ENTREVISTA | Hoobastank: Um Regresso às Origens

ENTREVISTA | Hoobastank: Um Regresso às Origens

Num regresso há muito aguardado pelo público português, os Hoobastank apresentaram-se no Rock in Rio Lisboa 2026 para tirar o pó a um punhado de clássicos e apresentar uma novidade bem empolgante. 

Banda de referência da cena alternativa na transição dos anos 90 para os 2000s, os Hoobastank marcaram uma geração com êxitos como “The Reason”, “Same Direction” e “Out of Control”. Porém, como se diz em linguagem literária, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Nos anos 2010s, a banda de Doug Robb perdeu alguma tração com álbuns menos conseguidos e experimentações sonoras que nunca espelharam a identidade do projecto. Agora, à boleia de um certo saudosismo, mas com um olhar para o futuro, os Hoobastank mostram que não estão estagnados em termos criativos e preparam o regresso aos álbuns com um registo que promete ser um piscar de olho às origens.

Para saber mais sobre o estado da arte dos Hoobastank, a Arte Sonora conseguiu trocar dois dedos de conversa com o vocalista Doug Robb e o guitarrista Dan Estrin na antecâmara do concerto no Rock in Rio Lisboa 2026. Dos primórdios da banda ao lado dos também emergentes Linkin Park e Incubus, às memórias das várias passagens por Portugal, passando ainda pela antevisão do futuro com o novo single “How Do You Sleep?”, os Hoosbastank mostram-se confiantes perante o que aí vem.

No Rock in Rio Lisboa tocam no mesmo dia dos Linkin Park. Ambas as bandas são originárias de Augora Hills, na Califórnia, e fizeram parte da cena do Cobalt Cafe no final dos anos 90. Levem-nos até esses tempos.
Doug Robb: Foi uma altura interessante. No início dos anos 90 havia muitas bandas, obviamente em Seattle, todo o movimento grunge. Mas, sinto que nos meados dos anos 90 até aos primeiros anos de 2000 existiam muitos projectos na nossa área. Parecia que toda a gente que conhecíamos estava numa banda e que muitas dessas bandas estavam a conseguir contratos discográficos. Mas, foi sempre tudo muito amigável. Nunca sentimos que tínhamos que superar os Incubus ou os Linkin Park. Na altura, ainda nem sequer se chamavam Linkin Park (eram os Xero, nome que mantiveram entre 1996 e 1999, antes de mudarem para Hybrid Theory). Todos se ajudavam mutuamente e era muito divertido tocar. Foi uma boa altura com uma vibração muito positiva. Só tenho memórias divertidas.

“Push Pull”, o vosso álbum mais recente, foi lançado em 2018. O álbum tem uma sonoridade mais virada para o pop rock ao invés da vossa sonoridade clássica mais orientada para o rock alternativo. Porém, recentemente, lançaram o novo  single “How Do You Sleep?”, com um som mais pop punk. É essa a sonoridade que podemos esperar do próximo álbum?
Doug Robb: Se tivesse que dizer sim ou não, diria que sim. Nós gravámos o álbum “Push Pull” com o Matt Wallace, que veio a tornar-se um bom amigo. Não quero dizer que foi um álbum experimental, porque nós deixámos seguir o seu rumo. Para ser sincero, não sei se estávamos todos com o mesmo mindset. Mas, já passou algum tempo, entretanto tive de tratar de algumas coisas relacionadas com a minha vida. Depois chegou o covid e quando finalmente passámos por isso, o Dan trouxe muitas ideias. Eu sempre quis fazer algo mais riffy e pesado. Então à medida que ele sacava um grande riff eu começava a escrever. Ouvi algumas pessoas a dizer que estamos a voltar às raízes e talvez estejamos mesmo.

Eu sempre quis fazer algo mais riffy e pesado. Então à medida que ele sacava um grande riff eu começava a escrever. Ouvi algumas pessoas a dizer que estamos a voltar às raízes e talvez estejamos mesmo.

Dan Estrin: Acho que se tivéssemos lançado a música “Pieces” do álbum homónimo como single, e as pessoas conhecessem bem esse tema, facilmente perceberiam que a “How Do You Sleep?” vai buscar muito desse som. Mas, muitas pessoas conhecem apenas as músicas que passavam na rádio, “Crawling in the Dark” e “Running Away”. Sempre gostámos de todos os estilos de música, desde a música mais pesada à mais pop. No entanto, se eu fosse ouvir o “Push Pull” agora, algo que não faço muito frequentemente, consigo reconhecer que não é o meu álbum favorito dos Hoobastank. Foi um processo experimental meio estranho. Como o Doug disse, eu estava num mindset estranho e nem sequer sabia o que estava a fazer e o que queria fazer ao certo. Não me sentia criativo. Sobre o próximo álbum, não diria que irá ter uma sonoridade virada para o punk, mas será certamente um álbum mais pesado e enérgico. Mas, lá está, nós como banda sempre nos encaixámos em festivais ao lado de bandas de punk rock e de nu metal.

Vocês têm vindo a Portugal desde a tour do álbum homónimo. Que memórias é que têm dos concertos que deram aqui?
Doug Robb: Muitas plateias a irem à loucura. Curiosamente, há uma música no álbum “Reason” (2003), intitulada “Unaffected”, que o Dan começou a escrever no soundcheck de um concerto que demos aqui. Por isso, as memórias são de pessoas amigáveis, concertos fantásticos e um clima incrível.

Os Hoobastank tocaram no Rock in Rio Lisboa 2026 a 21 de Junho. Podes ler aqui a review desse concerto.