alter bridge c ines barrau
(c) Inês Barrau

Alter Bridge, Daughtry e Sevendust: O Casamento Perfeito em Lisboa

Review

Alter Bridge
10/10
Daughtry
10/10
Sevendust
10/10
Ambiente
9/10
Som
8/10
Overall
9.4/10
Silent Divide
Addicted to Pain
Cry of Achilles
Playing Aces
Fortress
Burn It Down
Open Your Eyes
Tested and Able
Broken Wings
Watch Over You
Silver Tongue
Rise Today
Metalingus

Blackbird
Isolation

Esqueçam as subtilezas. No passado dia 10 de fevereiro, o Sagres Campo Pequeno não foi uma sala de espetáculos, foi uma arena de combate onde o rock reclamou o seu trono pelas mãos dos Alter Bridge, Daughtry e Sevendust. A What Lies Within Tour aterrou em Lisboa com um arsenal sonoro de primeira linha e o resultado foi uma descarga elétrica que deixou os ouvidos a zumbir e a alma cheia.

Mal passaram 40 dias desde o início de 2026 e Lisboa já foi palco de uma sucessão de descargas sonoras de alto calibre, percorrendo as mais variadas latitudes do Rock. Se o género está a morrer, nós ainda não recebemos o memorando para o enterro. E se o funeral está marcado ou já aconteceu… não demos conta, pelo contrário, as salas em Portugal têm estado cheias para celebrar o volume e a distorção.

Do hard rock clássico dos D-A-D à loucura arrojada dos Electric Callboy; da elegância de Tarja e Marko Hietala ao peso sinfónico de Epica e à brutalidade dos Jinjer; passando pelo indie rock à Portuguesa dos Capitão Fausto e dos Napa; pelo rock alternativo de Biffy Clyro e pelo fenómeno The Last Dinner Party, até chegarmos ao concertão dos Alter Bridge Tem sido um desfile ininterrupto que prova que o Rock, nas suas mil formas, continua a ser a banda sonora da nossa resistência.

Por outro lado, 2026 arrancou como um autêntico annus horribilis. De Norte a Sul de Portugal, as tempestades têm sido implacáveis: chuva e ventos que não dão tréguas, cheias que levam tudo à frente e infiltrações que minam o que resta. Enquanto muitos choram a perda de familiares, amigos, casas, animais e projetos de uma vida, enquanto muitos ainda estão sem eletricidade ou um tecto onde viver, enquanto espaços culturais são forçados a cerrar fileiras temporariamente, Lisboa parece viver numa bolha de estranho privilégio.

Entramos em cada sala com o coração apertado ao ler e ao ver as imagens das notícias que nos vão chegando. Há um sentimento de culpa e impotência que nos rói por sermos os “sortudos” que ainda podem sair de casa para assistir a um concerto, enquanto o país lá fora se afoga. Talvez por isso tenhamos vivido estes concertos de forma tão visceral: com o sentimento de quem não pode dar o futuro como certo e a fúria de ter que aproveitar o momento, antes que o abismo nos bata à porta.

O regresso dos Alter Bridge a Portugal, a 10 de Fevereiro, trouxe o novo disco homónimo e um Sagres Campo Pequeno cheio, mas o prato principal veio com acompanhamentos de peso. Rotular os Sevendust e os Daughtry como simples actos de abertura é manifestamente redutor. Estivemos perante um cartaz de luxo, uma oportunidade de ver três bandas com calibre de cabeças de cartaz a partilharem o mesmo palco pelo preço de um único bilhete. Rock de elite, sem concessões.

SEVENDUST

Quando os Sevendust subiram ao palco, o Campo Pequeno ainda estava a meio gás, fruto da ingrata tarefa de tocar demasiado cedo para um dia de semana em Lisboa. Por algum motivo, a banda nunca alcançou a mesma projeção de outros pares da era dourada do nu metal, mas a sua prestação na capital provou como é profundamente injusto.

Lajon Witherspoon continua a ostentar um vozeirão que contrasta com a sua presença afável em palco. Visivelmente emocionado com a receção calorosa, o vocalista fez questão de agradecer todo o carinho do público. Tanto na plateia como nas reações que inundaram as redes sociais, ficou claro que muitos se deslocaram ao Campo Pequeno para os ver, e por isso, não há razão nenhuma para esperarmos muito mais tempo por um regresso em nome próprio. Ontem já era tarde!

