Ainda a celebrar os 25 anos do seu álbum de estreia homónimo, os Slipknot encerraram o EVIL LIVE 2025 com mais uma demonstração da sua fúria sonora. No primeiro concerto em Portugal com Eloy Casagrande na bateria, a banda assinou uma performance energética, mas sem os níveis de perigosidade do saudoso ano de 1999.
Quando os Slipknot despontaram na cena metal em 1999 já o nu metal fazia estragos através de bandas como Korn e Limp Bizkit. Com um som pouco homogéneo, o nu metal nunca teve as suas convenções sonoras fechadas. A liberdade de experimentação era muita e talvez tenha sido isso que levou os Slipknot a enveredarem por este subgénero. Quando apareceram os nove mascarados, com fatos de macaco, a baterem em barris de cerveja de forma tribal em músicas com uma agressividade nunca antes sentida, rapidamente se gerou um burburinho à volta da banda.
Dispostos a deixar tudo em palco, as performances dos Slipknot também começaram a ficar conhecidas por apresentarem um certo nível de perigosidade, muitas vezes não calculada, tanto em palco como no público. De um pescoço partido a uma lesão grave numa órbita ocular, a tour Ozzfest ’99 teve um pouco de tudo. Hoje em dia, as coisas estão muito mais calmas em palco e os Slipknot já não colocam a sua integridade física em jogo para dar espetáculo. Porque não precisam. A energia simbiótica entre e banda e público já é por si só mais que suficiente para gerar uma perigosidade controlada no público.
Hoje em dia, as coisas estão muito mais calmas em palco e os Slipknot já não colocam a sua integridade física em jogo para dar espetáculo. Porque não precisam. A energia simbiótica entre e banda e público já é por si só mais que suficiente para gerar uma perigosidade controlada no público.
Ainda a celebrar o 25º aniversário do álbum de estreia homónimo, os Slipknot apresentaram-se no EVIL LIVE 2025 com uma setlist recheada de temas de 1999, um deles nunca tinha sido tocado em Portugal. Mas, desta vez estiveram apenas oito elementos em palco, ao invés dos nove a que estamos habituados. Naquela que foi a estreia em Portugal do baterista Eloy Casagrande, Shawn “Clown” Crahan não esteve presente devido a questões familiares, algo que já tinha ocorrido na última passagem da banda pela MEO Arena.
Mas isso não reduziu de todo a carga explosiva do concerto. Após a intro “742617000027”, “(sic)” soltou o caos num Estádio do Restelo com o relvado esgotado. Uma autêntica sova acertou-nos em cheio, deixando a pergunta no ar: Como é que é possível aguentar vinte cinco anos a tocar constantemente com esta agressividade. É certo que a presença em palco é mais contida agora, mas sonicamente ainda está lá tudo.
Sem dar tempo para voltar à superfície para respirar, surgiu logo de seguida mais uma amona sonora na forma de “People=Shit”, com aquele conjunto de fills entre o primeiro refrão e o terceiro verso a darem, infelizmente, o único destaque da noite a Eloy Casagrande, o baterista brasileiro que substituiu Jay Weinberg. Com muitos conterrâneos no público, teria sido bonito assistir a um solo por parte do ex-Sepultura. No fim do concerto ficámos um pouco decepcionados com a ausência de uma apresentação digna por parte de Corey Taylor, e com a exclusão quase total de Eloy das imagens que passaram na transmissão dos ecrãs gigantes.
Entretanto, o concerto prosseguiu com o deep cut “Gematria (The Killing Name)”. A música que nunca tinha sido tocada em Portugal foi certamente um deleite para aqueles que se dizem cansados das setlists repetitivas que os Slipknot têm vindo a apresentar nos últimos anos. De certeza que a ausência de “Before I Forget”, “Snuff” ou “Vermilion” deixou várias pessoas desiludidas, mas já sabemos que nunca dá para agradar a todos.
Num vislumbre mais atento ao aparato cénico em palco, vimos uma produção mais simples e com várias referências ao passado. Da recreação de máscaras antigas, com Corey a recuperar a sua máscara com rastas, ao set up dos tambores de Tortilla Man e de Clown no chão, passando ainda pelos banners com o logo clássico, foram vários os elementos que nos levaram para 1999.
Mas, são os Slipknot, uma banda que, desde 1999, nunca se regeu pelas normas convencionais e não seria, certamente, agora que iria começar a fazê-lo.
Já “Wait and Bleed” trouxe o primeiro grande momento de singalong da noite, com o mesmo a repetir-se nos singles mais rodados, como foi o caso de “Psychosocial”, “The Devil in I”, “Unsainted” e “Duality”. Já a estranheza face aos últimos dois álbuns trouxe reações menos efusivas em “Nero Forte” e “Yen”. Mas, rapidamente, “The Heretic Anthem” equilibrou a balança com um coro de mais de vinte mil pessoas a entoar o refrão «If you’re 555, then I’m 666», mas não sem antes Sid Wilson transformar o Estádio do Restelo numa pequena rave com “Tattered & Torn”.
Quando chegámos ao encore fomos presenteados com um hat-trick de temas do álbum de 1999. Primeiro surgiu “Spit It Out”, na versão do álbum, algo que não estávamos à espera, visto que a bridge em que Corey Taylor manda todos agacharem-se para depois incentivar a um salto coletivo sob a chamada «jump the fuck up!» se apresenta como um dos momentos mais icónicos de um concerto dos Slipknot. Depois foi a vez do «hino nacional» “Surfacing” explodir antes da experimental “Scissors” terminar o concerto de uma forma singular. A escolha foi arrojada e muitos não acharam piada a um final tão vanguardista face ao que estamos habituados a ver nos concertos da banda. Mas, são os Slipknot, uma banda que, desde 1999, nunca se regeu pelas normas convencionais e não seria, certamente, agora que iria começar a fazê-lo.
Fotos (c) Inês Barrau CM / AS





























