A História de Sweet Child o’ Mine

A História de Sweet Child o’ Mine

Redacção

Num álbum explosivo e cuja crueza, ainda hoje, é altamente louvada, a doçura melódica de “Sweet Child o’ Mine” surgiu como um acaso nas sessões de composição. Slash estava apenas a aquecer através de uma brincadeira. Axl Rose ilustrou a sua devoção platónica a Erin Everly.

O guitarrista dos Guns N’ Roses, durante muitos anos, confessou o seu desdém pela canção. No entanto, isso nunca impediu Slash de a tornar um estandarte também nas suas actuações pós-Guns.

Aquele lead inicial tornou-se uma das linhas de guitarra mais conhecidas mundialmente, deu a Slash uma assinatura sonora que o elevou ao panteão dos maiores ícones da guitarra, ajudou a catapultar “Appetite For Destruction” e, sendo o terceiro single do álbum de estreia, foi o único single dos Guns N’ Roses a alguma vez ocupar o primeiro lugar na Billboard norte-americana. “Sweet Child o’ Mine” surge em incontáveis listas como uma das melhores canções de sempre.

Quando estavam a escrever e a ensaiar aquele que seria o seu álbum de estreia, os Guns N’ Roses já possuíam uma longa e merecida reputação de bad boys, com um historial de abuso de substâncias, de caos nos concertos e mesmo de algumas incursões às esquadras de Los Angeles. Então, numa jam session, no espaço em que a banda trabalhava o álbum, na Sunset Strip, Slash estava a aquecer, através de um exercício de escala circular, acompanhado pelas baterias de Steven Adler.

Aquele que, para muitos, era, de facto, o grande compositor dos Guns, Izzy Stradlin, pediu a Slash para “segurar” e repetir a melodia, à qual juntou acordes. Igualmente marcante, surgiu a progressão melódica de baixo de Duff McKagan e, como Slash refere na sua biografia, uma hora depois daquela brincadeira no aquecimento, as coisas ganharam outra dimensão. Aquela estrutura em Ré Sustenido Maior, tocada na tónica Ré, afinada meio tom abaixo (como sucede com todas as canções de “AFD”), estava pronta para ser finalizada, como acontece em tantas das grandes canções populares, por uma mulher…

Sweet Child o’ Mine” é uma declaração de amor a Erin Everly, a grande paixão da vida de Axl Rose

A filha de Don Everly, dos The Everly Brothers, iniciou aqui a sua carreira como musa de Axl Rose. “Sweet Child o’ Mine” é uma declaração de amor a Erin Everly, futura esposa de Axl, a quem o frontman gunner ofereceu mesmo uma grande fatia dos royalties da canção. Axl Rose confessou que seria impossível tê-la escrito sem Erin na sua vida. A musa recusou a soma milionária.

Axl e Erin iniciaram o seu relacionamento em 1986 e passaram a viver juntos. Erin seria ainda a fonte de inspiração para “Patience”, “Don’t Cry” ou “November Rain”. No documentário “Behind The Music” sobre a banda, um dos amigos do casal admite que quando estavam bem um com o outro era algo excelente, mas quando estavam mal era algo horrível.

Em 28 de Abril de 1990, Axl e Erin casaram – dizem as más línguas que Axl surgiu, armado, à porta de Erin a altas horas da madrugada, ameaçando suicidar-se se Erin não aceitasse casar-se com ele. O casamento aconteceu em Las Vegas, como qualquer bom drama de excessos e impetuosidade, e um mês depois Axl ponderou o divórcio. Contudo Erin só viria a sair de casa 10 meses após um casamento que, como a relação, esteve sempre envolvido em enorme paixão e não menores escândalos. Em Novembro de 1990, Erin sofreu um aborto espontâneo, o que mutilou ainda mais a relação e lançou Axl numa depressão.

Em Janeiro de 1991, era oficialmente consumado o divórcio, com acusações de agressões, que nunca se confirmaram, mas que a discussão conhecida em que Axl desfez um piano e uma parede de vidro indiciava. Erin assinou um documento em que nunca revelaria detalhes sobre a vida íntima do casal. Axl procurou muitas vezes explicar a devoção à sua musa, que além das vezes em que se consumiam e destruíam a vida um ao outro, havia outras em que as crianças em cada um deles eram as melhores amigas, eram “Sweet Child o’ Mine”.

Como a relação de ambos, a própria canção sofreu uma crise na sua composição. Durante as demos foi sugerido acrescentar aquele breakdown no final, depois do primeiro solo. Mas os músicos não tinham soluções para acrescentar e Axl começou a perguntar-se em voz alta «Where do we go?». O produtor das demos, Spencer Proffer sugeriu-lhe cantar isso mesmo e o resto é história da música…

O João Luzio, um dos professores da Academia de Guitarra, mostra-nos como tocar aquela icónica melodia [tab incluída]!