crystal lake

Crystal Lake & Miss May I no LAV: Um Ajuste de Contas Com o Público Português

Review

Crystal Lake
8/10
Miss May I
8/10
Great American Ghost
7/10
Diesect
7/10
Som
8/10
Ambiente
7/10
Overall
7.5/10

Passados oito anos, os Crystal Lake e os Miss May I regressaram a Portugal para vingar as suas estreias. Perante um público bem agitado e dedicado, ambas as bandas assinalaram sets fugazes, mas com uma intensidade digna de registo. A aquecer os motores do mosh pit estiveram os australianos Diesect e os norte-americanos Great American Ghost.

A esperança para ver um regresso dos Crystal Lake e dos Miss May I a Portugal num futuro próximo era praticamente nula. Ambas as bandas fizeram a sua estreia em palcos nacionais em 2018, curiosamente com um intervalo de apenas vinte e um dias. Porém, a afluência aos eventos não foi a esperada tanto pelas promotoras, a Head Up! Shows e a Ample Talent respectivamente, como pelos fãs que se deslocaram às salas.

No caso dos japoneses Crystal Lake, fizeram apenas uma data no Hard Club, no Porto. Naquela altura, apesar de não serem uma banda muita dimensão já eram algo respeitados na cena pela forma como articulavam metalcore com nu metal e hardcore. Mas, o que é certo é que o concerto aconteceu a uma quarta-feira, como este no LAV, algo que também não ajudou às deslocações de outras partes do país. Já no caso dos Miss May I as coisas foram um pouco diferentes. A banda norte-americana apresentou-se em data tripla com passagens pelo RCA Club, em Lisboa, o Hard Club, no Porto e o Bafo de Baco, em Loulé. Mostrou-se uma aposta algo ambiciosa visto que a banda já não estava a passar pelos níveis de popularidade que tinha atingido com os álbuns “At Heart” (2012) e “Rise of the Lion” (2014). A juntar-se a esta conjuntura esteve também o factor dos concertos terem surgido muito perto da também estreia em Portugal de outras bandas de metalcore como foi o caso dos Emmure e dos Northlane (e a carteira não estica).

Os anos passaram e, provavelmente, nenhum promotor quis arriscar o regresso de ambas as bandas com receio de que pudesse vir a ser outro tiro ao lado. Mas, a Prime Artists, que tem furado, e bem, o mercado do metalcore, arriscou e conseguiu resolver este tira-teimas com muita perspicácia. Em vez de organizar dois concertos, a promotora conseguiu trazer as duas bandas ao mesmo tempo graças à tour em regime co-headline que os trouxe à Europa. O resultado acabou por ser positivo com uma sala bem composta para um dia de semana e com um público que deu tudo do primeiro ao último segundo.

Diesect

Ter um banda australiana num lineup de metalcore já começa a ser tradição. Desta vez, a cena aussie foi representada pelos novatos, mas promissores, Diesect. A banda de nu metalcore veio promover o seu álbum de estreia “Hide From The Light” (2026) num concerto de meia hora que se desenrolou com uma brutalidade estratosférica. De “Hide From The Light” a “There Was Never a Light”, a performance consolidou-se à volta de um festim de breakdowns, dos mais dissonantes, fruto do pitch shifter do guitarrista Jack Van Rynswoud, aos mais arrastados com o gravalhão intenso do baixo de Tom Hedge e as pancadas retumbantes do baterista Jake Camilleri a convidarem a várias stank faces de aprovação. A comandar as lides vocais Damien Bigara mostrou-se dinâmico na transição entre guturais e berros. É verdade que ainda lhe falta algum à vontade em palco, mas isso é algo que se trabalha com o tempo e com a presença em tours como esta. Em conversa com alguns elementos do público foi notória a espectativa face à banda australiana com um dos motivos a estar também associado à sua colaboração com o designer português Rui Carneiro, que trabalhou com os Diesect no design da capa do álbum e do merch que trouxeram até ao LAV.

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Great American Ghost 

À semelhança dos headliners também os Great American Ghost regressaram a Portugal para vingar a sua estreia em Outubro de 2025. Na altura a banda veio abrir para os Bleed From Within e teve que lidar com um apagão que durou largos minutos. Desta vez, o concerto aconteceu sem ocorrências e perante um público muito mais participativo. A liderar o quarteto de Boston esteve novamente o vocalista Ethan Harrison. Carismático, desassossegado e insaciável, Ethan entrou em palco com um casaco de cabedal com a mítica frase “This Machine Kills Fascists” de Woody Guthrie pintada nas costas, algo que levantou de imediato reações de aprovação por parte do público. 

Em noite de aniversário do baixista Anthony Laur, os Great American Ghost mostraram-se visivelmente bem dispostos e prontos para servir uma boa dose do seu metalcore industrial. Os riffs com afinações bem rebaixadas de malhas como “Echoes of War”, “Ghost in Flesh” e “Writhe” convidaram a um headbang sincronizado de todos aqueles que nas margens do pit não participaram na primeira grande chuva de crowd surfers da noite.

Mas, se há algo que os Great American Ghost gostam de fazer nos seus concertos é sentir de perto o pulso do público. À semelhança do que já tinha feito na sala 1 do LAV-Lisboa Ao Vivo no ano passado, Ethan voltou a descer do palco para se posicionar no epicentro do circle pit durante “Forsaken”. Não estando totalmente saciado, o músico ainda atirou-se a um crowd surf que percorreu toda a extensão do mosh pit. É curioso ver que aos poucos os Great American Ghost vão ganhando novos fãs em Portugal, não só pela sua música, mas também pela postura da banda nas suas performances ao vivo. Arriscamos dizer que um regresso ao nosso país não estará muito distante. Quem sabe como headliners?