Conscientes do slot limitado que tinham, e à exceção da recém-editada “Is This The Real You?”, o grupo deixou os temas mais recentes de lado para apostar nas pérolas do seu catálogo. Foi um set curto, mas servido por uma parede sonora afiada e uma entrega irrepreensível, onde não faltaram as malhas “Black”, “Enemy”, “Praise”, “Crucified” e “Face to Face”. A justiça em Portugal foi feita com 30 anos de atraso.

  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 23
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 11
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 2
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 6
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 18
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 7
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 45
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 8
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 9
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 10
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 13
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 15
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 16
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 14
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 17
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 5
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 19
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 21
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 22
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 41
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 24
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 25
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 26
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 27
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 29
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 30
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 33
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 31
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 32
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 34
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 35
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 36
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 38
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 39
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 42
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 43
  • SEVENDUST c Ines Barrau 1 de 225 12

DAUGHTRY

Depois da tempestade sonora inicial, veio a calmaria, ou melhor, o equilíbrio. Os Daughtry subiram ao palco do Sagres Campo Pequeno para apresentar o seu hard rock polido, onde a melodia nunca sacrificou o peso. A visita a Portugal coincidiu com as celebrações dos 20 anos do seu álbum de estreia homónimo, o disco que os catapultou para as tabelas mundiais com power ballads icónicas como “It’s Not Over” e “Over You”. Curiosamente, a ausência de “Home” do alinhamento poderá ter sido notada, mas esse vazio foi rapidamente preenchido por uma banda decidida a provar que é muito mais do que um fenómeno romântico de outros tempos.

Com um tempo de antena mais generoso, o quinteto apostou forte no material mais recente. Do novo álbum, “Shock To The System – Part Two” (2025) dispararam temas como “Divided”, “The Bottom”, “Antidote” e a vibrante “The Day I Die” mostraram uma banda revigorada, com uma sonoridade moderna que mantém a essência que os tornou famosos.

Na frente de tudo isto, Chris Daughtry confirmou o estatuto de vocalista de elite, “a cantar nas horas” e a demonstrar um alcance vocal impressionante.

O momento de maior cumplicidade com o público teve sotaque português. Elvio Fernandes, o homem das teclas com “sangue tuga”, apresentou-se a rigor: vestia a camisola da seleção nacional, numa clara homenagem ao seu compatriota Cristiano Ronaldo. A banda apresentou-se extremamente coesa, com as guitarras no ponto e uma secção rítmica de batida forte e precisa. Na frente de tudo isto, Chris Daughtry confirmou o estatuto de vocalista de elite, “a cantar nas horas” e a demonstrar um alcance vocal impressionante.

A inclusão da versão de “Separate Ways”, dos Journey, funcionou como um autêntico “mimo” para os mais nostálgicos. “Artificial” encerrou o set com uma pujança que deixou um aviso claro: os Daughtry de 2026 são uma força do rock contemporâneo que não precisa de muletas do passado para se agigantar. Agora, resta-nos esperar que a “cunha” de Elvio Fernandes interceda por nós, para que uma próxima digressão europeia em nome próprio não deixe Portugal fora do mapa.

  • DAUGHTRY c Ines Barrau 99 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 101 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 49 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 52 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 48 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 53 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 55 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 56 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 57 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 58 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 54 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 59 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 61 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 63 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 66 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 67 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 68 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 70 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 72 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 73 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 74 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 75 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 76 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 89 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 78 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 80 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 91 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 81 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 82 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 95 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 84 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 85 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 90 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 87 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 98 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 88 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 102 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 97 de 225
  • DAUGHTRY c Ines Barrau 103 de 225

ALTER BRIDGE

A última vez que vimos os Alter Bridge remonta a 2023, no Evil Live, na MEO Arena. Na altura, a experiência ficou aquém das expectativas, algo deslocados no cartaz, com uma acústica que não os favoreceu, marcada por uma saturação de médios e alguma estridência que se infiltrava nos ouvidos. Ficou a sensação de que a banda merecia melhores condições, e os fãs também. Por isso, este regresso em nome próprio, agora com um novo álbum, trazia consigo uma espécie de ajuste de contas.

