ENTREVISTA | Margarida Campelo: novo disco, nova Maggie
(c) Maria Bicker

ENTREVISTA | Margarida Campelo: novo disco, nova Maggie

20/05/2026

Três anos depois de “Supermarket Joy”, aterramos em 2026 com um novo LP, um disco que promete maior solidez estética, maturidade emocional e é a renovação do bilhete de identidade musical de Margarida Campelo.

A cantora, multi-instrumentista e compositora Margarida Campelo levantou o pano do novo álbum com o single “Musa d’Improviso” que nos mostra uma reinvenção plena, tal como a sua aura (de panda).

No novo tema, a cantora traz para cima da mesa um aesthetic vindo de um catálogo dos anos 80/90, com penteados enrolados para dentro e a voz doce e típica de Margarida. Musa d’Improviso “saiu-lhe”, mas veio para ficar.

Este mais recente single marca o início de uma nova fase. “Maggie” assume agora, pela primeira vez, toda a produção e direção do disco, numa «descoberta pessoal e profissional enorme» onde houve «dias incríveis e dias muito assustadores», confessa a artista em entrevista à Arte Sonora.

A faixa nasce da sensação de estar “no meio”, num espaço de indefinição identitária e emocional. Aos 25 segundos conseguimos absorver esta ideia quando Margarida interrompe a melodia com a voz e canta “Vem no meio e no meio balança”.

O videoclipe, realizado por Maria Bicker, reforça esta estética ambígena. É aqui que sentimos visualmente a viagem aos anos 70, 80 e 90 que parece random, mas grita Margarida.

Embora ainda sem título, o novo disco vai ser mais sólido, mais maduro e mais fiel à veia musical da cantora. «Hoje em dia sou uma pessoa mais segura. Este disco vai ser um bocadinho mais estilístico, mais afunilado». Cada faixa vai marcar um tom diferente do álbum.

«Hoje em dia sou uma pessoa mais segura. Este disco vai ser um bocadinho mais estilístico, mais afunilado». Cada faixa vai marcar um tom diferente do álbum.

Já podemos ouvir o segundo cartão de visita desta obra anónima. No entanto, a faixa vira-se para as baladas de amor. Foi a primeira escrita a pensar e a dirigir-se para alguém. «É uma música de amor, soul e R&B português, que envolve todos os clichês que existem no mundo», partilha Margarida Campelo.

O primeiro longa-duração nasceu de um processo de descoberta. “Supermarket Joy” inicialmente era para ser cantado em inglês, mas acabou por transformar-se num manifesto de autenticidade portuguesa. «A minha música em inglês ia ser igual a tantas outras. Mas em português, não», conta.

Essa mudança abriu caminho para uma estética própria, onde o indie, o jazz, o neo-soul e o R&B convivem como se fossem irmãos. Este é mais virado para a identidade da artista. Livrou-se das manhas e preconceitos existentes na própria cabeça e abraçou-se com todas as características que se conhece.

Se “Supermarket Joy” foi um retrato de várias fases de vida, este novo trabalho fixa-se num ponto mais consciente. O disco, que chega em Setembro, promete aprofundar uma linguagem que a artista tem vindo a construir: soul, R&B, experimentação e escrita no idioma materno que desafia as líricas habituais. Se no primeiro disco esta hibridez vinha da mesma família, neste segundo trabalho é tudo feito da mesma matéria.

Em breve vão ser anunciadas as datas de apresentação. Até lá, ficamos a conhecer a fundo a Margarida Campelo. Uma artista que se começou a sentir com colaborações com Bruno Pernadas, Cassete Pirata, Joana Espadinha, PZ e tantos outros, mas que agora atingiu a maioridade musical e já nos oferece o que tem: uma identidade própria, uma voz que nos toca e um segundo disco com assinatura própria.