Na antecâmara do lançamento de “Loss”, o álbum mais introspetivo e experimental, os Gaerea revelam-se como uma banda profundamente livre, sem amarras sonoras e pronta para ir à conquista dos quatro cantos do mundo.
Dez anos passaram desde o nascimento dos Gaerea no Porto e do lançamento do seu primeiro EP homónimo. Numa viagem heroica digna de uma epopeia camoniana, a banda tem trilhado o seu caminho ao longo da última década com muito sacrifício, mas também com muita ambição e uma visão de projeto ímpar na cena portuguesa. Os Gaerea que encontramos agora, em 2026, já não são os mesmos de 2016, e não estamos a falar em termos de recursos humanos, mas sim no que diz respeito à maturidade e autenticidade com que a banda metamorfoseou o seu som.
O black metal que outrora gravou a banda portuense nos anais da Encyclopaedia Metallum já não mora aqui, dando agora lugar a uma expansão sónica que extravasa as fronteiras do metal e que não tem medo de se miscigenar com sonoridades consideradas mais comerciais. É este o ponto de partida de “Loss”, um álbum que mergulha numa reflexão profunda entre várias dualidades como a vida e a morte, a luz e as trevas e a água e o fogo.
Para saber mais sobre o processo criativo que está por detrás de “Loss”, que será editado dia 20 de Março, assim como os planos já agendados para este novo ciclo, a Arte Sonora sentou-se à conversa com Alpha, vocalista e líder dos Gaerea.
Estão prestes a entrar num novo ciclo com o lançamento do álbum “Loss”. Como é que têm sido estes primeiros meses de 2026? De alguma calma antes da tempestade ou de muito trabalho?
Temos estado bastante ocupados desde o momento em que saímos dos concertos no Porto e em Lisboa. Andamos a preparar os nossos concertos de apresentação do novo disco agora em Março em Amesterdão e em Bruxelas. Neste momento estamos em residência artística a fazer os nossos ensaios e também as coisas mais chatas. Habituámos-nos tanto a estar na estrada e éramos uma banda que já não ensaiava há muitos anos, mas agora estamos a ter novamente esse contacto com o ensaio. É algo que traz alguma frescura às coisas que estamos a fazer.
Antes de dissecarmos o “Loss”, vamos falar um pouco sobre os três eventos que vão ter em breve, o primeiro aqui em Portugal, a 14 de Março com a listening session do álbum. Vai ser no Museu de Lamas onde gravaram em 2021 a vossa performance virtual “The Bronze Halls”. O que é que os fãs podem esperar desta listening session?
É um evento de agradecimento ao Museu de Lamas que nos recebeu e é onde estamos a fazer esta preparação, esta residência. Sempre quisemos fazer algo para a comunidade e agora que estamos de volta a Portugal, com toda a gente a viver por cá, queremos fazer mais coisas para envolver mais a comunidade. Não só do nosso município mãe, mas também para darmos a conhecer aos nossos fãs aquilo que temos de bonito no nosso país. Temos pessoas a vir um bocadinho de todo o mundo para este evento. Vai ser um evento com 150 pessoas, um evento privado, que já está esgotado, e onde as pessoas podem visitar o museu. É um museu lindíssimo, têm aqui uma excelente oportunidade para o visitar e ficar a conhecer um pouco da sua arte. No final da visita começamos a listening session do novo álbum. Serão 45 minutos com a banda presente e no final faremos uma pequena conversa onde as pessoas podem estar um bocadinho connosco.
Na semana seguinte à listening session vão estar em Bruxelas no dia 20, precisamente na data de lançamento do álbum, e no dia 21 em Amsterdão. Porquê a escolha destas duas cidades e o que é que podem revelar destes dois concertos? Vão tocar o álbum na íntegra?
