Para celebrar o formato que continua a apaixonar coleccionadores e amantes da música, reunimos algumas das próximas feiras de vinil em Portugal. De Lisboa ao Porto, passando por Olhão, há discos para descobrir, trocar e levar para casa.
Antes de o vinil se tornar um objecto de culto, colecção e paixão para várias gerações, ouvir uma gravação sonora era algo que parecia quase impossível. A possibilidade de guardar uma voz ou uma música para a voltar a escutar mais tarde nasceu de uma sucessão de experiências e invenções que transformaram profundamente a relação com o som.
É neste contexto que surge uma das invenções mais importantes da história da reprodução sonora. A 12 de agosto de 1877, Thomas Edison apresentou o fonógrafo, aparelho que permitia gravar e reproduzir som. Pela primeira vez, era possível registar uma voz humana e ouvi-la posteriormente, sem que a pessoa estivesse fisicamente presente. O que hoje parece banal terá sido, na época, uma experiência quase sobrenatural.
O fonógrafo utilizava um cilindro sobre o qual uma agulha registava as vibrações produzidas pelo som. Para reproduzir a gravação, o processo era invertido, com a agulha a percorrer o registo e a transmitir novamente essas vibrações, posteriormente amplificadas através de um cone metálico.
A novidade rapidamente despertou fascínio. As primeiras demonstrações públicas do fonógrafo eram quase espectáculos, numa época em que uma voz sem corpo parecia pertencer mais ao domínio da magia do que ao da ciência. Em Portugal, estas apresentações eram anunciadas como verdadeiros acontecimentos e ajudaram a dar a conhecer uma tecnologia que viria a mudar para sempre a forma de ouvir música e palavra.
O fonógrafo foi apenas o princípio. A tecnologia foi sendo aperfeiçoada e surgiram diferentes sistemas de gravação e reprodução, incluindo os gramofones associados a Emil Berliner, que introduziram os discos planos como alternativa aos cilindros. A possibilidade de produzir cópias dos registos tornou a música gravada progressivamente mais acessível e abriu caminho ao desenvolvimento de uma nova indústria.
Durante as primeiras décadas do século XX, os discos passaram a fazer parte do quotidiano de um número crescente de pessoas. Música, poesia, teatro e outras formas de entretenimento podiam ser levados para dentro de casa e reproduzidos sempre que se desejasse. Em Portugal, numa época em que ainda não existia uma indústria de produção de discos com a mesma dimensão de outros países, muitas gravações de artistas nacionais eram prensadas no estrangeiro.
A evolução dos aparelhos também levou a música gravada para fora de casa. Os gramofones accionados por moeda permitiam ouvir música em espaços públicos, enquanto diferentes equipamentos eram utilizados para aprender línguas, gravar mensagens ou até criar os chamados «postais falados».
Décadas mais tarde, os discos de vinil acabariam por se afirmar como um dos formatos mais importantes da música gravada. Apesar da chegada das cassetes, dos CDs e, posteriormente, do digital e do streaming, o vinil nunca desapareceu completamente. Pelo contrário, nas últimas décadas recuperou um lugar de destaque, não apenas como formato de escuta, mas também enquanto objecto físico, elemento de colecção e parte importante da cultura musical.
É neste espírito que se assinala, a 12 de agosto, o Dia Internacional do Disco de Vinil. A data está associada ao anúncio do fonógrafo por Thomas Edison, em 1877, embora o aparelho utilizasse originalmente cilindros e não discos de vinil. A celebração serve, assim, para recordar uma história muito mais longa do que a do próprio vinil, uma história feita de invenções, experiências e sucessivas transformações na forma como a humanidade grava, reproduz e partilha música.
E, para quem prefere descobrir música entre capas, etiquetas e caixas de discos, há várias oportunidades para o fazer nos próximos meses. Reunimos algumas das próximas feiras de vinil em Portugal.Mais de um século depois de Edison ter apresentado o fonógrafo, continuam a existir pessoas dispostas a procurar um disco, folhear caixas, descobrir uma edição inesperada e colocar uma agulha sobre o vinil. É essa ligação entre tecnologia, música e memória que mantém o formato vivo.
Feira de Vinil de Lisboa
4, 5 e 6 de setembro
Mercado de Santa Clara, Lisboa
Feira de Benfica
26 e 27 de setembro
28 e 29 de novembro
Palácio Baldaya ou Ringue António Livramento, consoante o estado do tempo
Feira do 8 Marvila
12 e 13 de setembro
19 e 20 de dezembro
Lisboa
Garage Sale
30 de agosto, 15:00 às 18:00
Svet Space, Praça do Exército Libertador, 6, Porto
Mercado Porto Belo
Todos os sábados, 09:00 às 18:00
Praça de Carlos Alberto, Porto
Porto Vinyl Market
1.º sábado de cada mês ímpar
Maus Hábitos, Porto
Feira bimestral dedicada a discos, livros e memorabilia musical
Feira de Vinil de Olhão
1.º domingo de cada mês
Pátio da República 14, Olhão
Av. da República nº.14