electric callboy c graziela costa

Electric Callboy em Lisboa: 12 Pontos Para os Reis do Metalcore Eurovisivo

27/01/2026

Review

Electric Callboy
10/10
Bury Tomorrow
9/10
Wargasm
7/10
Ambiente
10/10
Som
9/10
Overall
9.0/10
TANZNEID
Still Waiting (Sum 41 Cover)
Tekkno Train
Hypa Hypa
MC Thunder
Neon
Pump It
Hurrikan
All the Small Things / Bodies (Electric Bassboy)
Revery
Hate/Love
Mindreader
Monsieur Moustache vs. Clitcat / Muffin Purper-Gurk / We Are the Mess / Crystals
Drum Solo
Fuckboi
Everytime We Touch (Maggie Reilly Cover)
MC Thunder II (Dancing Like a Ninja)
Elevator Operator
RATATATA
Spaceman
We Got the Moves

Festa rija com muita pirotecnia e confettis à mistura, foi assim que os Electric Callboy encerraram a perna europeia da Tanzneid World Tour com um concerto esgotado na Sala Tejo da MEO Arena. A abrir as festividades estiveram os britânicos Bury Tomorrow e Wargasm.

Os anos passam e os Electric Callboy não param de crescer como banda e como performers ao vivo. O monstro do metalcore eurovisivo está cada vez maior e começa a tornar-se difícil arranjar palavras que descrevam toda a experiência que é assistir a um concerto do grupo germânico. A ideia que fica é que estamos perante um banda de culto que congrega na sua base de fãs um misto de metaleiros e fãs de outros géneros que encontram na banda alemã uma música que, apesar de pesada, é orelhuda, descomplicada e esteticamente muito apelativa. Dizer que os Electric Callboy podem vir a ser os herdeiros do legado dos Rammstein no que diz respeito à liderança do metal alemão pode parecer um exagero, mas olhando para os números e para a dimensão dos concertos certamente que, mais tarde ou mais cedo, chegarão ao patamar dos concertos de estádio.

Curiosamente, o concerto da Sala Tejo da MEO Arena não foi dos maiores da tour com uma assistência a rondar as 4000 pessoas. Todavia, o compromisso dos fãs portugueses para com a banda parece estar bem assegurado tendo em conta que o concerto esgotou com vários meses de antecedência.

Wargasm

Uma confusão face à hora do início do concerto, com o bilhete a indicar 20:30 e as redes da promotora 20:10, assim como grandes atrasos no escoamento das filas para a Sala Tejo levaram a que muitos perdessem grande parte ou até mesmo a totalidade do concerto dos Wargasm.

A dupla londrina de electro-punk, composta por Milkie Way na voz e baixo e Sam Matlock na voz e guitarra, tem aproveitado a Tanzneid World Tour para angariar novos fãs em territórios por onde ainda não tinham passado, como era o caso de Portugal. Quando estamos perante a banda de abertura de uma tour dos Electric Callboy sabemos que o tempo pode ser escasso, mas o objetivo deve passar por conseguir fazer com que o público se mexa. Os Wargasm perceberam exatamente a missão que tinham pela frente e cativaram o público do principio ao fim com a sua energia. O repertório do concerto girou à volta do seu único álbum de estúdio “Venom” (2023) que segue o mote da banda: «músicas zangadas para pessoas tristes.»

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  • Wargasm 7
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Bury Tomorrow

Ao contrário dos Wargasm, os Bury Tomorrow já não são estranhos nenhuns para o público português. Aliás, são das bandas de metalcore que mais vezes vieram tocar a Portugal, senão mesmo a que mais vezes veio. Mas, se em tempos era expectável ter Bury Tomorrow dois anos seguidos ou até mesmo duas vezes no mesmo ano e com data dupla, desta vez tivemos que esperar sete anos, o intervalo de tempo que separa a sua última passagem pelo RCA Club e o Hard Club e este concerto como convidados especiais dos Electric Callboy

Desde então, a banda sofreu uma baixa de peso com a saída em 2021 do vocalista melódico, guitarrista e fundador da banda Jason Cameron. Para muitos fãs, Jason era alma dos Bury Tomorrow. O seu timbre completamente distinto de todos os outros vocalistas melódicos da cena metalcore enriquecia e muito as composições da banda e casava na perfeição com os guturais e a voz berrada de Daniel Winter-Bates. Mas, a banda não se deixou abalar e reforçou a sua formação não com um, mas com dois novos elementos. Ed Hartwell entrou assim para cumprir o papel de guitarrista ritmo e Tom Prendergast para encarregar-se das vozes melódicas e ainda dos teclados que, até então, não tinham espaço nos concertos dos Bury Tomorrow.