Sim, vamos tocar o álbum na íntegra. O concerto vai ter dois atos. Primeiro vai ser o álbum na íntegra. Depois vamos ter uma atividade no meio que ainda vamos revelar e por fim uma espécie de um grande encore com um regresso às origens da banda com músicas mais conhecidas. Fizemos uma espécie de coletânea de algumas músicas que toda a gente já conhece para acompanhar aquilo que vamos fazer no início do concerto com o novo disco. Ou seja, vai ser um evento de cerca de 2h30m, bastante diferente e especial e que só poderão ver nessa altura.
Se somos a maior banda em Portugal? Pouco me interessa, muito sinceramente. Quero que as pessoas gostem do que fazemos, quero acima de tudo conseguir abrir portas para outras pessoas ouvirem mais metal português.
Sem qualquer tipo de pretensiosismo, os Gaerea nunca esconderam as suas ambições de se tornarem a maior banda portuguesa de metal. Sem se subordinarem a rótulos, já tinham conseguido entreabrir essa porta com o “Coma” (2024), mas agora com o “Loss”, e recorrendo aqui à gíria futebolística, podemos dizer que estamos prestes a assistir a uma subida de escalão categórica para um campeonato onde jogam os grandes nomes do metal moderno. Também sentes essa fronteira cada vez mais ténue?
Talvez sim. Estamos a fazer os maiores festivais, estamos a encabeçar alguns festivais, alguns até bastante grandinhos. A banda está a crescer, a base de fãs está a crescer e as pessoas gostam do que fazemos. Também somos uma banda bastante honesta nas nossas coisas, uma banda muito DIY. Sempre fomos. Acho que as pessoas apreciam isso no que fazemos e felizmente estamos a fazer música com a qual as pessoas também se identificam e gostam. Se somos a maior banda em Portugal? Pouco me interessa, muito sinceramente. Quero que as pessoas gostem do que fazemos, quero acima de tudo conseguir abrir portas para outras pessoas ouvirem mais metal português. Quero levar bandas portuguesas em tour. Quero dar oportunidade a outras bandas. Quero fazer muitas coisas que não tivemos oportunidade de fazer há 10 anos quando começámos. Sempre tivemos que fazer as nossas próprias coisas, os nossos próprios eventos, as nossas primeiras tours. Enfim, acho que também é isso que as bandas portuguesas têm que fazer, mas queremos abrir portas. Não queremos fechar nada. Somos uma banda grande em Portugal e sabemos disso. Mas não queremos começar a fazer gatekeeping das coisas e a não deixar as outras bandas terem coisas que nós também temos. Quero muito que as bandas portuguesas sejam grandes porque todas elas merecem.
E de que forma é que toda a conjuntura sonora que hoje em dia define o que chamamos de metal moderno influenciou o processo de composição de “Loss”? Foi algo que tiveram sempre em conta ou limitaram-se a compor o álbum que sentiam fazer mais sentido neste momento da vossa carreira?
Acho que é mais a segunda parte da tua pergunta. Sentimos menos pressão agora que estamos todos ali na casa dos 30-31 anos. Comecei esta banda quando tinha 21 anos. No início tens muitas coisas que queres provar. Queres entrar e queres fazer os primeiros festivais, queres fazer as primeiras tours, queres que as pessoas te conheçam, queres provar que fazes parte de algo. Mas, a certa altura, percebemos aquilo que já tínhamos conquistado. Desta vez, decidimos escrever um álbum sobre nós, algo que nos ajudasse a falar das nossa emoções. Sentimos que somos uma banda bastante crescida e pronta para abrir as portas para as nossas próprias tragédias, traumas e dificuldades. Mas sim, é um álbum que não se limita apenas ao black metal, aliás, de black metal tem muito pouco. No “Coma” já tínhamos feito um bocadinho essa transição pois já fizemos os nossos álbuns de black metal. Acho que os fizemos bem, e estou bastante contente com eles, no entanto chegou a altura de experimentarmos outras coisas. Queria fazer músicas de forma diferente. Queria aprender a cantar e foi isso que fui fazer para este álbum. Queria desafiar-me. Eles queriam tocar com sete cordas, mas nunca tinham experimentado, então experimentámos as sete cordas. O “Loss” é um álbum tão experimental nessas coisas que acabou por transformar-nos em músicos muito melhores. Existe uma frescura que vem dessas influências que tínhamos quando éramos mais novos ou das primeiras bandas que comecei a ouvir quando tinha 15/16 anos como os Linkin Park, os Korn e os Slipknot. Enfim, quando és mais novo negas um bocadinho essas nuances com outros álbuns, mas agora simplesmente não o queremos fazer. Acho que está na altura de deixar esses interesses e essas influências porta adentro e fazer um álbum que se calhar é difícil das pessoas porem dentro de uma caixa, mas que é um álbum de metal com elementos de black metal, hardcore, metalcore e nu metal.