A receção foi calorosa, familiar até… Casa cheia para receber músicos que o público acolheu como parentes e amigos que não se viam há demasiado tempo.

E no essencial do concerto, pouco ou nada mudou, felizmente. Os riffs pujantes de Mark Tremonti continuam a soar com a mesma robustez de sempre e a voz singular de Myles Kennedy parece imune à passagem do tempo. Há uma segurança quase inabalável na forma como ambos dominam o palco, alternando entre momentos de intensidade bruta e passagens mais harmoniosas, sempre com uma naturalidade desarmante. Tremonti mantém o estatuto de um dos grandes guitar heroes contemporâneos, algo que se comprova facilmente em temas como “Metalingus” ou “Open Your Eyes”.

Com mais de duas décadas de estrada, a maturidade apresenta-se na inteligência com que constroem o alinhamento. O novo álbum homónimo, “Alter Bridge”, foi apresentado com uma confiança inabalável, integrado de forma tão orgânica que os novos temas pareciam já fazer parte do ADN clássico da banda que todos aguardavam. Dos temas acabados de sair do forno ouvimos “Silent Divide”, “Tested And Able” e “Playing Aces”.

  • alter bridge c Ines Barrau 20
  • alter bridge c Ines Barrau 8
  • alter bridge c Ines Barrau 31
  • alter bridge c Ines Barrau 19
  • alter bridge c Ines Barrau 25
  • alter bridge c Ines Barrau 37

Aqui não há lugar para vedetismo. O palco é um espaço de partilha absoluta, um casamento perfeito entre dois titãs que sabem quando dar espaço um ao outro. Em “Burn It Down”, Tremonti voltou a recordar-nos que as suas cordas vocais são tão vibrantes como a “voz” que arranca das suas PRS, assumindo o protagonismo com uma mestria que já lhe conhecemos a solo.

Contudo, a solidez dos Alter Bridge não se esgota, de forma alguma, no carisma destes protagonistas. Brian Marshall, no baixo, e Scott Phillips, na bateria, formam a espinha dorsal desta engrenagem: uma secção rítmica coesa, implacável e de uma eficácia silenciosa. São eles que ajudam a erguer aquela “parede sonora” que se tornou a imagem de marca do quarteto de Orlando. No universo desta banda, nada soa a excesso ou a exibicionismo gratuito; cada batida e cada linha de baixo estão, rigorosamente, ao serviço da composição.

Contudo, a solidez dos Alter Bridge não se esgota, de forma alguma, no carisma dos seus protagonistas. Brian Marshall, no baixo, e Scott Phillips, na bateria, formam a espinha dorsal desta engrenagem: uma secção rítmica coesa, implacável e de uma eficácia silenciosa. São eles que ajudam a erguer aquela “parede sonora” que se tornou a imagem de marca do quarteto de Orlando.

  • alter bridge c Ines Barrau 113
  • alter bridge c Ines Barrau 52
  • alter bridge c Ines Barrau 40

Num tempo em que a Inteligência Artificial domina as discussões na indústria da música e muitos concertos se perdem em produções faraónicas, com ecrãs gigantes, coreografias milimétricas e um aparato visual quase cinematográfico, há algo de profundamente reconfortante em assistir a um espetáculo focado essencialmente na música, algo cada vez mais raro neste campeonato do mainstreaming. Os Alter Bridge trouxeram a Lisboa um palco minimalista e projeções pontuais, sem pirotecnia, confettis ou plataformas móveis. O foco esteve onde muitas vezes deve estar: nos instrumentos, nas vozes e na ligação directa com o público. E, às vezes, só isso basta. Mas também fica fácil quando se é dono de um arsenal de “malhas” como “Metalingus”, “Open Your Eyes”, “Broken Wings”, “Fortress”, “Blackbird”, “Watch Over You” ou “Isolation” [e tantas outras que não cabem nesta lista ou no tempo útil de um concerto].

alter bridge c Ines Barrau 59

Mas há outro fator que nos faz admirar estes músicos: a espontaneidade e o sorriso com que nos recebem. Claro que um espetáculo desta dimensão exige planeamento e estratégia, mas os Alter Bridge deixam espaço para o improviso e para a atenção ao que se passa na sala. Logo à terceira música, Myles Kennedy arrancou-nos um sorriso: “Cry of Achilles” começou com um “falso alarme” porque o vocalista, com humildade, admitiu que faltava algo… precisava de voltar a colocar os óculos , tal como estava programado (depois de os ter retirado em “Addicted to Pain”). «É da idade», justificou o seu esquecimento, entre risos, nos seus bem aproveitados 56 anos.

