“O céu e o inferno estão em ti” é o quarto single do álbum de estreia de AVESSO e podes ver o vídeo em primeira mão na Arte Sonora.
Idealizado como residência artística, o encontro improvável de músicos oriundos de diferentes linguagens musicais rapidamente se transformou num consistente e promissor projeto artístico. Os AVESSO, constituídos por Diogo Leite na bateria, Dani Valente na guitarra, Vitor Hugo na guitarra e voz e Paulo Rui no baixo e voz, exploram, através das suas canções, os domínios do espírito humano, dos seus pântanos aos seus cumes, não se fechando em sonoridades ou fórmulas de expressão musical e artística.
“O céu e o inferno estão em ti” é já o quarto single do álbum de estreia de AVESSO, “desassossego”, um trabalho editado em 2024 pela Raging Planet Records e Roma Inversa. O vídeo que ilustra a malha foi realizado pelos AVESSO e Pedro Baranita, e procura dar a conhecer ao público um dos temas mais fortes do disco, onde os Rubaiyat (“Odes ao Vinho”) de Omar Khayyam (séc. XIII) se interligam ao rock vocalizado em português.
No seguimento do primeiro single intitulado “se eu pudesse trincar a vida toda”, do segundo single “a existência dos homens” e do terceiro single “aos que a felicidade é sol virá a noite”, este novo lançamento procura dar a conhecer ao público o resultado de um encontro improvável.
“O céu e o inferno estão em ti” é uma canção construída sobre a dicotomia do céu e do inferno, numa perspetiva da experiência interior do ser humano, discorrendo sobre a natureza ilusória da realidade, como ela é percecionada (“nunca saberemos o que se oculta por detrás das aparências”), a transiência da vida (“as nossas moradas são provisórias, menos aquela última”) e a busca por uma sabedoria profunda que torne possível um viver pleno (“procurei em vão, o céu e o inferno, depois, uma voz disse o céu e o inferno estão em ti”).
No vídeo, que podes visualizar em cima, uma personagem enfrenta a sua própria dicotomia existencial — dividida em duas diferentes dimensões representadas por duas versões de si própria —, lidando com a confusão, a insatisfação e a autocomiseração na procura por uma saída. Trata-se de uma canção fortemente rítmica, melódica e dinâmica, dentro de uma linguagem musical própria do rock, que se interliga aos Rubaiyat de Omar Khayyam de forma particularmente bem-sucedida. As “Odes ao Vinho” presentes na letra servem de guião a uma estética por vezes surreal, por vezes de uma nitidez imagética poderosa.