(c) Nuno Cruz

R. I. P. Jorge Palma

22/09/2026

Faleceu Jorge Palma, uma das vozes maiores da música portuguesa

Jorge Palma partiu no dia 21 de Setembro , aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Mais de cinco décadas de música ficam para trás, mas ficam também canções que atravessaram gerações e uma obra que se tornou parte incontornável da música portuguesa.

A notícia foi confirmada pela família e pela agência do músico, numa mensagem publicada nas redes sociais. Rita Tomé, mulher de Jorge Palma, os filhos Vicente e Francisco Palma, e os seus agentes, André Sebastião e Tiago Branco, falam numa «dor incalculável» e pedem que o músico seja recordado através «daquilo que melhor o definiu, as suas canções e as suas palavras».

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar piano ainda criança e passou pelo Conservatório de Música de Lisboa. Na adolescência, trocou a formação clássica pelo rock e começou a construir um percurso que nunca se limitou a uma única linguagem ou a um único lugar.

Passou pelos Sindicato e pelos Black Boys, editou o primeiro single, “The Nine Billion Names of God”, em 1972, e viveu na Dinamarca durante os anos que antecederam o 25 de Abril. Regressado a Portugal, iniciou uma carreira a solo que viria a dar origem a uma das discografias mais singulares da música portuguesa.

O primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, chegou em 1975. Seguiram-se discos como “Só”, “É proibido fumar”, “Norte”, “Voo nocturno”, “Com todo o respeito” e, já em 2023, “Vida”. Entre eles, houve mudanças de cidade, de companheiros de viagem e de contexto, mas também uma característica que atravessou toda a obra, a capacidade de transformar experiências pessoais em canções que rapidamente deixavam de pertencer apenas ao seu autor.

Jorge Palma nunca foi apenas um cantor e compositor. Pianista, intérprete, orquestrador e colaborador incansável, participou em projectos tão diferentes como a Palma’s Gang, ao lado de elementos dos Xutos & Pontapés e dos Rádio Macau, e os Rio Grande. Escreveu para outros artistas e para teatro, mantendo sempre uma relação muito própria com a palavra e com o piano.

Nos últimos anos, a música continuou a ser também um espaço de encontro com os filhos. Em 2025 apresentou “3 palmas na mão”, espectáculo em que partilhou o palco com Vicente Palma e Francisco Palma.

A sua carreira foi reconhecida em várias ocasiões. Recebeu o Prémio José Afonso em 2002, o Prémio Pedro Osório em 2012 e, em 2020, a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Lisboa e a condecoração de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em abril deste ano recebeu ainda o Prémio Carreira dos PLAY, Prémios da Música Portuguesa.

AUDIOGEST | Jorge Palma e a liberdade que a música ainda guarda

Mais do que uma sucessão de discos, prémios e colaborações, a carreira de Jorge Palma deixa uma quantidade extraordinária de canções que continuam a fazer parte da memória colectiva. Canções de noites longas, de amores, de perdas, de viagens e de tudo aquilo que cabe entre uma vida e outra.

A família recorda-o como alguém que deixa «uma obra assinalável que faz parte da história» portuguesa, mas também «muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade».

É essa obra, feita de piano, palavras e canções, que fica.

A equipa da Arte Sonora apresenta as suas sentidas condolências à família, aos amigos e a todos os colegas de profissão.