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Miss May I

Neste tipo de tours em regime co-headline por norma as duas bandas que dividem o protagonismo alternam entre si quem fecha a noite. No LAV os Miss May I foram os terceiros a subir ao palco, mas não sabemos se essa alternância tem sido respeitada nas outras datas.

Fiéis representantes do movimento risecore, um termo que surgiu em meados dos 2010s para designar a vaga de bandas de metalcore que despontou na editora Rise Records, os Miss May I apresentaram-se em Lisboa não com o intuito de apresentar um novo álbum de estúdio, mas sim para dar um cheirinho de uma carreira que já conta com quase vinte anos. A fusão entre os vocais berrados de Levi Benton e os refrões melódicos do baixista Ryan Neff são uma das imagens de marca da banda e no LAV ganharam vida com o coro de vozes que se gerou à sua volta em temas como “Masses of a Dying Breed”, “Into Oblivion” e “A Dance With Aera Cura”.

Além dos membros fundadores da banda que também incluí o baterista Jerod Boyd, e temos ainda que destacar o papel do guitarrista Elisha Mullins, o elemento mais recente. Entre riffs clássicos do manual do metalcore e solos inspirados, Elisha mostrou-se sempre mais discreto, mas muito preciso.

Na segunda metade do concerto, foi impossível ficar indiferente aos momentos de epicidade provocados em “Relentless Chaos”, “Forgive and Forget” e “I.H.E.”. Caos no pit, vozes ao alto e uma entrega de ambas as partes que levou Levi a defender que aquele estava a ser o concerto favorito da tour. Bem sabemos que muitas vezes os vocalistas fazem estas declarações apenas e só para galvanizar o público. Mas, a julgar pela forma como o público viveu e sentiu cada momento do concerto podemos mesmo acreditar nas juras do frontman.

Caos no pit, vozes ao alto e uma entrega de ambas as partes que levou Levi a defender que aquele estava a ser o concerto favorito da tour.

O set de sensivelmente uma hora estava a chegar ao fim. Porém, ninguém estava disposto a deixar a banda sair de palco sem que esta tocasse o hino “Hey Mister”. O alvoroço apoderou-se do mosh pit por uma última vez com os crowd surfers a desafiarem a capacidade dos seguranças em apanhar toda a gente que se aventurava nas alturas.

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Crystal Lake

Do concerto de 2018 no Hard Club para este no LAV algumas coisas mudaram nos Crystal Lake. Deram-se as saídas do vocalista Ryo Kinoshita para a entrada de John Robert Centorrino e do guitarrista Shinya Hori para a entrada de Hisatsugu “TJ” Taji. Ao início as transformações na formação foram recebidas com alguma estranheza, mas acabaram por fomentar o trabalho de composição que levou a banda para estúdio para gravar o tão aguardado álbum “The Weight of Sound” (2026). Aliás, foi exatamente deste trabalho que veio a explosão inicial ao som de “Neversleep”, a amostra perfeita da fórmula sonora dos Crystal Lake que congrega elementos de metalcore, nu metal e alguns pozinhos de hardcore.

Aliás, foi exatamente deste trabalho que veio a explosão inicial ao som de “Neversleep”, a amostra perfeita da fórmula sonora dos Crystal Lake que congrega elementos de metalcore, nu metal e alguns pozinhos de hardcore.

Peso e melodia fundiram-se em “Everblack” com Centorrino a mostrar um registo melódico, mas ao mesmo tempo rasgado, que provocou na sua interpretação uma carga ainda mais dramática. Na sua retaguarda, Gaku Taura fez as delicias de todos aqueles que apreciam técnica, peso e estilo. A sua abordagem à bateria é bem reveladora da proficiência japonesa com o músico a articular uma descontração impar nas passagens mais exigentes.

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Do tribalismo de “Hail to the Fire”, com os fãs a entoar os versos «Zomba, Zomba!» e «Ki mamama, ki mamama, aw», ao hardcore de “SIX FEET UNDER” e “OPEN WATER”, que invocou algum two step, não houve espaço para grandes respirações. Já “Watch Me Burn” retomou os coros em uníssono num momento de comunhão entre banda e público antes de Centorrino descer até às grades em “Apollo” para berrar junto dos fãs. A fechar, “The Weight Of Sound” foi tocada à luz das lanternas numa dinâmica que evoluiu de uma power ballad para uma última limpeza de corpos no mosh pit. No fim, o set de 1h que nos tinha sido prometido acabou por resumir-se sensivelmente a 50m. Fosse outra banda e as críticas teriam soado. Neste caso, a intensidade da performance dos Crystal Lake acabou por fazer esquecer esse lapso com os fãs à saída a não se mostrarem muito afetados com esse factor.

Feitas as contas, o resultado final desta noite foi positivo. Tanto os Miss May I como os Crystal Lake conseguiram finalmente sentir o calor do público português num concerto que, apesar de não ter tido casa cheia (longe disso), conseguiu demonstrar que em Portugal existe um público que está disposto a acompanhar todas estas propostas de metalcore que a Prime Artists tem vindo a apresentar.

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