25 anos de Young Gods [PT.II]

25 anos de Young Gods [PT.II]

Nero

A banda liderada por Franz Treichler vem a Portugal tocar os seus dois primeiros álbuns. O vocalista faz-nos uma retrospectiva de carreira e do momento actual e explica-nos como se fazia samplagem antes da era MIDI.

Os The Young Gods continuam a celebrar os 25 anos do lançamento do seu primeiro disco (1987) e, depois de uma primeira digressão em 2012, a banda decidiu aumentar as celebrações em mais algumas datas que vão passar por Lisboa e Porto dias 6 e 7 de Dezembro, na TMN ao Vivo e no Hard Club, respectivamente.

Franz Treichler conversou connosco sobre os concertos, uma carreira de 25 anos e o momento actual da banda.

Quão depressa passam 25 anos?
É um processo contínuo, pelo qual não dás conta. Só te apercebes disso quando páras e reparas o quão rápida foi a tua vida nesse período de tempo. E foi tudo muito rápido, demasiado rápido. É metade da minha vida, tinha 23 anos quando começámos…

Para os fãs, uma tour como esta é o “céu”. A esta distância, como olhas para os dois primeiros álbuns, ainda é estimulante tocá-los?
Não lhes mudaria nada. Ter feito isto em ’87 foi uma loucura, tal como a resposta conseguida. São especiais, sem dúvida. Quem vier aos concertos poderá ver “algo” a acontecer. É engraçado poder fazer isto com o Cesare[Pizzi], não teria sentido fazê-lo com qualquer outra pessoa, até porque foi algo que aconteceu por acaso. Ele [Cesare Pizzi] ficou desempregado, então o ano passado falámos sobre o quão “porreiro” seria celebrar os discos. De início ele ficou relutante, pois tem feito apenas música electrónica, estava destreinado de tocar ao vivo, com teclados e a interagir com outros músicos, de manter-se no tempo.

É uma ocasião especial para mim, por outro motivo: a última “versão” dos Young Gods, em 2010, mostrava alguma saturação a meio da digressão, podia ver isso no olhar das pessoas – a atmosfera no seio da banda não era a melhor, não tinha nada a ver com a altura em que comecei. Com 23 anos estás disponível para muito mais experiências. Com quase 30 anos em cima, ressentes-te mais, há famílias envolvidas, sentes mais cansaço. No final da digressão havia uma exaustão palpável. Após a digressão o Alain [Monod] viajou para a Índia, decidiu dedicar-se a música de cítara, e acabou por deixar a banda. Eu e o Bernard [Trontin] tivemos que pensar no que fazer e foi então que decidimos conversar com o Cesare.

Após a digressão o Alain [Monod] viajou para a Índia, decidiu dedicar-se a música de cítara, e acabou por deixar a banda.

 Drum machines, synths, loopers, etc. O material que usavam no início tornou-se vintage
[Risos] Sim, agora é muito difícil encontrar essas máquinas em bom estado. Não sabes se vão funcionar bem, são muito pesadas e é mais dispendioso transportá-las… Fazemos tudo em máquinas actuais, extraímos os sons desses álbuns e colocámo-los em software samplers. Especificamente o Kontakt [Native Instruments]. O controlador MIDI é um Novation. Ou seja, o sampler e o controlador, um SM 58 [Shure] e um drumkit [risos]. É isto!

KONTAKT_5_intro_CE

Quando começámos usávamos um Akai S900. Antes disso tínhamos loopers para guitarra, o Electro-Harmonix Super Replay, que apenas conseguia “samplar” 2 segundos e meio – fizemos uns 10 ou 15 concertos com duas destas peças que não tinham memória interna, era necessário carregar o som (gravado num gravador de cassetes) imediatamente antes da canção, um som na esquerda e um som na direita… “Tu disparas o som A e eu o som B”, era muito difícil, mas era muito divertido. Depois surgiu então o MIDI, com o lançamento do Akai S900.

Electro-Harmonix Super Replay,