz), José Anjos (voz e guitarra) e Pedro Salazar (baixo) e que conta ainda com os convidados Sandra Martins (arranjos de violoncelo), Paula Cortes (voz) e António Jorge Gonçalves (imagens). “Filho” é um tema composto a partir de um poema de Chen Nianxi, trabalhador mineiro nascido em 1970 na província de Xianxim, China. O vídeo foi gravado ao vivo na Escolha de Mulheres – Oficina de Teatro, durante uma residência em Agosto de 2020, e integra-se no concerto/espectáculo “A lua só sabe fazer de lua”, a ser apresentado no início de 2021. Este espectáculo é financiado pelo Ministério da Cultura no âmbito da Linha de Apoio de Emergência ao Sector das Artes. Mao-Mao é um projecto idealizado pelo escritor Valério Romão e pelo poeta José Anjos, em torno de poemas chineses antigos e contemporâneos escritos por trabalhadores fabris e surge da necessidade de interpretação e criação a partir de uma perspectiva única da poesia chinesa, em especial da poesia contemporânea escrita por trabalhadores fabris chineses e recentemente publicada na antologia Iron Moon: An Anthology of Chinese Worker Poetry, traduzida por Eleanor Goodman.

SARA VIDAL – “Baile Da Meia Volta” // Após ter sido, entre 2005 e 2011, a voz do grupo galego Luar na Lubre, e de múltiplas participações em diversos grupos portugueses, chega a vez de Sara Vidal se apresentar em nome próprio, com o seu primeiro disco a solo “Matriz”, que assinala 15 anos de carreira. O single “Baile Da Meia Volta” serve como cartão de apresentação. Com uma sonoridade acústica e confluência de múltiplos instrumentos, a voz assume-se como o principal veículo condutor por entre uma selecção musical composta na íntegra por temas tradicionais, que aqui ganham novo pulsar e respirar pela direcção musical de Manuel Maio e Rui Ferreira. Em “Matriz”, somos convidados a viajar pela geografia portuguesa e a descobrir o cancioneiro tradicional de cada região sob um denominador comum: a condição feminina nas diferentes etapas da vida. Actualmente, Sara Vidal desenvolve o seu trabalho musical nos grupos Espiral, A Presença das Formigas, Diabo a Sete, Cantos da Quaresma e Companhia do Canto Popular, todos no âmbito das músicas do mundo, sendo reconhecida como uma das vozes de referência da música folk e tradicional portuguesa, tanto a nível nacional, como internacional.

JOÃO GIL – “O Exacto Oposto” // É o novo single do compositor, «uma ode à vontade de mudança e ao amor enquanto catalisadores de actos de bravura, fundamentais para as grandes conquistas». Em “O Exacto Oposto”, que sucede ao tema “A Marcha da Polícia”, editado em Julho, João Gil volta a assinar a autoria da música e letra, reforçando a chamada de atenção para os movimentos anti-democráticos que têm crescido um pouco por todo o mundo, colocando em causa regimes democráticos e a estabilidade social. No vídeo deste tema, João Gil aparece ao lado do filho Rafael, lembrando que «o elogio da delicadeza e o debate acerca da mudança de mentalidades é transversal às gerações de ambos e que não há direitos e liberdades conquistadas de forma vitalícia, como a História já comprovou vezes sem conta».

MISFIT TRAUMA QUEEN – “Kubrick´s Cube” // Após o álbum de estreia “Violent Blue”, Misfit Trauma Queen começa agora a dar os primeiros indícios do seu próximo corpo de trabalho com data indefinida para 2021. “Kubrick´s Cube” é o avanço da nova sonoridade adoptada pelo produtor – um culto de paisagens negras de magnitude cósmica em torno de uma arquitetura sonora fria, enigmática, distópica e distante. Desta vez inspirado por “2001 – A Space Odyssey”, Misfit apresenta uma faixa monolítica, angular e imponente perfeitamente capaz de exemplificar a sua postura alternativa na musica electrónica portuguesa. Natural da Figueira da Foz, Misfit Trauma Queen é o projecto a solo do produtor e baterista David Taylor. A sua música combina «electrónica intensa, texturas sonoras disruptivas e abstratas, ao ritmo de percussão galopante com uma atitude punk mid-tempo dark techno, altamente inspirada por Gesaffelstein, The Prodigy, Death Grips, Ho99o9 e The Dillinger Escape Plan».

