MAQUINA.KEXP

ENTREVISTA: A jarda dos MAQUINA. na KEXP

13/02/2026

Durante a presença da Arte Sonora no festival francês Trans Musicales, estivemos à conversa com os MAQUINA. sobre a experiência e o gear utilizado na sessão gravada para a KEXP.

A rádio norte-americana KEXP tem aproveitado o palco do Trans Musicales para registar diversas sessões com bandas emergentes europeias, reforçando o seu papel de vanguarda na exploração da música contemporânea. Desde 2016 que a equipa de Seattle ruma a Rennes para descobrir novos talentos. Portugal tem marcado presença habitual, com nomes como Ana Lua Caiano (2023) e os Travo (2024). Em 2025, o privilégio de gravar para a prestigiada rádio coube aos MAQUINA., e mais uma vez a música portuguesa esteve bem representada. Para esta sessão levaram as malhas “dança”, “kontakte”, “denial” e “:.”.

Nos comentários ao vídeo já disponibilizado, podemos ler elogios como: «Adoro o facto de terem o Frank Zappa na bateria», «ainda bem que cliquei neste vídeo. Que descoberta incrível!», «a galera de Portugal tá de parabéns, pohha que som foda!!», «KEXP, muito grato por toda a excelente música que tenho descoberto através de vocês!», «apenas um minuto disto e já estou tão contente por ter clicado aqui.».

A convite da WHY Portugal, a Arte Sonora integrou a comitiva nacional e voou até Rennes em dezembro de 2025 para acompanhar de perto o processo de exportação da música portuguesa em festivais estratégicos. Podes ler o artigo completo sobre essa experiência, aqui. No dia em que o trio composto por Halison Peres, José Rego e João Cavalheiro gravou a sessão na ESMA (École Supérieure Des Métiers Artistiques) em Rennes, aproveitámos para falar com os MAQUINA. sobre os bastidores da sessão e as especificidades do equipamento que usam ao vivo e descobrimos alguns segredos…

Como é que surgiu este convite da KEXP?
Foi o resultado de muito trabalho. Desde que participámos no Eurosonic, que o [Francisco] Cabrita [Pointlist] começou a falar connosco na possibilidade de tocar no Trans Musicales e conseguir também a KEXP. A gente tinha isso on site, mas houve todo um trabalho, uma equipa que se juntou: a Why Portugal, o pessoal da Fuzz Club, a Kate Price (que é a nossa PR também da Fuzz Club)… muita gente que começou a falar com o pessoal para saber quem era a pessoa que estava por trás da KEXP esse ano. O pessoal achava que era o Kevin Cole, mas afinal, era o Jim [Beckmann], e como havia contactos que já o conheciam, começaram a falar… e o Jim até nos confirmou que muitas pessoas já tinham sugerido os MAQUINA. Então, foi todo um ano de volta disto, desde 17 de janeiro de 2025, data em que tocámos no Eurosonic. Foi preciso abrir muitas portas para a KEXP. Eu me lembro que a gente estava num e-mail com uma thread com pelo menos umas 20 pessoas… se calhar não eram 20, mas no mínimo umas 10… e umas 50 mensagens, tudo ali “tatatatatata” [som de teclar], todo mundo só em volta disso! Uma cena que achei engraçada foi depois de darmos uma entrevista para uma miúda: no final, já em off record, a mãe dela veio falar comigo e eu estava contando algumas coisas e todo o trabalho envolvido. E ela comentou, engraçada, que para quem está de fora as coisas aparecem assim, fazem propostas e vocês aceitam… e aí, tipo: Não! Até chegarmos à KEXP, houve toda uma equipa, muitas horas de trabalho. Foi um ano inteiro, de janeiro a dezembro, sempre a estimular e a falar da possibilidade de conseguir tocar no Trans Musicales. Depois de fecharmos o Eurosonic, foi “bora tentar ir para o Focus Wales“, que também nos podia abrir portas e reforçar a ida ao Trans Musicales. E até nos abriu portas para ir para a Coreia do Sul e, do nada… tipo… isso também não estava no script, e a gente foi para a Coreia do Sul esse ano. Alguma vez a gente imaginou que ia tocar na Coreia?

E gear? O que usaram nesta sessão da KEXP?
João: Eu não estava a usar a minha guitarra nem o meu amplificador. Mas normalmente uso uma Mustang, e os meus pedais são, maioritariamente, delays, fuzz e distorções da Boss e da Ibanez. O amplificador é o JC-120, da Roland.

Zé: Uso um Hofner, um Club Ignition com três cordas. Semi-hollow.

João: Três cordas, é muito importante! A receita é três cordas!

Zé: Aproveitei isso do Tomás (ex-baixista), porque lá está… é essa a receita para o nosso som de baixo. E uso uma Line 6 LX. E depois faço split para um amp de guitarra, que normalmente é o que há… e um amplificador de baixo, que é também o que há.

João: E isso é importante, toda a gente adora o som de baixo dos MAQUINA. O segredo é esta mistura entre o amplificador de guitarra e de baixo.

Halison: Toda a distorção está no amplificador de guitarra e todo o low-end para vibrar está no baixo e isso faz com que o som fique menos embolado, não esteja aquele muddiness. Na mix, quando você escuta, escuta mais clean… e: “Ah, o som de máquina… o baixo é bué cleaner…“, isso acontece porque o sinal está separado.

Zé: O som de baixo está completamente limpo, só com compressão, sem efeitos, sem nada, e o som de guitarra está com todo o sauce lá dentro.

E a bateria?
Halison: Então, eu tenho uma bateria… tenho pratos… tenho duas baquetas… tenho pratos partidos, cenas que um gajo vai juntando no ferro-velho. Depois uso o SPD-SX, que eu “triggo” o kick com uma cena de 9-on-9, tipo mesmo techno e o snare… também estou a triggar o snare para dar mais punch. Está soando incrível! E depois a voz… a voz, eu tenho um pedal que é bem importante, é o Boss DD-3, digital delay. Esse é o pedal que faz a minha voz ficar fixe.

João: Esse é bué importante, até eu tenho um!

Dispara o play para ouvir a jarda dos MAQUINA. na KEXP.

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