Mas sim, é um álbum que não se limita apenas ao black metal, aliás, de black metal tem muito pouco.
E como é que surgiu esse interesse em trazer para os Gaerea essa dicotomia tão característica do metalcore que é a articulação dos versos mais pesados com o refrão melódico e orelhudo?
Experimentação. Já queríamos fazer este tipo de coisas desde a altura do “Limbo” (2020) e chegámos a fazer alguns testes. Sempre fomos uma banda que quis fazer coisas um bocadinho diferentes. Mas, nem sempre as ideias vão para a frente. Já no “Coma” era para termos momentos mais abertos, mais minimalistas e com vozes mais limpas. Acabámos por não ter porque não estávamos a acreditar no resultado. Acho que com este álbum, sendo um trabalho onde não tivemos qualquer tipo de limitação, sentimos que estava na altura de fazermos o que realmente queríamos. Aliás, o primeiro tema que fiz foi a “Luminary” que é a primeira música do álbum. Os primeiros temas dos nossos álbuns são sempre os primeiros a serem escritos. Mas, depois o segundo tema que compus foi a “Stardust” (última faixa), e aí já percebi que tipo de disco é que o “Loss” não ia ser. Não ia ser um disco de black metal, de certeza. E creio que o terceiro ou quarto tema que escrevi foi o tema pop “LBRNTH”. Ou seja, não é um álbum que tem sequer uma direção, tem emoções, tem os seus conceitos, mas é um álbum que anda ali muito na experimentação e que mostra os Gaerea a fazer coisas pela primeira vez.
Vamos passar para a análise do álbum. Começando pela “Luminary”, vocês têm lá no meio uma espécie de breakdown disfarçado, com direito a chugs e tudo. Lá está, um elemento característico do metalcore. Foi a primeira vez que exploraram este recurso num dos vossos temas?
Esse chug que estás a falar até fomos roubar aos nossos amigos Analepsy. Temos o mesmo produtor e quando chegou a altura de fazer esse chug estava toda a gente a gritar Analepsy no estúdio. Mas sim, lá está, os Analepsy foram buscar aquilo ao slam e ao brutal death metal e tudo isso vem do hardcore. Eu acho que é aquele momento que mais gostamos quando estamos a tocar essa música nos ensaios. É uma coisa tão diferente e tão nova. Mesmo em termos de palm mute não somos uma banda que tenha muito disso. Sempre fomos uma banda de muito tremolo picking e trazer esses sabores diferentes às músicas, mesmo que seja só aquele riff acho que encaixa muito bem porque é adicionar novos elementos à tua música. É uma música que acaba por ser algo que tem muito de Gaerea, mas que tem esses momentos um bocadinho diferentes, novos e mais frescos, que acho que funcionaram bastante bem.
A “LBRNTH” é uma música que sai completamente fora da caixa. É uma espécie de interlúdio ou intro para a “Nomad” com uma estética meio atmosférica e que permite ao ouvinte absorver o que já foi escutado até aí. Qual foi a vossa intenção quando criaram esta faixa?