FÁBIA MAIA – “Mãe Heroína” // Conhecida pelas covers de músicas de Regula, Valete, Halloween e Bezegol, Fábia Maia, depois do lançamento do seu primeiro EP “Melodia-me”, apresenta agora “Santiago”, o novo EP já disponível e que tem “Mãe Heroina” como single de avanço. À sua guitarra juntou um contrabaixo, piano e saxofone para criar um conjunto de quatro temas, a forma de cura que encontrou para se desligar ou conectar para sempre com momentos marcantes na sua vida, desde o casamento dos pais ao divórcio, até mesmo ao Santiago, ao seu irmão não-nascido. Fábia Maia – anunciada há poucos dias como uma das compositoras do Festival Da Canção de 2021 – descreve o EP como uma fonte intimista mais perto de si como pessoa e artista.

XINOBI & LAZARUSMAN – “Relentless” // A boa energia prescrita por Xinobi e Lazarusman. Depois do sucesso do remix de “Bielzinho” por Xinobi, o artista volta a surpreender-nos com mais uma colaboração. “Relentless” é o primeiro single do EP “Energy. Power. Vibe.”, a ser editado em Janeiro de 2021 pela Discotexas. Uma premissa para um novo ano com boa energia. Foi com o amor mútuo pela música um do outro, que levou Xinobi a trabalhar com a voz de Lazarusman em 2017, em duas faixas do álbum “On The Quiet: Searching For” e “See Me”, que entretanto se tornaram clássicos do repertório de Xinobi. Em 2020, o reencontro desta dupla resulta no lançamento do novo single “Relentless”. Uma composição com uma sonoridade implacável que une o melhor de cada um e que nos cativa imediatamente pela sua energia.

PEDRO DE TRÓIA – “Salvadora” // Pedro de Tróia, que surgiu no panorama musical a encabeçar Os Capitães de Areia e que editou em Março deste ano o seu disco de estreia a solo “Depois Logo Se Vê”, apresenta agora o videoclipe da canção “Salvadora” para assinalar o fim do primeiro passo em nome próprio. Realizado por Gonçalo Guerra, este vídeo foi já filmado em período de recolher obrigatório e é neste contexto que encontramos uma cidade deserta, silenciosa e quieta, enquanto o romance desperta. «Lisboa deserta. Uma voz que chama. Um coração que confia. É esta a atmosfera revelada no vídeo de ‘Salvadora’, filme de natureza descomplicada, que nos conta e canta que o maior encontro pode existir sem se notar. Vale mais sentir sem poder ter, do que ter sem saber sentir», diz Pedro de Tróia sobre o vídeo. No mais, Pedro de Tróia prepara-se para entrar em estúdio e gravar o sucessor de “Depois Logo Se Vê”, com edição prevista para Maio de 2021. Entretanto, o músico tem o último concerto do ano a 18 de Dezembro no Rádio SBSR.FM Em Sintonia (Altice Arena), no Palco Santa Casa às 18h45.

NOWHERE TO BE FOUND – “Blinding Lights” // É uma versão ‘pesadinha’ do original de The Weeknd e surge de uma forma quase inevitável entre as várias sessões virtuais que foram sendo feitas pela banda durante o verão, a vontade de fugir ao registo habitual, desconstruir um tema actual de sucesso e mostrar que o crossover de géneros não tem limites. “Blinding Lights” sucede a “The Prey”, “Traverse feat. Matty Mullins”, (dos norte-americanos Memphis May Fire) e “Closer feat. Emily Lazar” (dos norte americanos September Mourning), que se aproximam da barreira do milhão de streams no Youtube e Spotify. O vídeo foi realizado por Rodrigo Fonseca Santos e tem cinematografia de André Pêga.

PEDRO MENDES – “Só Te Sei Amar A Ti” // O single de estreia de Pedro Mendes, “Só Te Sei Amar A Ti”, não fala de Natal, do frio ou do frenesim das compras, mas antes «daquelas canções ao piano que nos falam de amor mesmo que seja de um amor perdido e da esperança em encontrarmos um novo». Para o autor, este tema aborda «a desilusão e a luta interior de alguém que sofreu uma grande perda e que, na forma de um desabafo… porque é um desabafo… lamenta a sua “sorte” e espera poder reencontrar a sua verdadeira e grande paixão». “Só Te Sei Amar A Ti” já está disponível em todas as plataformas digitais.

