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ENTREVISTA | Dealema: “96 ao Infinito” e concerto de celebração de 30 anos à moda do Norte

12/02/2026

Em 2026, os Dealema comemoram três décadas de carreira com novo álbum e concerto esgotado no Porto. Trocámos umas palavras com Maze sobre “96 ao Infinito” e uma antevisão do que poderemos esperar no Coliseu.

Estão nas nossas vidas há 30 anos e aparentemente não querem sair. O emblemático grupo de rap alternativo e hardcore Dealema, composto por Expeão, Fuse, Guze, Maze e Mundo Segundo, vai lançar um novo disco no dia 13 de Fevereiro e sobe a palco para a celebração de três décadas de carreira, no dia 20 de Fevereiro, evento que esgotou o Coliseu do Porto Ageas.

Na antevisão do concerto e em vias de lançarem o quinto álbum de estúdio, Maze conversou com a Arte Sonora para desmistificar a importância da palavra, o novo disco e dar-nos novidades sobre um concerto que vai marcar várias gerações que acompanham o hip-hop tuga.

O grupo teve um hiato de 12 anos que foi quebrado com o single “Doutros Tempos”, lançado o ano passado. Porquê este interregno?
Isso já começa a fazer parte da nossa periodicidade de lançamentos. Em 96, lançámos o EP “Expresso do Submundo”, mas o primeiro álbum só saiu cá para fora sete anos depois, em 2003. Entre o primeiro disco e 2013, foi o período em que lançámos mais discos seguidos. Mas, de facto, já passou demasiado tempo. Para quem vê de fora, pode parecer estranho. Podem pensar que somos uma banda que não está a seguir as tendências do mercado. Hoje em dia, um grupo é quase obrigado a lançar um disco de dois em dois anos para poder tocar, para se posicionar e para não cair no esquecimento. No entanto, nós [Dealema] temos uns timings muito específicos. Apesar de se pensar o contrário, temos dezenas de discos em nome próprio que não deixam de ser também Dealema. Quando nos apresentamos individualmente, há sempre Dealema no nosso ADN, a essência do grupo está sempre presente. Então, não é propriamente um hiato de 12 anos, porque neste tempo lançámos mesmo muitos discos a solo. Tenho a ideia que quisemos acumular experiências e a vida de adulto é completamente diferente de quando éramos mais novos. Lançámos agora porque este foi o nosso momento. Os 30 anos impulsionaram isto, deram o mote para o regresso.

Essa foi a nossa intenção. Mostrar que passados 30 anos, temos a mesma fome que tínhamos em 96.

“Doutros Tempos” é o single que antecipa o novo álbum e nesta faixa conseguimos observar o amadurecimento da banda, mas com toques que os Dealema nos apresentavam nos anos 2000.
Na década de 2000 fazíamos faixas com samples de música clássica e com um estilo liricamente mais pesado que acabou por se tornar a nossa característica: um rap mais alternativo e hardcore. Tanto a “Doutros Tempos” como “O Sangue”, que sai a seguir, têm essas características. São faixas que nos levam para os Dealema numa fase mais inicial, mais crua, mais focada na mensagem. Essa foi a nossa intenção. Mostrar que passados 30 anos, temos a mesma fome que tínhamos em 96. Percebemos que podemos usar a palavra como arma de intervenção, como forma terapêutica, como estímulo para uma geração. Essa faísca inicial que nos levou a apaixonar por esta forma de arte mantém-se viva e acompanha-nos até hoje. Pertence ao nosso ADN. A palavra tem um papel protagonista no grupo.

Em Janeiro ofereceram “O Teu Momento”, uma colaboração com Bezegol. O tema é o terceiro single de avanço do próximo álbum e convida-nos a agarrar o presente. Como se deu esta parceria?
Isto já devia ter acontecido há muito tempo. O Bezegol já tinha colaborado com Mundo Segundo e é um artista que admiramos desde sempre. Como era algo recíproco, as coisas fluíram de forma muito orgânica e criámos um tema especial. A faixa é transversal, consegue tocar a todos, especialmente com o poder da voz do Bezegol e da palavra que usa. Como tivemos um interregno de 12 anos, sentimos que as pessoas estavam a sofrer por música nova. Do feedback que temos recebido, não há muita gente a oferecer o que nós estamos a fazer. As pessoas estavam realmente a ressacar deste estilo de música, desta mensagem. Há pessoas que nos dizem que este tema saiu no momento certo da vida delas, que as tem ajudado de alguma maneira. E não há nada mais satisfatório para uma banda do que tocar no outro e causar impacto desta forma.

O próximo disco chama-se “96 ao Infinito”. Porquê?
“96” é a nossa data de formação e é um ano que usamos como referência: “Dealema desde 1996”. E “ao Infinito” é uma forma de celebrarmos estes 30 anos. No fundo, é um olhar para trás, percebermos de onde viemos e onde estamos agora. Este novo disco aponta para a frente, para o futuro e para o caminho que ainda temos de percorrer. É um exemplo da intemporalidade que trazemos nas nossas músicas. Além disso é um statement: queremos que os Dealema durem.

Além do disco, que sai já no dia 13 de Fevereiro, uma semana depois vão celebrar os vossos 30 anos de carreira com um concerto no Coliseu do Porto Ageas. Como é que antecipam este evento?
A antecipação é grande. Estamos muito desejosos de estar naquele palco. Esgotámos um coliseu. Faltavam meses para o espectáculo e já estava esgotado. Só nos fazia sentido celebrar em casa, no Porto, com os nossos e com a nossa família, a de casa e a alargada, a que nos acompanha desde o início. Ainda por cima numa casa mítica da cidade. Preparámos uma actuação que vai ser especial. Vamos tocar temas da nossa carreira, onde fazemos uma retrospectiva dos temas mais importantes, onde adicionamos faixas do novo disco, obviamente. Vai ser um género de trajectória, de onde começámos até onde estamos.

Para fechar, sabemos que vão ter convidados especiais. Podes avançar algum nome?
Vou avançar dois. Vamos ter que tocar “O Teu Momento”, portanto o Bezegol vai lá estar. Mas vou referir o nome de alguém que nos acompanha desde o primeiro dia: o Ace dos Mind da Gap. O Ace sempre participou connosco em muitos temas e teve um papel importantíssimo no nosso primeiro EP, “Expresso do Submundo”. Desde então, tocamos juntos e vamos continuar a estar juntos em palco. O resto, é surpresa.

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