Confirmada a gravação de “From Zero”, o novo álbum dos Linkin Park, nos Estúdios Namouche, em Lisboa, a AS entrou em contacto com Miguel Peixoto, o engenheiro de som residente, para saber os pormenores dessa mítica sessão de estúdio.
Quando em Novembro de 2024 noticiámos que os Linkin Park tinham vindo a Portugal gravar “From Zero”, o álbum que marcou o regresso da banda ao ativo após um hiato de sete anos, apenas sabíamos que as gravações tinham decorrido nos históricos Estúdios Namouche, em Lisboa.
Após alguns meses a tentar saber quando e como decorreu essa sessão de estúdio, chegámos, finalmente, ao contacto com Miguel Peixoto, engenheiro de som residente nos Namouche, e o responsável pela captação dessa sessão. Interessado em também contar a história por detrás desta sessão “mistério”, Miguel abriu as portas dos estúdios à AS e contou-nos algumas curiosidades do que para ele foi apenas “mais um dia num escritório“.
Para as gravações de “From Zero” os Linkin Park recorreram a quatro estúdios, três na região de Los Angeles (The Stockroom, EastWest Studios e Studio del Brittain) e um em Portugal, os Namouche, em Lisboa. Como é que eles chegaram até vocês?
Normalmente, como nós gravamos muitos projetos internacionais este acaba por ser o estúdio de referência, nomeadamente com o pessoal do rock. Temos tido essa sorte. Já tivemos outro projectos internacionais que aquando das gravações não sabíamos exatamente quem eram e depois quando fomos ver é que se deu o clique. Neste caso, o contacto chegou através do management da banda, mas nós na altura nem sabíamos que eram os Linkin Park, depois associámos os nomes. Entretanto, quem apareceu foi a Emily.

Na altura ainda não estava associada à banda e então achámos que era apenas mais uma artista internacional a vir cá gravar. As músicas não tinham nome, só tinham números e vieram num disco externo. Então gravávamos as músicas e ela foi-se embora. Só quando vimos um post no Reddit sobre os Namouche e os Linkin Park é que começámos a associar as coisas.
Quando é que a sessão decorreu? E qual foi a ordem de trabalhos?
A sessão aconteceu em Maio de 2024. Ela marcou um dia completo, mas ficou por aqui apenas umas horas. Ela não gravou leads, mas cantou e escreveu umas coisas, possivelmente letras.
Quais é que achas que foram os fatores que levaram os Linkin Park a escolherem os Namouche para as sessões de gravação do “From Zero”?
Acho que tem que ver com o ambiente que o estúdio proporciona. Mas, também já gravámos discos com um produtor que é o Alain Johannes e ele é amigo dela. Dá-me ideia que foi esse o ponto de contacto. Ele pode ter-lhe falado do estúdio ou ela pode ter visto que ele esteve aqui.

E em termos de gear, o que é que foi utilizado nessa sessão?
Ela gravou com um Neumann U 67 para um canal da Neve (mesa de mistura).

Que tipo de impacto é que esta passagem dos Linkin Park pelos Namouche pode ter no futuro dos estúdios? Sentem que pode abrir novas oportunidades para outras bandas/artistas de renome internacional virem a Portugal gravar?
Na altura não fui eu que gravei, mas o Joaquim Monte (dono dos Namouche e engenheiro de som) gravou Panda Bear e Iceage. Ele já gravou algumas coisas internacionais. Sempre que vêm artistas estrangeiros gravar a Portugal normalmente vêm para aqui. Se fores comparar com os estúdios de LA é bastante parecido e em termos de acústica consegues ter o mesmo som que lá.
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Miguel Peixoto ainda nos adiantou que Emily Armstrong apareceu nos Estúdios Namouche com um cameraman, possivelmente com o intuito de captar imagens daquela sessão. Entretanto, os Linkin Park já partilharam o primeiro episódio da sua série “Inside the Studio” para a primeira faixa do álbum “The Emptiness Machine”. Por enquanto, ainda não há sinais dos Namouche, mas vamos ficar atentos aos próximos episódios.