Foi literalmente fazer uma música pop. Acho que estamos numa fase da banda em que queremos tão pouco saber em que estilo é que as pessoas no encaixam e isso tem sido tão bom para nós que acabamos por fazer temas assim. Acho que é capaz de ser um dos meus temas favoritos por ser tão diferente. Há cinco anos seria impensável sequer pensar em fazer algo parecido. Mas, acho que existe alguma beleza nesse crescimento e na minha mudança de opinião sobre algumas coisas. Hoje em dia posso dizer que tenho uma música pop numa banda que já foi de black metal. Acho que esse paradoxo é bastante genial e um resultado do sabor do tempo. Nós mudamos as nossas opiniões com o tempo e crescemos como pessoas. Eu sempre gostei de pop, simplesmente nunca achei que fizesse sentido num álbum de Gaerea. No entanto, acho que agora chegou a altura de o fazer e acho que o fizemos com alguma graciosidade. O álbum estava a soar tão diferente, tão fresco, que não fazia sentido não experimentar uma música pop em que nem sequer sou eu a cantar, é a nossa guitarrista, que tem uma voz muito boa . Ela já cantava no “Coma”, mas neste álbum canta muito mais. . Ou seja, aqui o objetivo foi mesmo abrir as portas para explorarmos muito mais elementos também a nível de synthwave e de diferentes abordagens na bateria, com uma bateria mais de rock e outra mais de pop. Enfim, existe uma série de momentos, principalmente nesta música, que adoro e que vai ser, de certeza, algo que vai funcionar muito bem ao vivo.
Foi literalmente fazer uma música pop. Acho que estamos numa fase da banda em que queremos tão pouco saber em que estilo é que as pessoas no encaixam e isso tem sido tão bom para nós que acabamos por fazer temas assim. Acho que é capaz de ser um dos meus temas favoritos por ser tão diferente.
No “Loss” revelas-te como um vocalista muito criativo, com diferentes abordagens vocais, particularmente no teu registo melódico. Na épica “Stardust” desafias todas as convenções, com harmonias vocais e uma secção com um beat 808 onde parece que utilizas uma abordagem mais próxima do rap. Leva-nos um pouco pelo processo criativo desta catarse sonora de oito minutos que fecha o álbum.
Sim, foi o segundo tema que fiz. Lá está, foi o tema que nos mostrou que este álbum ia ser simplesmente um álbum completamente à parte de tudo aquilo que já tínhamos feito e que estávamos no caminho certo. É uma música que tem estes momentos todos que falaste, tem ali um momento meio rap ou R&B. Ela não é guiada por uma guitarra, é completamente guiada pelas vozes, pela orquestra e pelo piano. Aliás, é a primeira vez que temos o piano a liderar a música. Sendo a música que é e com a mensagem que tem, acho que é o tema que basicamente dita porque é que o álbum se chama “Loss”. É uma música sobre perda, sobre um amigo que eu perdi quando tinha 15 ou 16 anos, o meu melhor amigo, e o quão esse evento me mudou como pessoa e como me moldou. Quando tens 15 ou 16 anos ainda estás naquela fase de transição para a vida adulta, mas acho que esse evento trágico ainda hoje persegue-me bastante e mudou completamente a minha personalidade. Acho que foi algo que transpareceu bastante na música com os vários momentos diferentes. É uma música bastante conflituosa que tem momentos completamente de black metal, mas depois tem momentos mais post, mas depois também tem um momento R&B. Ou seja, parece uma salada de momentos, mas com um resultado bastante orelhudo. Tem um refrão forte, tem na mesma as nossas influências de metalcore e do nosso black metal. Acho que é uma música que me faz lembrar muito daquilo que fizemos na “Mare” do “Limbo”. Vai buscar um bocadinho dessas origens, e pronto, é uma música de amor. É uma mensagem para alguém que não está cá.
