EVIL LIVE 2025: Do Calor Industrial da Bizarra Locomotiva ao Freak Show de Till Lindemann

Review

Bizarra Locomotiva
10/10
Seven Hours After Violet
9/10
Eagles of Death Metal
9/10
Opeth
7/10
Till Lindemann
8/10
Som
8/10
Ambiente
8/10
Overall
8.4/10

Num segundo dia de EVIL LIVE 2025 bem mais concorrido, os nossos destaques foram para o poder da maquinaria da Bizarra Locomotiva, o metalcore meets deathcore dos Seven Hours After Violet e a teatralidade explícita de Till Lindemann.

Com a temperatura a estalar foram muitos os fãs que chegaram ao Estádio do Restelo bem cedinho no segundo dia de EVIL LIVE para testemunhar o poder da Bizarra Locomotiva, descobrir os Seven Hours After Violet, gingar ao som dos Eagles of Death Metal, contemplar a qualidade técnica dos Opeth e vibrar com o espetáculo NSFW de Till Lindemann.

Bizarra Locomotiva

Foi no pit que Rui Sidónio, o “maquinista” da Bizarra Locomotiva, deu início ao concerto ao som de “Vendaval Utópico”. Incansável na interação com o público, Sidónio fez questão de reiterar ao vivo, através das suas ações, que a Locomotiva é grande o suficiente para albergar todos os viajantes que queiram embarcar e fê-lo ao entrar pelo público a dentro para cumprimentar todos os passageiros que, sob um sol tórrido, não quiseram perder a Locomotiva.  Durante 30 minutos, paragens como “Mortuário”, “O Anjo Exilado” e “O Escaravelho” foram entoadas pela escumalha sempre fiel à banda.

É importante ainda referir que, apesar de terem sido a primeira banda a subir ao palco, a Locomotiva foi tratada com todo o respeito e com as regalias técnicas que merece, particularmente ao nível do tratamento de som, que chegou até nós com uma excelente mistura. Por fim, temos que deixar ainda mais uma palavra de apreço para Rui Sidónio. Ciente do calor que estavam a sentir os fãs nas primeiras filas, o músico foi incansável ao enviar garrafas de água para todos os lados. Mas isto, é apenas e só, mais um exemplo da natureza humana que todos reconhecemos no líder da Bizarra Locomotiva. Miguel Fonseca, Alpha e Rui Berton estiveram, como habitualmente, irrepreensíveis, mostrando mais uma vez que os Bizarra são uma das melhores bandas portuguesas ao vivo, actualmente.

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Seven Hours After Violet

Ainda pouco conhecidos na cena metal, os Seven Hours After Violet têm ganho algum destaque por se apresentarem como o projeto paralelo de Shavo Odadjian, baixista dos System of a Down. Mas, o que é certo que os restantes membros da banda vêm também de outros grupos bem cotados na cena deathcore/metalcore. Falamos do guitarrista Alejandro Aranda e do vocalista Taylor Barber, ambos dos Left to Suffer; e do guitarrista Michael Montoya e do baterista Josh Johnson, dos Winds of Plague

A promover o seu álbum de estreia homónimo, editado em 2024, a ideia dos Seven Hours After Violet para esta tour de festivais era causar uma boa impressão entre o público que estava a descobri-los. E que impressão causaram eles… Muitos crowd surfers, circle pits e wall of death acompanharam temas como “Paradise”, “Float”, “Radiance” e “Sunrise”, com o equilíbrio entre peso e melodia a sobressair na voz de Taylor Barber, dos refrões limpos aos graves demolidores de deathcore,

Barber foi o verdadeiro MVP e ganhando uns pontos extra ao ostentar uma camisa com várias imagens da popstar Sabrina Carpenter. Pode parecer algo sem importância, mas estas novas bandas de metal têm ajudado a construir um novo paradigma do fã de música pesada que não ouve apenas metal. Chris Motionless, dos Motionless in White, por exemplo, é fã confesso de Taylor Swift, já Courtney LaPlante, dos Spiritbox, tem referências em nomes como Doja Cat e SZA. Se Taylor Barber também conseguir ajudar a desconstruir esse preconceito, então os Seven Hours After Violet merecem todo o nosso respeito.

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Eagles of Death Metal

Liderados pelo carismático e sempre divertido Jesse Hughes, os Eagles of Death Metal trouxeram a sua festa rock ‘n’roll para um palco dominado pelas sonoridades mais pesadas. O público, predisposto para a diversão, não partiu para grandes julgamentos em relação ao facto de estarmos a assistir a uma banda de rock num festival que se caracteriza como um evento dedicado ao heavy metal, e abraçou a banda californiana com boa disposição

Com muito paleio na ponta língua e o seu ar galante, Hughes perdeu, ou ganhou, dependendo da perspectiva, muito tempo a dirigir-se ao público com juras de amor. «Entrei em palco e imediatamente apaixonei-me por vocês», disse a certo ponto. Já em temas como “I Want You”, “Cherry Cola” e “I Want You So Hard (Boy’s Bad News)” não perdeu tempo em dedicá-las às mulheres, pois segundo Jesse: «Todas as noites, são ladies night!»

