5 razões para ir ao Monte Verde Festival

5 razões para ir ao Monte Verde Festival

Inês Barrau

Fizemos as malas, apanhámos um avião da SATA e aterrámos na ilha de São Miguel para viver o ambiente do Monte Verde Festival.

A completar 5 anos, uma data de aniversário “redonda”, era altura ideal para perceber se o Monte Verde estava pronto a sair da pré escolar e saltar para a primária. Um festival que começou pela ideia, à partida utópica, de uns amigos na universidade, «era fixe organizar um festival de música em São Miguel», é, ao fim de 5 anos, um festival de referência nos Açores.

Não é fácil organizar um festival com esta dimensão numa ilha. Não estamos apenas a falar em custos directos e apoios, mas também de coisas tão simples como ter o backline que as bandas pretendem. Jacinto Franco, o mentor e o rosto do festival confessou-nos que é aí que existe a maior derrapagem em termos financeiros do festival. A maioria do gear tem que vir do continente, o que encarece bastante as despesas com bandas. Até mesmo parte da equipa técnica teve que vir de lá, por escassez de técnicos locais. Há ainda uma barreira grande ao nível do público local, até há poucos anos atrás, as principais salas de espectáculos da ilha, como o Coliseu, estavam fechadas e não havia o hábito de pagar por um bom concerto e foi preciso reeducar a população, mais habituada a festas de cariz popular.

Nem estas, nem outras dificuldades inerentes à insularidade fizeram baixar os braços desta equipa, composta maioritariamente por jovens açorianos que, em vez de estarem de papo para o ar a aproveitar as maravilhosas praias ou piscinas naturais de água quente que a ilha tem, arregaçaram as mangas e fizeram algo pela educação musical e cultural da ilha.

A Arte Sonora acompanhou a edição de 2016 do Monte Verde e dá-te 5 boas razões para ires pelo menos uma vez na vida a este festival.

A ILHA | O Monte Verde realiza-se em pleno coração do Atlântico, na ilha de São Miguel, em Ribeira Grande. Um sítio único que merece uma visita, começando pela Lagoa do Fogo, passando pela Lagoa das 7 Cidades e pelas furnas, não esquecendo o centro de Ponta Delgada. Não faltam cantos e recantos a explorar. Se vivem nos Açores, se a vossa vida não faz sentido sem música e se a praia é um sítio de eleição, este festival é mesmo obrigatório. Se são do team continental ou madeirense nada melhor que conjugar umas boas férias em São Miguel com um festival low cost. De dia exploram a ilha, à noite assistem a concertos. A ilha é também um íman que atrai vários nomes nacionais e internacionais. A maioria acaba por ficar mais dias para turismo. Se por um lado a insularidade traz problemas, com tempo de deslocação e backline das bandas, que levam a que algumas tenham que recusar o convite, por outro, normalmente, os músicos compreendem e aceitam as condições dadas pela oportunidade de tocar nos Açores.

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A PRAIA | No extenso areal negro da praia que dá nome ao festival podem fazer novas amizades, recuperar energias e dar uns mergulhos, com vista privilegiada, quando o sol aperta. Se ficarem no campismo é só atravessar a estrada e estão na praia ou no recinto! Durante a tarde, não faltarão actividades para se entreterem. Se campismo “não é convosco”, não faltará sítio onde pernoitar.

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DIY | Já sabem que na AS somos adeptos do “Do It Yourself” e este festival é 100% DIY. Um grupo de amigos, frequentador assíduo de festivais no continente e no estrangeiro  lembrou-se de fazer um festival de música em São Miguel e, quase como por brincadeira, nasceu o Monte Verde. Toda a equipa “mãe”, digamos assim, é constituída por juventude açoriana que, com poucos recursos, muita vontade e paixão pela música, mantém o festival de pé. “Desenrascam-se” e vão à luta, nem sempre corre tudo bem e muitas vezes dá vontade de “atirar a toalha ao chão”, mas a persistência é também uma das qualidades da organização.

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CARTAZ ECLÉCTICO | O Monte Verde não é um festival para indies ou hipstersroqueiros ou metaleiros, novos ou velhos… É para todos aqueles que gostam de música na sua generalidade. Não há dias “temáticos” a nível musical. Não esquecendo a música portuguesa de referência, há sempre uma forte aposta em nomes já com uma carreira consolidada. Na edição deste ano, ouvimos concertos algo díspares. De um lado Linda Martini, Guano Apes ou Throes + The Shine, do outro, Gentleman, Gabriel o Pensador e Mundo Segundo e Sam The Kid. A prata da casa também não foi esquecida e conhecemos nomes com Lado Lunar, Jet Lag ou Luís Barbosa Trio, não esquecendo a música electrónica para dançar até o nascer do sol. Um apontamento menos bom para a maioria dos festivaleiros açorianos: iniciativas destas não acontecem todos os dias em São Miguel, aproveitem e acolham tão bem as bandas que menos conhecem como os nomes de referência, conhecer música nova é sempre bom. Durante o festival, notou-se alguma apatia e pouca aderência nos concertos de bandas portuguesas. A música “tuga” está de boa saúde e recomenda-se, aproveitem as oportunidades que vos dão.

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BOM E BARATO | O Monte Verde dispõe de um bom espaço, amplo e fácil de circular. Há, ainda, algumas falhas que a organização terá que rever no futuro, como os escassos espaços de alimentação e casa de banho. Mas, pelo preço dos bilhetes, a variar entre os 16€ (diário) e os 30€ (o passe de 3 dias com campismo), é um festival bastante bom em termos de qualidade sonora, acessibilidades e cartaz.

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