Comprovando a veracidade daquele mítico ditado que defende que “em equipa vencedora não se mexe”, voltaram a trabalhar com o Miguel Tereso nos Redbox Studios na gravação do “Loss”. O que é que ele traz para os Gaerea e qual o impacto que ele tem no vosso som característico?
O Miguel é o nosso sexto membro. É o nosso “primo” afastado que vemos a cada dois anos quando vamos gravar, mas é uma pessoa que percebe esta banda como ninguém. Não precisamos de debater grandes coisas com o Miguel, ele sabe exatamente as ideias que trazemos, que tipo de banda é que podemos ser, que tipo de banda é que queremos ser e que tipo de banda já fomos, pois é importante olhar para o álbum que já fizemos e para o que podemos fazer agora. É uma pessoa que tem essa visão, que sabe o que pode puxar de nós e aquilo que estamos a tentar desenvolver. Ele não grava muitas bandas, mas gosta de trabalhar connosco porque também partilhamos a mesma visão. É mesmo um excelente produtor, um excelente músico, um bom amigo há quase 10 anos e é uma pessoa que gostamos de ter por perto. Gostava muito que ele estourasse e desaparecesse para o mainstream e nós nunca mais pudéssemos encontrá-lo, pois seria sinal de que estava a ter sucesso. Mas, até o perdermos de vista, vai ser uma pessoa que vai estar sempre connosco e a trabalhar connosco.
Antes de terminarmos, não podemos deixar passar ao lado a vossa estreia na Austrália, um país que se tem revelado como uma grande potência do metal e particularmente do metalcore com bandas como Parkway Drive, The Amity Affliction, Northlane, Polaris, Make Them Suffer, etc. Como é que conseguiram furar para esse mercado tão longínquo?
A Austrália sempre foi do nosso interesse. Já lá queríamos ir há muito tempo, mas nunca aconteceu. Tem todo aquele lado financeiro muito difícil de furar, pois é um mercado muito longe e onde as coisas são muito caras. Já quando foi para irmos aos EUA demorou-nos bastante a furar porque estávamos à espera da altura certa. E com a Austrália foi exatamente a mesma coisa. Estávamos à espera do momento certo, e esse momento chegou com este álbum e com o que temos estado a fazer com a sua promoção. Só agora é que apareceu algo mesmo interessante, em que podemos ir, podemos encher salas e podemos vender bilhetes como uma banda que não caiu de paraquedas, mas que já tem uma boa legião de fãs naquele território. Estamos bastante contentes. Acho que vai ser um verão bem passado com muitos concertos, muitas noites sem dormir e muito trabalho. Mas, esperemos que seja uma excelente altura de promoção do álbum.
Para terminar, em 2026 celebram 10 anos, já com grandes objetivos alcançados. Vocês são uma banda de fazer planos a longo prazo? Por exemplo, vêm-se em 2036 a celebrar os 20 anos dos Gaerea com um concerto com orquestra na Casa da Música?
Não sei. Se conseguirmos fazer isto mais 5 anos, sem dores de costas, já vai ser bom. Nós planeamos sempre com muito tempo e já temos coisas fechadas para 2027. Normalmente planeamos sempre com 2 ou 3 anos de antecedência. Não com 10. É impossível com 10. Eu acho que só gostava de fazer isto mais 10 anos se conseguirmos fazê-lo com esta intensidade que temos hoje em dia. Claro que a certa altura será impossível termos sempre esta genica, mas acho que não o consigo fazer sem ser com essa energia e com a intensidade física das nossas performances. Quando já não o conseguirmos fazer acho que está na altura de parar. É certo que existem muitas bandas que não sabem quando parar. Nós nunca estivemos nessa fase, mas quando chegar a altura espero que saibamos fazê-lo. Mas sim, espero que consigamos fazer mais 10 anos disto.
