Depois de uma ausência dos palcos de cerca de seis anos, os Empire of the Sun levaram Lisboa a um delírio visual e sonoro no arranque da nova digressão.
Lisboa foi o ponto de partida para o regresso triunfal dos Empire of the Sun aos palcos europeus. Na noite de 23 de julho, o Sagres Campo Pequeno esgotou para receber a dupla australiana que, após seis anos de silêncio em digressão, voltou a dar espetáculo, e que espetáculo. Mais do que um concerto, foi uma experiência sensorial imersiva, onde a música e a encenação fundiram-se numa celebração vibrante da fantasia e da eletrónica psicadélica.
Durante oito anos, os fãs dos Empire of the Sun esperaram pacientemente pela palavra da dupla visionária, composta por Emperor Steele e Lord Littlemore, enquanto atravessavam o mundo na sua peregrinação sónica. Esta espera termina com o lançamento do novo álbum “Ask That God”, que vieram apresentar aos fãs portugueses.
Após a abertura das hostilidades pelos portugueses Roi Turbo, a banda subiu a palco acompanhada por duas criaturas dançantes sempre em perfeita sincronia ao longo de todo o concerto, e deu início ao espetáculo com as novas “Changes” e “The Feeling You Get”.
Visualmente, o espetáculo foi deslumbrante, do cenário aos vídeos, das luzes ao guarda-roupa, figura certamente entre os mais impressionantes que vimos este ano. Entre esculturas digitais, dançarinos coreografados, efeitos visuais hipnóticos e até a presença da “mascote” Supachai, em “Music on the Radio” e “Revolve”, fomos conduzidos por um verdadeiro teatro futurista, embalado por batidas synth-pop e uma produção cenográfica de dimensão quase operática. “Ask That God”, a faixa que dá nome ao novo álbum, levou ao palco o ponto máximo da fusão entre o visual e o real, atingindo o auge da espetacularidade e do conceito do concerto.
Ao balcão, o som chegava um tanto embrulhado, com o volume talvez excessivo, ou então estamos mesmo a ficar velhos. Nos solos de guitarra, notou-se uma estridência que, infelizmente, comprometeu a nitidez e a beleza desses momentos, sobretudo em temas como “DNA” e “Television”, “Standing on the Shore” que mereciam brilhar com todo o seu esplendor. Neste último, a desgraçada da Fender acaba destruída em bocados nas mãos de Steele.
Claro, que as maiores ovações e com todo o Campo Pequeno de pé vieram com músicas como “We Are the People”, “Walking on a Dream” ou no final perfeito com “Alive”.
Este concerto em Lisboa foi mais do que o início de uma digressão. Foi uma afirmação artística de um projeto que continua a desafiar os limites entre música, performance e espetáculo visual. Os Empire of the Sun não regressaram apenas aos palcos, regressaram ao seu trono de pop visionário, oferecendo ao público português uma noite inesquecível de pura magia intergaláctica.






