O Suave Fest regressa de 3 a 5 de setembro para a sua 11.ª edição, este ano com uma programação alargada a três dias e dois espaços.
Promovido pelo Convívio Associação Cultural e Recreativa, o Suave Fest começa no dia 3 no Pátio da Misericórdia, antes de regressar, nos dias 4 e 5, ao Largo da Misericórdia, espaço que se tornou parte indissociável da identidade do evento.
Ao longo de três dias, o Suave Fest volta a propor um encontro próximo entre artistas e público, mantendo a aposta na criação artística nacional e em projetos com identidade própria, o festival assume-se como um espaço de descoberta, partilha e liberdade, onde propostas distintas encontram o mesmo lugar.
A 11.ª edição arranca num ambiente mais intimista, com dois concertos no Pátio da Misericórdia. Nos dois dias seguintes, o Largo da Misericórdia volta a receber a programação, que percorre territórios experimentais e contemplativos, novas linguagens do rock alternativo, cruzamentos entre tradição e contemporaneidade e projetos desenvolvidos a partir de processos de criação ligados ao território.
Quanto ao cartaz o público poderá ouvir Glass Glass, projecto que nasce do encontro entre Joana Brito, dos Black Wizards e Sunny AM, e Tiago Sampaio, dos Grandfather’s House e St. James Park, músicos que se conhecem há cerca de uma década e que encontram agora neste projeto um novo espaço de criação e cumplicidade artística.
Homem em Catarse, alter-ego do multi-instrumentista Afonso Dorido, prepara um novo capítulo do seu percurso a partir da relação que mantém há vários anos com a Galiza. Depois de várias apresentações naquele território, o músico parte da ideia do caminho enquanto percurso físico, cultural e interior para encontrar em «o camiño» uma nova direção artística.
Também Capital da Bulgária integra o programa. A artista escreve canções diretas e íntimas, próximas da linguagem de uma nota de voz enviada a um amigo, onde o humor e a dor convivem com histórias e inquietações do quotidiano. Em fevereiro de 2024, editou o álbum de estreia “contei e deixei que tu me julgasses”, assumindo a produção, a construção lírica e a identidade visual como partes de um mesmo universo artístico.
Vindos de Sintra, os Them Flying Monkeys apresentam uma abordagem própria ao rock alternativo contemporâneo, cruzando a urgência do post-punk com paisagens neo-psicadélicas e uma forte componente eletrónica. A tensão entre controlo e caos é uma das marcas do projeto, que transforma os concertos em experiências físicas e catárticas, entre melodia e distorção.
Os Expresso Transatlântico levam ao Suave Fest a sua abordagem às interseções entre tradição portuguesa e sonoridades globais contemporâneas. Com a guitarra portuguesa como um dos elementos centrais, o grupo constrói uma linguagem aberta ao mundo, sem perder a ligação às suas raízes.
Mr. Gallini, pseudónimo de Bruno Monteiro, apresenta uma proposta difícil de fechar num único género, cruzando punk, pop e bossa-nova com uma dimensão psicadélica muito própria. O resultado é um espetáculo que procura conciliar diferentes referências sem abdicar de uma forte identidade.
A programação inclui ainda o regresso dos Três Tristes Tigres, banda formada no início dos anos 90 a partir da colaboração entre Ana Deus e Regina Guimarães. Nascido entre um gravador de cassetes, colagens, canções e poesia, o projeto desenvolveu uma linguagem própria, situada entre o cabaret pop, o experimentalismo e uma escrita poética e corrosiva.
A colaboração entre Ana Deus e Alexandre Soares, antigo elemento dos GNR, esteve na origem de trabalhos fundamentais da banda, como “Guia Espiritual”, de 1996, e “Comum”, de 1998. Depois do reencontro em 2017, os Três Tristes Tigres regressaram aos discos com “Mínima Luz”, editado em 2020.
As Lesma representam a nova vaga punk portuguesa, assumindo o ruído, a urgência e a atitude como ferramentas para questionar a monocultura e reivindicar espaço para novas vozes no underground. Formado por Leonor, Rita e Beatriz, o projeto fecha um cartaz que reforça a diversidade estética e geracional do Suave Fest.
Depois de ter celebrado a sua 10.ª edição em 2025, o festival entra assim numa nova década mantendo a inquietação que o acompanha desde o início, criar espaço para a música acontecer, aproximar artistas e público e valorizar propostas que desafiam fronteiras e categorias.
A entrada para o festival é totalmente gratuita.