TIAGO ABRANTES – “Alpha” // Tiago Abrantes é um jovem compositor, multi-instrumentista e cantor português nascido no Porto. Depois de lançar dois singles que pertencem ao seu EP “Alpha”, “Casal Boss” e “Cedo Pra Casar”, o artista lança o mesmo na íntegra, distribuído digitalmente pela Editora Farol Música. Tal como o seu significado no sentido figurado, “Alpha” vem assinalar o começo de uma nova fase na carreira do artista. Um começo enquanto compositor e cantor das suas próprias obras discográficas. O cantautor promete que esta será a primeira de muitas obras. “Alpha” já está disponível nas plataformas digitais habituais e no player que se segue:

RODRIGO SERRÃO – “Chapman Stick” // Este é, segundo o artista, um trabalho de amor. Cada um dos temas deste disco é «uma ínfima parte da obra avassaladora dos seus autores», por quem a admiração de Rodrigo Serrão é «ilimitada» e dos quais aconselha «vivamente a descoberta – nada seria possível sem essas vidas inteiras dedicadas às respectivas culturas e ao aprofundamento da sua arte». O disco e todos os 10 novos vídeos estarão em pré-escuta gratuita através da plataforma Bandcamp até ao próximo dia 15 de Dezembro, altura em que deixará de ser exclusivo e ficará disponível em todas as restantes plataformas.

TRyANGLE – “All” // Eles estão de volta com um vídeo arrepiante feito exclusivamente com imagens retiradas do filme de terror canadiano “Les Affamés”. O single “All” ganha assim uma segunda vida com este vídeo que reclama um olhar diferente sobre a música. Ao ver pela primeira vez o filme premiado no Fantasporto, Fred Rocha ficou tão fascinado com a sua atmosfera e beleza fotográfica que decidiu fazer um recut usando a música dos TrYangle como fio condutor. «A ideia foi-nos apresentada pelo Fred e de imediato pareceu-nos interessante. A fotografia estava a par da música e isso era o mais importante. O resultado final impressionou não só a nós, mas ao realizador também, o que nos viabilizou a obtenção da autorização dele como também da produtora que assim fez com que esta parceria fosse avante», conta a banda em comunicado.

MIKE11 – “Pra Quê Falar” // Mike11 apresenta “Pra Quê Falar”, o single de avanço daquele que será o seu primeiro álbum. Mike11 representa um mundo onde a fusão de sons nos leva para algo maior, algo que não conseguimos definir porque a música é maior quando nos leva para fora de pé. O seu aguardado álbum de estreia está previsto para o primeiro trimestre de 2021. Desde que começou a tocar guitarra portuguesa que Mike11 se tornou numa das maiores promessas nacionais. Premiado em 2012 como Revelação na Guitarra Portuguesa nos Prémios Amália, aos 14 anos já partilhava o palco com Mariza, uma das muitas grandes vozes que emoldurou com o seu talento. No entanto, as memórias sonoras de R&B e Hip-Hop que trazia da infância depressa o fizeram querer sair da sua zona de conforto. Percebeu que a música não é estática e que a fluidez de géneros pode dar origem a algo maior. Em 2017, foi para os EUA para trabalhar com o icónico produtor Scott Storch (vencedor de 8 Grammys) e o resultado está visível no single “My Tata”, com o clássico Jeremih. Pelo caminho tem sempre lançado música até chegar a “Pra Quê Falar”, a primeira amostra de um álbum com uma sonoridade única, que ficaremos a conhecer no próximo ano.

CALLAZ – “Dead Flowers & Cat Piss” // Maria Soromenho é irmã de Vaiapraia e assina como Callaz. Aprendeu a misturar sons sozinha, dando à sua linguagem musical o barulho de fundo próprio da autonomia, uma preferência por um processo de trabalho guiado pela filosofia DIY. No primeiro EP “Beer, Dog Shit & Chanel N°5” (edição de autor), colecção de cinco faixas produzida por Filipe Paes, estreia-se com um enredo aparentemente solarengo no qual picos de ansiedade, memórias turvas e afectos. Um ano depois da estreia, Callaz edita “Gaslight”, uma produção a cargo de Primeira Dama e Chinaskee, no qual se confirmam as ambições do primeiro EP.  O novo disco chama-se “Dead Flowers & Cat Piss” e será editado dia 19 de Fevereiro de 2021. Um trabalho guiado pela filosofia DIY, com poucos recursos, em estúdios caseiros e feito por Callaz e Helena Fagundes sem qualquer outra intervenção. Na transição para o lançamento do novo disco, gravado com Helena Fagundes este verão, Callaz escreveu a música “Queima Essa Ideia” – o single de avanço do disco, canção auto-biográfica com ambições de explorar musicalmente com samples e beats. O tema foi produzido em Neukölln, pela artista Ah! Kosmos, na temporada que Callaz passou em Berlim (Setembro/ Outubro).

EGITANA