Envergando uma t-shirt dos cabeça de cartaz, Korn, Hughes decidiu ainda dedicar a sua cover de “Moonage Daydream” de David Bowie, à banda de Jonathan Davis.

Com uma banda onde a paridade de género é respeitada, gostaríamos ainda de destacar o trabalho na guitarra de Scott Shiflett. Certamente que estarão a reconhecer o apelido, pois bem, Scott é irmão de Chris Shiflett dos Foo Fighters, e tem construído a sua carreira a tocar em bandas punk. Tanto na guitarra como no baixo, Scott apresenta-se como um músico bastante dotado e está agora a colaborar com os Eagles of Death Metal como guitarrista ao vivo.

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Opeth

Metal/rock progressivo, num estádio de futebol, sob um calor infernal não parece ser a receita ideal para um concerto de Opeth. Aliás, aquilo que mais receávamos veio mesmo a comprovar-se com a qualidade técnica da banda sueca a perder-se num público disperso, pouco tolerante à temperatura e constantemente em conversas paralelas.

A ideia de Mikael Åkerfeldt era apresentar o seu mais recente trabalho “The Last Will and Testament” (2024), cujas músicas estão repartidas em sete parágrafos. Desses sete, escutámos precisamente o primeiro e o último. Num regresso aos growls que marcaram o primeiro terço da carreira dos Opeth, Åkerfeldt continua com a sua postura descontraída em palco enquanto solta vocais que parecem surgir um submundo. Por sua vez, as transições para os vocais limpos também foram percecionadas com muita naturalidade.

Num concerto curto, com apenas sete músicas, os Opeth procuraram satisfazer as duas fações de fãs que dispõem ao tocar temas mais melódicos como “In My Time of Need” e “Sorceress” e temas que articulam peso e melodia, vocais limpos e growls, como foi o caso de “§1”, “Heir Apparent”, “§7”, “Ghost of Perdition” e “Master’s Apprentices”.

Com o seu à vontade a falar com o público e sentido de humor, Åkerfeldt também tirou vários momentos para sentir a imensidão humana que estava à sua frente. Desde dizer que não sabiam tocar a “Seven Nation Army”, após ter escutado os cânticos do público, passando pela informação de que tinha estado com Tom Warrior dos Triptykon, até confessar que como escandinavo, o calor intenso não era propriamente um problema…

Independentemente das circunstâncias, a banda mostrou-se sempre empenhada em dar o melhor concerto possível. É certo que uma sala coberta, algo intimista, será sempre o melhor cenário para acolher o grupo sueco, mas, no que diz respeito à execução técnica não podemos apontar falhas a estes senhores que, passado trinta anos do seu álbum de estreia “Orchid” (1995), continuam a engrandecer a música progressiva.

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Till Lindemann

Espetáculo de aberrações, concerto explícito ou circo erótico, chamem-lhe o que quiserem, o que é certo é que ninguém ficou indiferente à performance de Till Lindemann no EVIL LIVE 2025. Sempre com uma forte componente teatral, como também é apanágio dos concertos dos Rammstein, o espetáculo de Till diferencia-se das apresentações da sua banda ao trocar toda a componente pirotécnica por uma performance com um shock value exacerbado. Aliás, é aí que o músico vai mesmo buscar pontos para as suas atuações a solo, porque em termos musicais não existem grandes variações face às composições dos Rammstein. Till sabe que a sua imagem de marca sonora é a Neue Deutsche Härte e transporta-a para a sua carreira a solo sem fazer grandes desvios.

Temas como “Zunge”, “Schweiss”, “Golden Shower”, “Sport frei” e “Ich hasse Kinder” ficaram várias vezes para segundo plano quando o foco do público estava centrado ora nas ações desconcertantes do vocalista germânico, ora nas projeções NSFW da tela gigante que acompanhavam as músicas com imagens impróprias para menores de dezoito anos.

Num palco monocromático, onde o vermelho foi a cor rainha, Till fez questão de mostrar a sua posição face à paridade de género ao recrutar três mulheres para desempenharem as funções de guitarristas e teclista. Porém, foi o baterista Joe Letz que roubou as atenções com o seu traje feminino sadomasoquista e o seu estilo de tocar bastante irreverente. No fim, quando Letz tirou todos os adereços da sua cara, notou-se um alívio na sua expressão facial. Se para os Slipknot já é difícil dar um concerto com as máscaras, nem imaginamos como será no caso de Letz.

Entre bolos a serem lançados para o público, sim, essa marca registada de Steve Aoki, tampões a saírem de uma vulva falsa, uma chuva de sardinhas e uma volta olímpica de Till Lindemann pelo público com uma câmara POV no seu chapéu, podemos certamente afirmar que assistimos mais a um freak show do que propriamente a um concerto. Afinal de contas, Till Lindemann é sinónimo de entretenimento, e esse teve garantido do primeiro ao último segundo do espetáculo.

O dia 2 do Evil Live terminou com o grande concerto dos Korn. Podes ler a review completa ao concerto, aqui.

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