triptykon c ines barrau
(c) Inês Barrau

EVIL LIVE 2025: Na Igreja do Thrash Foram os Triptykon Que Deram uma Missa Negra

Review

Death Angel
7/10
Municipal Waste
9/10
Triptykon
7/10
Som
7/10
Ambiente
8/10
Overall
7.6/10

Num primeiro dia de EVIL LIVE 2025 regado a thrash metal, da Bay Area, com Death Angel ao crossover dos Municipal Waste, foram os suíços Triptykon que invocaram o metal mais negro sob um sol abrasador.

O primeiro dia do EVIL LIVE 2025 foi dedicado à velha guarda, termo utilizamos com o maior respeito. Do thrash metal ao heavy metal clássico, passando pelo doom metal, o Estádio do Restelo recebeu uma maré negra de corpos sedentos por um refresco sonoro assente em riffs rápidos, skank beats, mas também nalgumas sonoridades mais arrastadas.

Infelizmente não nos foi possível chegar a tempo do set dos R.A.M.P.

Death Angel 

Foi com um atraso de 15 minutos que a banda de São Francisco, Death Angel, subiu ao palco do EVIL LIVE. Representantes do “outro” Big 4 do thrash metal, para alguns o primeiro e único, juntamente com Exodus, Testament e Overkill, os Death Angel chegaram ao Estádio do Restelo para uma sessão em contra-relógio de thrash old school da Bay Area. De volta a Portugal, desta vez com a sua banda, depois de ter passado pelo festival em 2024 com Kerry King, Mark Osegueda comandou as tropas com uma prestação muito mais segura face àquela que tínhamos assistido na MEO Arena. Apesar das deficiências ao nível do som nas primeiras músicas, a banda conseguiu dar um cheirinho às camadas mais jovens daquele que muitos dizem ser o verdadeiro thrash metal. Das velhinhas “Mistress of Pain” e “Voracious Souls” às mais recentes “I Came for Blood” e “The Moth”, tudo se congregou à volta de um circle pit sempiterno.

Municipal Waste

Crossover thrash com muita festa e boa disposição: era isso que prometia o concerto dos Municipal Waste, e não desiludiu. Descrita como uma das principais forças da segunda vaga americana de crossover, a banda assenta as suas performances em momentos de muita porrada amigável, mas também de diversão com vários adereços à mistura. Tony Foresta, o vocalista, apresenta-se como um frontman nato. Com uma energia em palco inesgotável, a debitar letras rapidíssimas com o sol fortíssimo a bater de frente ou a mandar larachas nos intervalos, a diversão esteve sempre garantida. A tudo isto junta-se uma interação com o público única, pautada por momentos em que são mandados para os fãs noodles de espuma e bolas insufláveis.

Tudo resume-se a malhas curtas, mas extensas o suficiente para surtir o efeito desejado. Essa é a receita dos concertos dos Municipal Waste. “You’re Cut Off”, “Poison the Preacher”, “Under the Waste Command” e “Born To Party” representaram bem esta vertente de um thrash que se evapora num ápice. Porém, o melhor momento do concerto foi mesmo “I Want to Kill the President”, que foi dedicada a Donald Trump. «Nós odiamos o Trump. O gajo que se f*da.», e de seguida a banda arrancou com a versão thrash da canção. «Nós odiamos tanto o gajo que vamos tocar a música ainda mais rápido.» Surgindo uma versão grindcore ultrarrápida. «Agora vamos tocar mais devagar para o pessoal que fuma erva.» E saiu uma versão stoner metal bem apropriada.

«Este foi o melhor concerto que já demos em Portugal», disse Foresta. Se foi ou não, não podemos comprovar. Mas com o público português envolvido, os Municipal Waste podem ter a certeza que a festa estará sempre garantida.

Triptykon

Nome lendário da cena metal europeia, particularmente da Suíça, Tom Warrior trouxe novamente os seus Triptykon a Portugal. Algo deslocados num dia com sonoridades mais rápidas, a banda trouxe o seu doom/gothic metal para acompanhar o pôr do sol.

Com uma setlist equilibrada a distribuir-se igualmente pelo repertório de Triptykon e pelo dos históricos Celtic Frost, a performance desenrolou-se, alternadamente, em momentos de maior aspereza sonora com alguns toques progressivos como foi o caso de “Goetia”, “Tree of Suffocating Souls” e “The Prolonging”, e em momentos de um metal mais direto ao ouvido de quem procura algo imediato, com “Circle of the Tyrants” e “Dethroned Emperor”.

Homem de poucas palavras, Tom Warrior vestiu a pele de sacerdote e invocou uma homilia negra numa tarde onde a brisa já ajudava a combater o calor intenso. Mas, aquilo que para uns foi um rito, para outros foi um grande aborrecimento e uma travagem brusca no percurso sonoro que vinha a ser percorrido desde as 16:00. Esperamos voltar a receber os Triptykon num ambiente mais apropriado.

O dia 1 do Evil Live terminou com o grande concerto dos Judas Priest. Podes ler a review completa ao concerto, aqui.

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