Ainda antes de abordar a performance o primeiro elemento que queremos destacar é a qualidade sonora apresentada durante o set dos Bury Tomorrow

Ainda antes de abordar a performance o primeiro elemento que queremos destacar é a qualidade sonora apresentada durante o set dos Bury Tomorrow. Todos nós que frequentamos concertos sabemos que habitualmente as bandas de abertura são sempre sacrificadas em termos sonoros, seja por pretensiosismo e egoísmo dos headliners ou por questões de logística/têcnica relativamente ao soundcheck. Mas, aquilo que se passou com o concerto dos Bury Tomorrow na Sala Tejo foi algo completamente inesperado. Em vez de um som embrulhado encontrámos uma mistura muito definida. Chugs de guitarra e pancadas de bombo duplo a cruzarem-se nitidamente e vozes berradas e vozes melódicas bem niveladas mesmo quando sobrepostas uma à outra revelaram-se um deleite não só para os nossos ouvidos, mas também para toda a envolvência do concerto.

O set apresentado pela banda surgiu num formato best of, acabando por deixar de fora qualquer tema lançado antes do álbum “Black Flame” (2018). No entanto, esta é uma decisão totalmente perceptível, particularmente neste contexto onde é necessário agradar aos fãs da banda, mas também a todos aqueles que estão a descobrir os Bury Tomorrow naquele momento. A conquista do público através de grandes singalongs, assim como de breakdowns avassaladores e de um momento mais emotivo e introspetivo foi o segredo para uma performance tão bem sucedida. “Choke”, “Cannibal”, “Let Go” e “Black Flame” aqueceram as gargantas dos fãs e colaram-se aos ouvidos dos menos familiarizados, já “DEATH (Ever Colder)”, “Boltcutter”,”Villain Arc” e “Abandon Us” encarregaram-se de fomentar as movimentações do mosh pit. Não menos importante, “What If I Burn” foi o momento para encontrar uma conexão emocional com o público. No fim, não houve uma única crítica a apontar aos Bury Tomorrow, apenas um desejo de um regresso rápido em nome próprio.

  • Bury Tomorrow 0973
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  • Bury Tomorrow
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  • Bury Tomorrow 2
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  • Bury Tomorrow 4
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Electric Callboy 

O palco ainda estava a ser preparado para os Electric Callboy quando começámos a ter um vislumbre da magnitude desta produção. Ao centro bem suspenso lá em cima estava um suporte de luzes e de ecrãs led com o formato de um grande X, algo que nos fez de lembrar automaticamente de outros suportes de luzes tão magnânimos como o Grucifix dos Ghost e o tridente dos Judas Priest usado nas suas produções de arena.

As luzes apagaram-se, as projeções acenderam-se e, com a banda já em palco, a Sala Tejo explodiu, literalmente, ao som de “TANZNEID”. Ainda a processar todo aquele aparato sonoro e pirotécnico, o nosso olhar fixou-se rapidamente no baterista Frank Zummo, o membro mais recente da banda que mal cessou funções com os Sum 41 foi convidado a tocar com a banda alemã. Em jeito de agradecimento, os Electric Callboy adicionaram à sua setlist uma cover bem ao seu estilo de “Still Waiting” que elevou a malha dos canadianos para aquele patamar festivo tão reconhecível.

Electric Callboy 1288

Olhando para trás no tempo é interessante ver que “Tekkno”, o último álbum da banda, já foi lançado em 2022. Desde então, os Electric Callboy têm feito da estrada a sua casa com passagens pelo estúdio para gravar vários singles. Por enquanto, não sabemos ainda se existe um novo álbum na calha, mas até lá vamos continuar a desfrutar ao vivo das músicas que consagraram a banda como o nome mais forte metalcore eletrónico. Já com a locomotiva a aparecer na tela de fundo estava na hora de embarcar no “Tekkno Train”. Uma constante chuva de confettis e um ambiente festivo digno de uma discoteca berlinense manteve banda e público ligados à corrente em temas como “Hypa Hypa”, “MC Thunder” e “Neon”.