  • alter bridge c Ines Barrau 107
  • alter bridge c Ines Barrau 73

Mais à frente, Myles interrompeu “Open Your Eyes” ao perceber que uma fã se sentia mal nas primeiras filas. Foi ao som das famosas vocalizações entre a banda e o coro do público que a equipa médica entrou em cena, num momento de civismo e respeito que não quebrou o ritmo, mas reforçou a união entre palco e plateia.

Mais à frente, o “olhar de águia” de Kennedy entra novamente em acção ao detectar um pedido de casamento em plena plateia, antes de “What Over You”. Da zona onde nos encontrávamos, a visibilidade era reduzida, pelo que agradecemos a Brian Marshall a “tradução gestual” do que estava a acontecer: o suspense, a dúvida e, finalmente, o “Sim!”. Com a bênção dos Alter Bridge numa noite chuvosa em Lisboa, a conclusão é simples: só não será um casamento duradouro se os intervenientes não quiserem.

Para o encore, a banda reservou a carga emocional de “Blackbird” e a energia crua de “Isolation”. Foi o golpe final de uma noite que provou que o rock não só goza de excelente saúde, como continua a ser o refúgio dos que procuram verdade em cima de um palco.

Esta jornada no Campo Pequeno deixou um lembrete importante: a música não deve ser uma competição, nem medida apenas pelo seu alcance comercial ou por algoritmos de popularidade. O valor de bandas como estas reside na lealdade que inspiram e na qualidade que entregam, independentemente das modas. Se o rock é uma linguagem de resistência e entrega, os Alter Bridge são hoje um dos seus mais nobres porta-vozes.

Longa vida aos Alter Bridge, longa vida ao Rock!

  • alter bridge c Ines Barrau 114
  • alter bridge c Ines Barrau 86
  • alter bridge c Ines Barrau 76
  • alter bridge c Ines Barrau 68
  • alter bridge c Ines Barrau 56
  • alter bridge c Ines Barrau 57
  • alter bridge c Ines Barrau 44
  • alter bridge c Ines Barrau 87
  • alter bridge c Ines Barrau 90
  • alter bridge c Ines Barrau 35
  • alter bridge c Ines Barrau 9
  • alter bridge c Ines Barrau 69
  • alter bridge c Ines Barrau 28
  • alter bridge c Ines Barrau 80
  • alter bridge c Ines Barrau 24
  • alter bridge c Ines Barrau 22
  • alter bridge c Ines Barrau 17
  • alter bridge c Ines Barrau 14
  • alter bridge c Ines Barrau 42
  • alter bridge c Ines Barrau 3
  • alter bridge c Ines Barrau 11
  • alter bridge c Ines Barrau 7
  • alter bridge c Ines Barrau 109
  • alter bridge c Ines Barrau 70
  • alter bridge c Ines Barrau 5
  • alter bridge c Ines Barrau 6
  • alter bridge c Ines Barrau 4
  • alter bridge c Ines Barrau 120 1
  • alter bridge c Ines Barrau 1
  • alter bridge c Ines Barrau 42 1
  • alter bridge c Ines Barrau 28 1
  • alter bridge c Ines Barrau 120
  • alter bridge c Ines Barrau 35 1
  • alter bridge c Ines Barrau 119
  • alter bridge c Ines Barrau 79
  • alter bridge c Ines Barrau 105
  • alter bridge c Ines Barrau 108
  • alter bridge c Ines Barrau 111
  • alter bridge c Ines Barrau 118
  • alter bridge c Ines Barrau 110

PRÓXIMOS EVENTOS