evil live falling in reverse

EVIL LIVE 2025: Do Black Metal à Moda do Porto dos Gaerea ao Metal Egocêntrico dos Falling In Reverse

Review

Faemine
7/10
Gaerea
10/10
Adept
8/10
Jinjer
8/10
Falling In Reverse
8/10
Som
9/10
Ambiente
9/10
Overall
8.4/10

No terceiro, e último, dia do EVIL LIVE 2025, o cartaz compôs-se, essencialmente, de sonoridades mais modernas. O prato forte foi o metalcore, mas também foi-nos servido metal alternativo e black metal.

No último dia de EVIL LIVE 2025, o cartaz apresentou um denominador comum com o metalcore dos Adept, Jinjer e Falling in Reverse a sobressair face ao metal alternativo dos Faemine e ao black metal dos Gaerea.

Faemine 

As honras de abertura do último dia ficaram a cargo dos portugueses Faemine. A banda oriunda de Lisboa tem pouco tempo de atividade, mas isso não os impediu de assinar uma prestação muito competente. A apresentar os temas do seu EP de estreia “Alluvion”, os Faemine agarraram o público do Restelo com o seu metal alternativo musculado e despertaram em todos uma certa curiosidade em relação ao futuro.

 

Gaerea

Hoje em dia ver um concerto de Gaerea em Portugal é uma coisa rara. Como já foi dito várias vezes em entrevistas, a banda faz mesmo questão de só tocar em Portugal uma ou duas vezes por ano para não saturar a oferta e consequentemente o interesse na banda.

A estratégia é bastante válida para um banda que lá fora continua a crescer exponencialmente. Desta forma, sempre que apanhamos um concerto por cá, vivemo-lo com muita intensidade.

A apresentar o seu nome novo trabalho “Coma” (2024), um conjunto de faixas que rompe com as convenções do black metal ao fundir este género com o shoegaze, o metalcore e o post-hardcore, os Gaerea lançaram-se a temas como “Hope Shatters”, “World Ablaze” e “Wilted Flower”, todos eles profundas viagens transcendentais que resultariam ainda melhor se o concerto tivesse sido de noite.

Poucas palavras foram proferidas ao longo do concerto, mas foi percetível o anúncio de um regresso da banda a Lisboa e Porto no final deste ano para mais duas experiências imersivas com a Vortex Society. 

Adept

Chamados à última hora para substituir os Crossfaith, após terem sido retirados do cartaz devido a uma polémica, os suecos Adept regressaram, passado catorze anos, a um país onde já foram muito felizes. 

«Nunca tínhamos tocado em Lisboa, só em Setúbal e em Pombal», disse o vocalista Robert Ljung fazendo referência aos concertos de 2011. «A melhor banda do mundo é daqui. Chama-se More Than a Thousand», continuou num momento muito especial em que mencionou a maior banda que alguma vez existiu no metalcore português. Nesses concerto de 2011, os More Than a Thousand estavam precisamente no cartaz e ao longo dos anos cruzaram caminhos com os Adept, formando assim uma forte amizade. Desta forma, não é de estranhar que “Secrets” tenha sido dedicada à banda de Setúbal. 

Com um concerto bem quentinho, além do calor sentido, a banda ainda aqueceu mais o público com labaredas pirotécnicas, desfilaram temas antigos como “Grow Up, Peter Pan!”,”At Least Give Me My Dreams Back, You Negligent Whore!” e “Shark! Shark! Shark!”, e ainda surgiram as novidades “You” e “Heaven”, temas que marcam o regresso da banda ao ativo após um hiato de cinco anos. 

Jinjer

Liderados pela carismática Tatiana Shmayluk, os Jinjer apresentaram-se como um caso único no cartaz do EVIL LIVE 2025 por serem a única banda a subir ao palco com uma frontwoman.

Na apresentação de “Duél” (2025), o novo álbum, os Jinjer trouxeram uma mão cheia de músicas novas para rodar juntamente com os clássicos. Do metalcore ao djent, passando pelo groove metal, a banda invocou mais uma vez a sua sincronia rítmica irrepreensível em temas como “Duél”, “Vortex”, “Teacher, Teacher!”, “Someone’s Daughter” e “Pisces”. Por sua vez, Tatiana continua a demonstrar um tremendo poder vocal nos berros e, surpreendentemente, um maior controlo nos vocais limpos.

Ainda a sofrer com a guerra na sua terra natal, os concertos de Jinjer continuam a ser experiências de comunhão e de uma força coletiva que se expande para incentivar ao fim do conflito na Ucrânia. Com as bandeiras bicolor, azul e amarelo, a surgirem entre o público, esta foi mais uma demonstração de que os fãs estão totalmente do lado da banda no desejo de uma paz imediata. Mas, até lá, vão continuar a berrar as letras como uma arma poderosa e poderão voltar a fazê-lo em Fevereiro de 2026 quando os Jinjer regressarem ao nosso país.

Falling In Reverse

Pouco mudou face ao concerto dos Falling In Reverse no Campo Pequeno no passado mês de Novembro. O baixista e vocalista Tyler Burgess saiu da banda para dar lugar a Daniel “DL” Laskiewicz, vocalista dos Bad Wolves, dois temas novos deram entrada na setlist e o espetáculo pirotécnico que é habitual nos seus concertos foi totalmente deixado de parte.

Por cima destas alterações, ainda se levantou uma questão. Estaria Ronnie Radke a fazer playback em alguns temas? Algumas imagens parecem apontar para isso, particularmente na faixa inicial “Prequelle”. O ligeiro desfasamento entre os ecrãs laterais e a imagem real não ajudaram a tirar ilações, mas o que é certo é que os vocais de Ronnie estavam demasiado colados à versão de estúdio. Bem sabemos, que os Falling In Reverse usam backing tracks ao vivo, com algumas vozes, e que o baixista, neste caso Daniel “DL” Laskiewicz, desempenha parte do trabalho, mas ainda assim sentimos que alguma coisa não estava a bater certo.

De resto, foi um concerto à moda de Falling in Reverse e de Ronnie Radke. Bem disposto, intenso e egocêntrico. Das velhinhas “I’m Not a Vampire” e “The Drug in Me Is You”, às novidades na setlist “NO FEAR” e “God Is a Weapon”, este último uma colaboração com Marilyn Manson, o concerto foi alimentando-se da energia dos fãs que se encontravam um pouco dispersos pelo recinto, pois afinal de contas a noite era dos Slipknot. Sempre polémico e irreverente, foram muitos os que franziram o sobrolho perante Radke em temas como “Bad Guy” e “Just Like You”, mas também muitos que reconheceram a sua capacidade em agarrar a plateia em malhas como “Zombified” e “All My Life”, ou na sua fusão de rap e metal em momentos como “Popular Monster” e “Voices in My Head”.

Num misto de opiniões podemos dizer que foi um concerto interesante, mas longe de ser memorável. Este espetáculo já está a correr na estrada há muito tempo e Radke precisa agora de reinventar-se para dar aos fãs algo de novo que os volte a deixar de boca aberta.

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