Bem ao estilo de um concerto pop não faltaram as já icónicas trocas de figurinos para trajes jocosos. “Pump It” levou-nos até ao ginásio e num ápice a zona do mosh pit transformou-se numa espécie de sessão de jazzercise.  De seguida, “Hurrikan” trouxe o primeiro vislumbre do schlager alemão, um género musical sério que os Electric Callboy desconstroem de forma cómica ao incorporarem elementos de metal.

Com o intuito de criar um espetáculo mais rico e proporcionar diferentes momentos, decidiram levar para os seus concertos um passatempo ao qual se dedicam há algum tempo – os famosos DJ Sets sob o nome artístico Electric Bassboy. Por instantes, a Sala Tejo virou uma espécie de Boiler Room ao som de remixes dos clássicos “All the Small Things” dos Blink 182 e “Bodies” dos Drowning Pool. Curiosamente, já tínhamos assistido a algo semelhante aquando da passagem dos Rammstein pelo Estádio da Luz.

Dos novos temas apresentados em palco “Revery” foi o que passou mais despercebido. Não é que a sua composição não seja boa, mas o seu refrão não parece ser tão marcante como os de “TANZNEID” e “Elevator Operator”.

Zummo perfeitamente entranhado nas dinâmicas espalhafatosas da banda teve direito a um  solo onde os fills de bateria eram lançados ao desafio por um robot baterista projetado na tela de fundo. Já livre desse produto da inteligência artificial, o baterista mostrou porque é um dos melhores bateristas da atualidade ao combinar técnica, velocidade e estilo.

No que diz respeito ao gear que a banda usou é importante salientar que tanto Daniel Haniß como Pascal Schillo e Daniel Klossek são endorsees da Schecter, porém apenas Haniß possui um modelo da assinatura. Em palco o músico recorreu à sua Danskimo-6 em diferentes acabamentos. A guitarra conta com uma ponte Evertune e um único humbucker Fishman Tosin Abasi. Já Schillo alternou entre uma Dan Donegan Ultra e vários modelos custom. Por sua vez, Daniel Klossek teve nos braços o SLS Elite-4.

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Apesar dos Electric Callboy saberem que muitos fãs só entraram no comboio já na era “Tekkno”, a banda não esquece aqueles que estão lá desde o início, quando ainda se chamavam Eskimo Callboy. Desta forma, foi preparado um medley thowback composto por “Monsieur Moustache vs. Clitcat”, “Muffin Purper-Gurk “, “We Are the Mess” e “Crystals”. É certo que foram poucos aqueles que reconheceram estes temas, mas isso não demoveu a banda de entregar tudo neste que também é para eles um momento de nostalgia e de retrospectiva face a tudo aquilo que alcançaram.

Zummo perfeitamente entranhado nas dinâmicas espalhafatosas da banda teve direito a um  solo onde os fills de bateria eram lançados ao desafio por um robot baterista projetado na tela de fundo. Já livre desse produto da inteligência artificial, o baterista mostrou porque é um dos melhores bateristas da atualidade ao combinar técnica, velocidade e estilo.

Ainda Zummo dava as suas últimas pancadas na bateria e já Nico Sallach e Kevin Ratajczak apareciam no meio do público para um momento profundamente intimista. Convidando a que todos se sentassem no chão a dupla brincou um pouco com os fãs primeiro com meia dúzia de versos de “I Want It That Way” dos Backstreet Boys e logo de seguida com “Fuckboi” numa versão acústica e a «cover da cover» “Everytime We Touch” que viria a terminar já com os vocalistas em cima do palco a cantar a sua versão mais explosiva.

Com o aproximar da 00:00, a energia começava a escassear, mas o público ainda conseguiu arranjar forças para saltar ao som de “MC Thunder II (Dancing Like a Ninja)” e “Elevator Operator”, esta última inspirada numa personagem real que a banda conheceu na House of Blues de Chicago.

Para o encore, as BABY METAL deram uma ajudinha com “RATATATA”, antes de entrarmos na nave espacial de “Spaceman” com os músicos vestidos a rigor como se fossem astronautas da NASA. A fechar, “We Got The Moves” com a sua pirotecnia a acompanhar ritmicamente o drop/breakdown envolveu-nos num derradeiro banho de confettis.

No final, parecia que estávamos a sair de um estádio de futebol após um jogo vitorioso, tal era a vontade do público em prolongar os cânticos para lá da arena. O curioso é que é precisamente este o efeito que os Electric Callboy procuram provocar nos seus fãs. É caso para dizer: oiçam música, vão a concertos, mas não se levem demasiado a sério.

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  • Electric Callboy

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